Fleury sobe após balanço e BTG eleva preço-alvo, mas analistas veem cautela
Companhia supera expectativas no segundo trimestre e anuncia R$ 217,8 milhões em JCP

As ações do Grupo Fleury (FLRY3) lideram as altas do Ibovespa no pregão desta sexta-feira, 7, seguinte à divulgação dos resultados trimestrais, com valorização de 12% durante a manhã, antes de ficarem na faixa de 9,50%, a R$ 18,90, por volta das 12h08 (horário de Brasília).
A cotação veio após o novo preço-alvo de R$ 18 estabelecido pelo BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) para o fim de 2027; antes, em R$ 17. A companhia apresentou, ainda, números acima das projeções da Faria Lima, com crescimento do lucro líquido e geração de caixa.
"Consideramos os resultados recentes do Fleury notavelmente consistentes, demonstrando crescimento orgânico forte e sistemático, margens saudáveis, apesar do crescimento mais acentuado das marcas regionais, e sinais contínuos e promissores de integração após a aquisição do Pardini", explicou o banco.
Apesar da reação positiva dos investidores, os relatórios publicados após o balanço recomendam cautela. Para os analistas, o rali recente das ações já incorpora parte da melhoria operacional apresentada pela Fleury.
BTG vê valuation elevado e mantém recomendação neutra
Em relatório assinado por Samuel Alves e Maria Resende, o BTG Pactual reiterou a recomendação "neutra" para os papéis ordinários da Fleury, mesmo após elevar o preço-alvo depois do balanço.
O banco destaca que o valuation atual do Fleury, negociado a cerca de 12 vezes o lucro projetado para 2026, está elevado em relação a outros pares do setor de saúde.
A instituição afirma que prefere capturar a exposição aos fundamentos operacionais da rede diagnóstica por meio da Bradsaúde, empresa integrante do bloco de controle do Fleury, negociada a múltiplos próximos de nove vezes o lucro projetado.
XP aponta fatores não recorrentes no lucro
A XP seguiu a mesma linha e manteve a recomendação "neutra" para as ações, mas destacou que o trimestre mostrou ganhos relevantes de escala e eficiência operacional.
No entanto, de acordo com a casa, a surpresa positiva veio do lucro líquido, de cerca de R$ 222 milhões, que foi parcialmente favorecido por fatores não operacionais. Entre eles, a redução das despesas com depreciação e amortização e o reconhecimento de benefícios fiscais pontuais no período.
"A companhia continua se beneficiando de ganhos de escala e diluição de custos fixos", destacou.
"O trimestre reforça a sólida execução e o bom momento operacional da companhia, o que deve sustentar uma reação positiva do mercado aos resultados. Ainda assim, permanecemos mais cautelosos para o segundo semestre de 2026", disse.
2º semestre pode ser desafiador
Para os próximos meses, a avaliação do mercado é de que a manutenção do ritmo acelerado de valorização das ações pode encontrar obstáculos.
Os analistas alertam para uma base de comparação mais difícil no segundo semestre, além de possíveis desafios operacionais relacionados ao processo de consolidação e integração da rede Femme ao portfólio do grupo.
JCP reforça tese de proventos
Apesar do tom mais cauteloso sobre o potencial de alta das ações, o anúncio de distribuição de R$ 217,8 milhões em juros sobre capital próprio (JCP) reforçou a atratividade do papel para investidores focados em renda.
O valor representa um "payout" próximo de 100% do lucro líquido registrado no trimestre, ou seja, praticamente todo o resultado foi distribuído aos acionistas. O montante equivale a um dividend yield de cerca de 2,3%.
A distribuição ocorre em um cenário de alavancagem financeira controlada, com a relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) em 1,1 vez.
