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InvestMercados
14/09/2026
6 min

Focus, dados da China e novas pesquisas eleitorais: o que move os mercados

Projeções de inflação e juros no Brasil, dados de atividade chineses e a expectativa pelas decisões do BC e do Fed concentram as atenções no início da semana

Focus, dados da China e novas pesquisas eleitorais: o que move os mercados

A semana começa com uma agenda econômica concentrada no Brasil e na China, mas o mercado já olha para o principal evento dos próximos dias: a super quarta, quando o Banco Central brasileiro e o Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos) decidem os juros.

Esta segunda-feira, 14, portanto, funciona como uma preparação para as decisões de quarta-feira, 16, com investidores atentos às expectativas para inflação, atividade e câmbio e aos sinais que possam alterar as apostas para a política monetária.

A semana marca também um momento crítico na crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo as investigações da Operação Dark Horse e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master). Nesta segunda acaba o prazo estipulado pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre os procedimentos investigativos e os relatórios de inteligência que envolvem citação a ministros da Corte.

O que acompanhar no Brasil

No Brasil, o primeiro destaque da agenda é o Boletim Focus, que será divulgado às 8h25. A pesquisa do Banco Central ganha importância adicional nesta semana de decisão de juros, embora o mercado já tenha uma referência para as principais projeções.

Na última edição,os analistas reduziram de 5,01% para 5,00% a expectativa para o IPCA de 2026, na segunda queda consecutiva. Para 2027, porém, a projeção subiu de 4,28% para 4,29%, na quarta alta semanal seguida.

A expectativa para a inflação de 2028 permaneceu em 3,80%, enquanto a de 2029 continuou em 3,50%. Para a Selic, o mercado manteve a projeção em 13,75% para 2026, 12% para 2027, 10,50% para 2028 e 10% para 2029. No câmbio, a estimativa para o dólar permaneceu em R$ 5,20 em 2026 e R$ 5,30 em 2027 e 2028. Para 2029, caiu de R$ 5,36 para R$ 5,35.

No crescimento, a projeção para o PIB de 2026 subiu de 1,92% para 1,93%, interrompendo duas semanas de revisões para baixo. Para 2027, a estimativa ficou em 1,50%. Para 2028, caiu de 1,98% para 1,96%, enquanto a projeção de 2029 permaneceu em 2%.

Semana de decisões de juros

Mais do que o número isolado do Focus, as atenções estarão voltadas ao conjunto de indicadores que antecedem a super quarta, marcada pelas decisões de juros do Banco Central e do Fed.

O mercado chega ao início da semana depois de o IPCA de agosto mostrar deflação de 0,32%, ante alta de 0,07% em julho. Em 12 meses, a inflação desacelerou de 4,44% para 4,22%.

Nos Estados Unidos, o dado de inflação divulgado na quinta-feira mostrou avanço de 0,4% do CPI em agosto, depois de alta de 0,1% em julho. O núcleo, que exclui alimentos e energia, acelerou de 0,2% para 0,3%. O resultado aumentou as apostas em uma alta de juros pelo Fed, embora as bolsas americanas tenham encerrado a sexta-feira em alta, ajudadas pelo recuo do petróleo.

É esse ambiente de inflação e juros que deve continuar orientando os mercados ao longo da semana.

China no radar

Durante a noite de segunda-feira, a China concentra uma bateria de indicadores. Às 23h, serão divulgados os números de vendas no varejo, produção industrial, investimento em ativos fixos e taxa de desemprego de agosto, além de uma coletiva de imprensa do Departamento Nacional de Estatísticas.

A produção industrial anual de agosto tem projeção de alta de 4,8%, acima dos 4,5% registrados anteriormente. As vendas no varejo devem crescer 0,8%, contra 0,6% na leitura anterior, enquanto a taxa de desemprego está estimada em 5,2%.

Também estarão no radar os investimentos em ativos fixos, cuja variação anualizada está projetada em -7,1%, contra -6,7% anteriormente. Os números ajudam a medir o ritmo da segunda maior economia do mundo e podem repercutirprincipalmente sobre empresas ligadas a commodities.

Antes disso, às 1h30, o Japão divulga a produção industrial de julho, com expectativa de alta mensal de 0,1%, após avanço de 1,9%.

Petróleo e geopolítica

O petróleo também começa a semana no radar depois de interromper uma sequência de altas na sexta-feira. O Brent para novembro caiu 2,81%, a US$ 104,61 por barril, enquanto o WTI para outubro recuou 2,37%, a US$ 100,05.

A queda veio depois de uma sinalização do Irã de que pretende discutir, na segunda-feira, rotas seguras paraa navegação comercial no Estreito de Ormuz com o Iraque e outros países do Golfo, em Omã. A notícia trouxe algum alívio aos mercados após uma semana marcada pela escalada dos ataques entre Estados Unidos e Irã.

Apesar do recuo na sexta-feira, o petróleo terminou a semana com forte valorização: o Brent subiu 8,65% e o WTI, 9,37%. Por isso, qualquer nova informação sobre o Estreito de Ormuz e atensão entre Estados Unidos e Irã pode voltar a mexer com os preços e, por consequência, com as expectativas para inflação e juros.

Nova rodada de pesquisas eleitorais na agenda

No Brasil, o ambiente político continua no radar dos investidores. A semana começa apóso Ibovespa recuar 0,56% na sexta-feira, aos 187.206,89 pontos, em um pregão marcado por realização de lucros, queda do petróleo e cautela diante dos novos desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda assim, o índice acumulou alta de 1,11% na semana.

O dólar subiu 0,44% na sexta-feira, para R$ 5,125, mas encerrou a semana com queda de 0,10%. O câmbio refletiu a maior percepção de risco associada aos desdobramentos no STF e ao cenário eleitoral.

A segunda-feira também traz uma agenda política movimentada. Estão previstas a divulgação de pesquisas Nexus/BTG Pactual, Quaest e Real Time Big Data sobre a sucessão presidencial e disputas estaduais.

Também termina o prazo para substituição de candidaturas, exceto em caso de falecimento de candidato. No calendário econômico, a Confederação Nacional da Indústria divulga o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI).

Na agenda oficial, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa pela manhã, por videoconferência e a portas fechadas, de uma reunião plenária do Financial Stability Board. À tarde, tem despachos internos em Brasília.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa às 10h de um seminário realizado pela Esfera.

Crise no STF

Essa semana marca também um momento crítico na crise institucional no STF envolvendo as investigações da Operação Dark Horse e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master). Nesta segunda encerra-se o prazo estipulado por Fachin para que a PGR se manifeste sobre os procedimentos investigativos e os relatórios de inteligência que envolvem citação a ministros da Corte.

Para terça-feira, 15, está prevista a análise em plenário das apurações relativas às conversas e aos contratos associados entre o banqueiro e o gabinete do ministro Alexandre de Moraes.

Há um forte embate interno sobre a liberação do conteúdo completo extraído do celular de Daniel Vorcaro. Enquanto defesas e gabinetes pedem acesso integral às mídias, o ministro André Mendonça alertou no fim de semana que a abertura irrestrita de todos os dados do aparelho poderia "tumultuar" as investigações e a sessão do Tribunal.

Também para terça está agendado o depoimento de Daniel Vorcaro referente às apurações sobre o Banco Master e operações financeiras sob suspeita. A defesa do ex-banqueiro, no entanto, sinalizou que pode solicitar o adiamento da oitiva.

AutorClara Assunção
FonteExame
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