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Sacre Investimentos
Economia
07/10/2026
4 min

Flávio Bolsonaro ou Lula no segundo turno? Moody’s compara cenários e aponta os riscos para investidores

Agência de classificação de risco diz que o resultado da eleição terá implicações para a confiança dos investidores, as contas públicas e o crédito de vários setores

Flávio Bolsonaro ou Lula no segundo turno? Moody’s compara cenários e aponta os riscos para investidores

Ainda não dá para saber de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai conseguir o feito inédito de um quarto mandato ou se o senador Flávio Bolsonaro (PL) é quem vai subir a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2027. Mas uma coisa a Moody's tem certeza: o próximo presidente do Brasil assumirá o cargo com o peso que não vem só da faixa.

Segundo a agência de classificação de risco, quem vencer o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, precisará lidar com uma política fiscal sob pressão crescente, em um ambiente de empréstimos caros e de endividamento elevado tanto do governo quanto das famílias.

Para a Moody's, a disputa tende a ser apertada, o que traz implicações relevantes para a confiança dos investidores, para o desempenho fiscal e macroeconômico e para o perfil de crédito de diversos setores. 

Fiscal fraco e dívida sem estabilização 

Na avaliação da agência, quem vencer a eleição herdará uma posição fiscal mais fraca do que a atual.  

O relatório destaca que não há uma trajetória clara de estabilização da dívida pública no horizonte previsível. Isso significa que, sem mudanças, a dívida do país não tem previsão de parar de crescer em relação ao tamanho da economia. 

A agência lembra ainda que o Brasil tem um dos maiores níveis de endividamento soberano entre as principais economias da América Latina.  

Em outras palavras, o país parte de uma situação mais delicada do que a de vários vizinhos de peso na região. 

Para a Moody's, um plano de consolidação fiscal de médio prazo ajudaria a restaurar a credibilidade do governo.  

O que muda em cada cenário 

O relatório compara o que a agência espera de cada um dos dois candidatos no segundo turno. 

Em uma reeleição de Lula, a Moody's avalia que o governo tenderia a manter o arcabouço fiscal, a regra atual que organiza as contas públicas.  

A busca por resultados melhores em um quarto mandato do petista se daria por meio de crescimento econômico, medidas de receita e maior eficiência do gasto. 

Já sob Flávio Bolsonaro, a agência vê maior probabilidade de cortes significativos de despesas e de intensificação dos esforços para reduzir a dívida.  

A Moody's faz, porém, duas ressalvas importantes: os detalhes de implementação são indefinidos, e formar consenso no Congresso pode ser um complicador político.  

Orçamento engessado 

Independentemente de quem ganhe, o próximo presidente terá pouco espaço para mexer nas contas, de acordo com a agência.  

Segundo o relatório, mais de 90% do orçamento federal é predeterminado por exigências legais, o que limita a margem para mudanças.  

Por isso, reformas relevantes, diz a agência, dependeriam de aprovação do Legislativo. 

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Os riscos para o setor privado 

A Moody's também olha para o setor privado, e aponta que a fragilidade financeira de empresas brasileiras amplia os riscos de crédito em um cenário de financiamento mais caro. 

Há, no entanto, um grupo em posição mais confortável. Os mercados devem seguir acessíveis, em geral, para companhias com grau de investimento — as consideradas mais seguras pelas agências de risco —, exportadoras e empresas de infraestrutura regulada. 

No outro extremo, as mais afetadas tendem a ser as empresas com grande parcela de dívida a taxas flutuantes, aquelas que acompanham os juros do mercado e ficam mais caras quando eles sobem, e com fluxo de caixa livre negativo, ou seja, que gastam mais do que geram de caixa. 

Para o setor bancário, o cenário também é de atenção. Segundo a Moody's, juros altos, custo do crédito maior e atividade mais fraca devem pressionar a qualidade dos ativos e a rentabilidade dos bancos. 

O papel do Estado 

Outro ponto de atenção do relatório são as políticas do próximo governo sobre governança, instituições e o papel do Estado na economia.  

Segundo a agência, essas escolhas devem orientar as perspectivas de crédito, crescimento e investimentos no país. 

A Moody's avisa que a intervenção estatal pode representar risco para setores regulados e para estatais. 

Bancos públicos e a possível mudança de governo 

A agência também comenta o papel das instituições financeiras públicas.  

Com a expansão de programas públicos de crédito, a avaliação é que os bancos públicos devem sustentar o crescimento das concessões, mesmo com piora das condições operacionais. 

Uma eventual mudança de governo, por outro lado, poderia reduzir a disposição dessas instituições para emprestar. 

AutorCarolina Gama
FonteSeu Dinheiro
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