Fleury lucra R$ 222 milhões no 2º tri — e continua atento a oportunidades de M&A
Jeane Tsutsui, CEO da companhia, e José Filippo, CFO, contam à EXAME a perspectiva sobre M&As

O Fleury (FLRY3) encerrou o segundo trimestre de 2025 com um resultado robusto, com aumento de receita, lucro e Ebitda, mesmo em meio aos juros altos, atualmente na casa dos 14%, que podem dificultar uma grande estratégia da empresa — as aquisições. “Vivemos um momento geopolítico e macroeconômico desafiador no Brasil e no mundo, mas saúde é um setor resiliente. As pessoas precisam cuidar da saúde”, disse Jeane Tsutsui, CEO do grupo, em entrevista à EXAME.
Entre abril e junho, houve um aumento de 14,4% na receita bruta, que subiu de R$ 2,19 bilhões para R$ 2,51 bilhões em comparação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou acima das expectativas do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), que projetava uma receita bruta de R$ 2,24 bilhões.
O lucro líquido da companhia alcançou a marca de R$ 221,8 milhões, crescimento de 45,7% sobre o 2º trimestre de 2025, ante expectativa de R$ 195,2 milhões do BTG Pactual. Já o EBITDA foi de R$ 612,9 milhões, 15,2% acima do mesmo período do ano passado, com margem de 26,5%, praticamente estável perante os 26,3% registrados no 2T25.
Segundo Tsutsui, a mudança no mix de negócios do Fleury foi a responsável por pressionar a margem consolidada, já que a companhia vem ampliando a participação de operações com margens menores, embora menos intensivas em capital. “Você tem alguns negócios que têm margem maior e outros que têm margem menor, mas o ROIC é bom”, explicou a CEO.
Um exemplo é o Lab-to-Lab, que tem uma margem inferior à de negócios como a marca premium Fleury, mas exige menos investimentos em unidades e, por isso, pode apresentar retorno sobre o capital investido semelhante ao do B2C.
“O ROIC está se expandindo, porque conseguimos crescer alguns negócios que têm margem menor, mas que exigem menos capital. Portanto, ao longo do tempo, temos trabalhado com muita eficiência para manter uma rentabilidade bastante saudável. Temos uma margem muito boa para o setor de saúde e, mesmo com a mudança de mix, trabalhamos para aumentar nossa eficiência.”
M&A à vista?
Desde 2017, o Fleury realizou 22 aquisições, no montante de R$ 2,2 bilhões. Tal movimento faz a companhia ter presença em 14 estados, com market share de 13% no setor de medicina diagnóstica. Entre seus últimos movimentos, está a compra da Confiance, na região de Campinas, por R$ 130 milhões, e do Laboratório São Lucas, em Rio Claro, por R$ 34 milhões.
“Continuamos olhando oportunidades da M&A. Uma vez atendidas as condições de estratégia, aspectos financeiros e fit cultural, vamos continuar crescendo. Se você acompanha nosso crescimento histórico, ele é uma combinação de crescimento orgânico e inorgânico. Dado que o mercado brasileiro é muito fragmentado, temos oportunidades e, desde que atendam aos nossos requisitos, vamos continuar olhando e crescendo também dessa forma”, afirmou José Filippo, CFO do Fleury.
Atualmente, o grupo possui mais de 585 unidades de atendimento e um portfólio que reúne mais de 50 marcas. Agora, inaugurou o Marco 100, uma unidade em homenagem aos recém completados 100 anos da empresa, no valor de R$ 35 milhões. Por meio da operação Lab-to-Lab, a companhia também amplia seu alcance para 2.200 municípios brasileiros, onde atende 9.400 laboratórios parceiros.
Em relação à perspectiva de abertura de novas unidades, Tsutsui comentou que a forma como a companhia atua é orgânica, em locais que fazem sentido. “Nós também temos o atendimento móvel, que eu não preciso abrir unidade, eu vou na casa do paciente, e isso corresponde a 71 unidades de atendimento que eu não precisei abrir.”
A marca Fleury teve crescimento de receita bruta de 12%, enquanto as demais marcas de São Paulo cresceram 27,7% (sendo 12,9% orgânico). Em Minas Gerais, ainda no segmento B2C, houve um crescimento de 19,2% (14,3% orgânico), enquanto no Rio de Janeiro o aumento foi de 8,9%. Nas regionais, o crescimento foi de 10,2%. Já o B2B registrou um avanço de 12,2% na receita bruta e a Novos Elos teve aumento de 15,9% na receita.
“Nós vamos além da medicina diagnóstica. Hoje nós já temos serviços de ortopedia, oftalmologia, infusão de medicamentos, imunologia, de fertilidade. Todos são serviços completam a jornada de cuidado do paciente e isso corresponde a mais ou menos 9% da receita total do grupo nesse trimestre”, explicou Tsutsui.
