Flávio Bolsonaro pode levar o Ibovespa aos 250 mil pontos? Morgan Stanley indica quais ações investir em cada cenário de 2º turno
Após o desfecho do primeiro turno, banco vê espaço para uma forte reprecificação da bolsa, e separa as ações que podem se beneficiar de cada cenário eleitoral

Depois de fechar a pouco mais de 192 mil pontos no último pregão, o Ibovespa disparou nesta segunda-feira (5), reagindo ao resultado do primeiro turno das eleições. Para o Morgan Stanley, porém, essa pode ser apenas a largada.
O banco norte-americano projeta o principal índice da bolsa brasileira escalando aos 250 mil pontos no curto prazo, o que representaria uma alta de cerca de 30% em relação ao fechamento de sexta-feira (2) e de aproximadamente 19% sobre o nível atual.
A distância até os 250 mil pontos é considerável, sobretudo porque o Brasil chega a 2027 carregando uma lista nada desprezível de problemas fiscais.
Mas, para os analistas, a bolsa não precisa esperar as contas públicas melhorarem para começar a reagir. A tese do banco é justamente que os mercados podem se antecipar à evolução da economia.
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“Esperamos que o mercado se aproxime da nossa projeção de 250 mil pontos para o índice Ibovespa no curto prazo, oferecendo potencial de valorização de aproximadamente 30% até o fim do ano, desde que as probabilidades de uma mudança de direcionamento de política econômica permaneçam intactas”, diz o banco norte-americano.
Na visão dos analistas, um resultado eleitoral que abra espaço para uma mudança na condução da política econômica, combinado a um plano fiscal factível, poderia reduzir rapidamente o prêmio de risco do Brasil.
Com isso, o real ganharia força, os juros poderiam cair e as ações seriam reprecificadas antes mesmo de indicadores como dívida e resultado primário mostrarem uma melhora efetiva.
“Em resumo: a execução fiscal será gradual, mas a reprecificação dos ativos brasileiros não necessariamente será”, afirma o Morgan Stanley, em relatório.
Ibovespa em 250 mil pontos?
A diferença entre os cenários traçados pelo Morgan Stanley ajuda a entender o tamanho da aposta.
No cenário otimista, o banco prevê crescimento de 1,5% em 2027, Selic em 9,75% e estabilização da dívida pública. Aqui, o dólar chegaria a R$ 4,50, provavelmente no primeiro trimestre de 2027, com ajuda da entrada de capital estrangeiro na bolsa.
Na renda fixa, a aposta é de uma queda inicial de 100 a 150 pontos-base nas taxas dos contratos mais longos da curva de juros futuros (DI). A leitura é que o prêmio de risco fiscal poderia recuar mais rapidamente do que o prêmio de inflação.
Já no cenário pessimista, a economia cresceria apenas 0,2%, enquanto os juros permaneceriam em 15,5% e a dívida ultrapassaria 100% do PIB até 2033.
O pano de fundo, contudo, é apertado. Mais de 91% dos gastos públicos são obrigatórios, há pouco espaço para novos ajustes pelo lado das receitas e, na avaliação do banco norte-americano, a regra fiscal vem perdendo força diante das exceções.
Por isso, o risco não está apenas em um crescimento mais fraco. Uma combinação de inflação persistente, juros altos e incerteza fiscal poderia alimentar uma sequência de real mais fraco, prêmio de risco maior, menor espaço para cortes de juros e deterioração da dívida.
“Os desafios são reais e representam riscos importantes. No entanto, como em toda boa história de recuperação, os retornos potenciais podem ser significativos, e a economia brasileira possui capacidade para passar por um rebalanceamento que pode durar vários anos”, avalia o Morgan Stanley.
O caminho oposto seria um “choque de gradualismo”, segundo o Morgan Stanley: mesmo que o ajuste fiscal leve tempo, um plano considerado crível poderia melhorar as expectativas rapidamente e antecipar a queda do prêmio de risco.
A bolsa em cada cenário
Como o segundo turno ainda está em aberto, o Morgan Stanley dividiu suas preferências na bolsa brasileira em dois grupos, de acordo com os possíveis caminhos para a política econômica.
Se houver mudança de política econômica, com maior ênfase em investimento e uma eventual queda dos juros, o banco prefere empresas mais sensíveis à redução do custo de capital e à melhora da atividade doméstica.
Nesse grupo estão Nubank (ROXO34), XP (XPBR31), BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3), além de nomes de consumo como Mercado Livre (MELI), Cyrela (CYRE3) e Vivara (VIVA3).
Também aparecem Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3), além de empresas ligadas ao ciclo de investimentos, como Axia Energia (AXIA3), Rumo (RAIL3) e Motiva (MOTV3).
A lógica é que uma queda do prêmio de risco e dos juros poderia favorecer justamente as companhias mais expostas à economia brasileira e ao custo de financiamento.
Já se houver continuidade da política econômica atual, o Morgan Stanley privilegia empresas com receitas em moeda forte, capazes de oferecer uma espécie de proteção caso o real permaneça mais fraco.
A lista inclui Vale (VALE3), Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), JBS (JBSS32) e Suzano (SUZB3).
Também aparecem Itaú (ITUB4) e Porto Seguro (PSSA3), que podem se beneficiar de juros mais elevados, além de TIM (TIMS3) e Telefônica Brasil (VIVT3), consideradas opções mais defensivas no setor de telecomunicações.
