Fluxo cambial, moradia nos EUA e balanço da Micron: o que move os mercados

Os investidores iniciam esta quarta-feira, 24, tentando entender se o bom humor que levou o Ibovespa de volta aos 171 mil pontos terá fôlego para continuar. Na véspera, o principal índice da bolsa brasileira avançou 0,65%, contrariando o desempenho negativo de Wall Street, enquanto o mercado digeria uma ata do Comitê de Política Monetária (Copom) considerada dura, mas que acabou sendo interpretada como um sinal de maior previsibilidade para a trajetória dos juros.
A sessão de hoje traz uma agenda econômica sem grandes eventos capazes de alterar sozinhos o rumo dos mercados, mas reúne indicadores importantes para medir o ritmo da atividade tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Além disso, os investidores acompanham o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o vínculo de trabalho entre motoristas de aplicativos e plataformas digitais e aguardam um dos balanços corporativos mais importantes da temporada, o da fabricante de chips Micron.
O que acompanhar no Brasil
No Brasil, o primeiro destaque do dia será a divulgação da confiança do consumidor de junho pela Fundação Getulio Vargas (FGV), às 8h. O indicador recuou de 89,1 pontos em abril para 88,8 pontos em maio, refletindo uma percepção mais cautelosa das famílias sobre a economia.
Embora não costume provocar grandes oscilações nos mercados, o índice é acompanhado como um termômetro do consumo doméstico, um motor da atividade econômica brasileira.
À tarde, às 14h30, o Banco Central divulga os dados semanais de fluxo cambial. O último levantamento mostrou entrada líquida de US$ 1,54 bilhão no país. O dado ganha relevância em um momento em que investidores tentam entender se o fluxo estrangeiro continua sustentando a bolsa brasileira mesmo diante do cenário de juros elevados e incertezas globais.
Agenda no exterior
A agenda dos Estados Unidos concentra a maior parte das atenções do dia. Logo às 9h30 serão divulgados os dados de transações correntes do primeiro trimestre, que devem mostrar ampliação do déficit externo dos Estados Unidos para US$ 206 bilhões, ante US$ 190,7 bilhões na leitura anterior.
No mesmo horário saem também as licenças para construção de novas moradias em maio. O mercado projeta leve desaceleração após o avanço observado no mês anterior.
Mais tarde, às 11h, o Census Bureau publica os números de vendas de casas novas. O mercado imobiliário segue sendo uma das principais peças observadas pelos investidores para avaliar os efeitos dos juros elevados sobre a economia americana. Qualquer sinal de enfraquecimento mais acentuado da demanda por imóveis pode reforçar as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve nos próximos meses.
Outro ponto de atenção será a divulgação dos estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos, às 11h30. A expectativa é de nova redução nos estoques americanos, depois da queda de mais de 8 milhões de barris registrada na semana passada. Os números podem influenciar os preços internacionais da commodity e, consequentemente, ações ligadas ao setor de energia.
Mas o grande destaque do dia para os mercados globais é o balanço da Micron, uma das empresas que mais se valorizaram nos últimos meses em meio ao boom da inteligência artificial e à escassez global de chips de memória, e que divulga nesta quarta seus resultados trimestrais.
O balanço será acompanhado de perto porque pode servir como um termômetro para todo o setor de semicondutores, queesteve entre os principais responsáveis pela volatilidade das bolsas americanas nos últimos pregões. As ações da companhia atingiram novas máximas históricas nesta semana e acumulam valorização superior a 300% desde o início do ano.
O resultado pode ajudar a responder uma das principais dúvidas dos investidores: se a forte onda de valorização das empresas ligadas à inteligência artificial ainda tem espaço para continuar ou se o setor começa a dar sinais de esgotamento.
Agenda política no radar
No campo político, investidores acompanham o julgamento no STF de ações que discutem a existência de vínculo empregatício entre motoristas, entregadores e plataformas digitais.
A decisão pode ter impactos relevantes sobre o modelo de negócios de empresas como Uber e Rappi e é observada pelo mercado como um dos temas regulatórios mais importantes do ano para a chamada economia de plataformas.
O noticiário doméstico também inclui a divulgação de pesquisas eleitorais dos institutos Gerp e Agili, que entram no radar dos investidores pela leitura sobre a disputa pela Presidência da República.
