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Sacre Investimentos
Mundo
29/07/2026
3 min

FMI anuncia empréstimo de US$ 1,9 bi para a Bolívia e acordo sobre reformas econômicas

Programa de três anos ainda depende de aprovação e pode destravar mais de US$ 5 bilhões em recursos de organismos multilaterais.

FMI anuncia empréstimo de US$ 1,9 bi para a Bolívia e acordo sobre reformas econômicas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta quarta-feira (29) um acordo preliminar para conceder à Bolívia um empréstimo de US$ 1,9 bilhão (cerca de R$ 9,7 bilhões) por meio de um programa de Facilidade Ampliada (EFF, na sigla em inglês), com duração de 36 meses. O pacote ainda depende da aprovação do conselho executivo do Fundo e do Congresso boliviano.

Segundo o FMI,os recursos serão destinados a apoiar o programa de reformas econômicas implementado pelo governo do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o cargo em novembro de 2025 em meio a uma das piores crises econômicas enfrentadas pelo país nas últimas décadas.

O organismo destacou que a iniciativa poderá destravar um pacote de financiamento superior a US$ 5 bilhões, com aportes adicionais do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e de outros parceiros internacionais.

Reformas e crise econômica

O FMI afirmou que a Bolívia enfrenta desafios macroeconômicos relevantes, como elevado déficit fiscal,queda da produção de gás natural e petróleo, redução das reservas internacionais e inflação elevada.

Para enfrentar esse cenário, o governo Rodrigo Paz iniciou um programa de ajuste que incluiu a redução de subsídios aos combustíveis e cortes nos gastos públicos. As medidas, porém, provocaram protestos e bloqueios de estradas que paralisaram parte da economia boliviana por quase dois meses entre maio e junho.

Em comunicado, a chefe da missão do FMI para a Bolívia, Joana Pereira, afirmou que a nova administração colocou em prática um "plano decidido de reformas" para restaurar a estabilidade macroeconômica.

"O programa apoiado pelo FMI foi concebido para sustentar esses esforços, reconstruir a resiliência e ajudar a colocar a economia em uma trajetória de crescimento sustentável e com geração de empregos", afirmou.

Objetivos do programa

O programa prevê medidas para reduzir a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB), preservar os gastos com proteção social, modernizar os regimes monetário e cambial, fortalecer a supervisão do sistema financeiro e ampliar a competitividade da economia.

Osprogramas de Facilidade Ampliada do FMI são voltados a países que enfrentam problemas de médio prazo no balanço de pagamentos e oferecem prazos mais longos para reembolso em comparação com outras linhas de crédito da instituição.

Se aprovado, este será o primeiro acordo plurianual entre a Bolívia e o FMI desde 2006. Ainda assim, o valor ficou abaixo das expectativas do governo boliviano, que buscava um financiamento entre US$ 2,5 bilhões e US$ 2,8 bilhões.

Aprovação ainda enfrenta obstáculos

Apesar do acordo técnico, a implementação do programa ainda depende da aprovação do conselho executivo do FMI e do Congresso boliviano, onde empréstimos da instituição continuam sendo um tema politicamente sensível.

Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, o FMI aprovou um financiamento emergencial superior a US$ 300 milhões para a Bolívia. Na ocasião, porém, o Congresso não autorizou o uso dos recursos, e o governo acabou devolvendo integralmente o valor, classificando a operação como irregular.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o Ministério da Economia da Bolívia comemorou o acordo, afirmando que os recursos deverão contribuir para restaurar a estabilidade econômica, reconstruir a confiança dos investidores e fortalecer as perspectivas de crescimento do país.

Com AFP

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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