Focus, balanço do JP Morgan e 1ª pesquisa após ato de Lula: o que move os mercados
Ibovespa volta do feriado após maior alta semanal em 6 anos; agenda também traz escala 6x1 no Senado

O Ibovespa retoma os negócios nesta terça-feira, 13, depois do feriado de Nossa Senhora Aparecida, que manteve a B3 fechada na segunda. Na semana, o índice acumulou valorização de 8,82%, a maior alta semanal em seis anos. O dólar à vista terminou a sexta cotado a R$ 4,985, com queda de 0,79% no dia e de 4,43% na semana.
O rali foi sustentado pelo otimismo com o cenário eleitoral e pela expectativa de mudanças na condução da política econômica a partir de 2027.
Agora, os investidores chegam ao primeiro pregão após o ato do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, no último domingo, na Avenida Paulista. Hoje sai primeira pesquisa eleitoral feita depois da manifestação.
Nos Estados Unidos, começa a temporada de balanços corporativos do 3º trimestre de 2026 e que começa, como de costume, com os resultados dos grandes bancos americanos.
Enquanto a B3 estava fechada...
Em Nova York, onde as bolsas funcionaram normalmente na segunda-feira, 12, o S&P 500 fechou com leve queda de 0,06%, aos 7.807,24 pontos. O Dow Jones subiu 0,38%, aos 51.850,55 pontos, no terceiro pregão seguido de alta, impulsionado pela valorização de 2% da Salesforce após dupla elevação de recomendação pelo Bank of America.
O Nasdaq recuou 0,44%, aos 27.245,90 pontos, pressionado pela queda de 3,9% da Micron diante da concorrência da chinesa CXMT, que relatou avanços em uma nova estrutura de chips de memória.
O petróleo subiu depois que o presidente americano, Donald Trump, anunciou no fim de semana um "cessar-fogo energético" entre Rússia e Ucrânia, que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse já ter sido violado por Moscou. O petróleo Brent chegou aos US$ 106.
FMI revisa projeções da economia global
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou de 3% para 3,1% a projeção de crescimento da economia global em 2026, no World Economic Outlook divulgado em Bangkok, na Tailândia, onde ocorrem as Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial.
A revisão reflete o boom de investimentos em inteligência artificial, que tem compensado parte do impacto da disparada dos custos de energia. Ainda assim, o ritmo fica abaixo dos 3,5% registrados em 2025.
Para 2027, o fundo manteve a estimativa de 3,4%. Os Estados Unidos devem crescer 2,3% em 2026 e em 2027, a zona do euro deve avançar apenas 1,1% neste ano e a China, 4,5%.
A projeção de inflação global foi mantida em 4,7% para este ano e elevada de 3,9% para 4,1% em 2027. O FMI agora estima que o Estreito de Ormuz seja reaberto em março do ano que vem, com retorno às condições anteriores à guerra apenas em outubro.
"A economia global tem sido resiliente, mas essa resiliência está chegando ao limite", afirmou Silvana Tenreyro, diretora do departamento de pesquisa do fundo, que defendeu uma política monetária "suficientemente restritiva" para levar a inflação à meta.
O relatório também alerta para os riscos ligados à IA. Em um cenário em que os ganhos de produtividade prometidos pela tecnologia não se concretizem, as ações americanas poderiam cair 20% e o crescimento global ficaria 1,1% abaixo da projeção-base até 2028.
A expansão está cada vez mais concentrada, com 32 economias respondendo por 95% do crescimento mundial, ante 54 em abril.
Focus após IPCA mais alta
Às 8h25, o Banco Central divulga o Relatório Focus, que excepcionalmente sai na terça por causa do feriado.
O boletim reúne as projeções do mercado para inflação, Selic, PIB e câmbio e é o primeiro divulgado depois do IPCA de setembro, que subiu 0,82%, acima da expectativa de 0,73%, e levou a inflação acumulada em 12 meses a 4,58%.
Nos Estados Unidos, estão previstos indicadores menores, como o índice de otimismo das pequenas empresas (NFIB) e as vendas de imóveis usados de setembro.
Bancos abrem temporada de balanços nos EUA
Antes da abertura em Wall Street, JPMorgan, Goldman Sachs, Wells Fargo e Citigroup dão a largada na temporada de resultados do terceiro trimestre, ao lado de Johnson & Johnson, UnitedHealth e Domino's.
Para o JPMorgan, o mercado projeta lucro por ação de US$ 5,82 e receita de US$ 50,6 bilhões. Para o Goldman Sachs, as estimativas são de lucro por ação de US$ 16,42 e receita de US$ 17,6 bilhões. Após o fechamento, é a vez da América Móvil, dona da Claro.
Segundo a FactSet, o S&P 500 deve registrar crescimento de 29,6% nos lucros do trimestre, o quarto seguido acima de 25%, impulsionado pelos investimentos em data centers de inteligência artificial.
Primeira pesquisa após ato na Paulista
O instituto Nexus divulga nesta terça-feira a primeira pesquisa presidencial de segundo turno realizada depois do ato de Lula na Avenida Paulista. O levantamento, encomendado pelo BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), ouviu por telefone 2.000 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 12 de outubro, período que inclui o domingo da manifestação.
Batizado de Marcha pela Democracia e organizado por movimentos sociais, entidades estudantis e comunidades de fãs, o ato ocupou a maior parte da avenida e teve público estimado pelo PT em 1 milhão de pessoas. No discurso, Lula mirou, sobretudo, os eleitores que não foram às urnas. A abstenção no primeiro turno foi de 21,08%, o equivalente a cerca de 33,4 milhões de pessoas.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Na semana passada, o Datafolha mostrou Flávio com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula, e a AtlasIntel/Bloomberg apontou 52,8% a 47,2%. A pesquisa Vox destoou e indicou Lula com 44,2% das intenções de voto, ante 42,7% de Flávio.
Para agentes do mercado, as pesquisas vêm perdendo influência sobre os preços dos ativos depois dos erros de parte dos institutos no primeiro turno, e o mercado tem olhado mais para a composição política que pode se formar em torno de Flávio.
No Congresso, o Senado realiza nesta terça a quarta sessão de discussão da PEC que acaba com a escala 6x1. A votação em primeiro turno está marcada para quarta-feira, 14.
