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Sacre Investimentos
InvestMercados
01/06/2026
3 min

Focus e a chance de mais uma revisão do IPCA: o que move os mercados nesta segunda

Focus e a chance de mais uma revisão do IPCA: o que move os mercados nesta segunda

O mercado de ações brasileiro começa junho com o desafio de deixar o peso de maio para atrás. O Ibovespa encerrou o mês passado com queda de 7,06%, o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023, após acumular sete semanas consecutivas de perdas. Uma sequência negativa como essa não era registrada desde 2004. No fechamento de sexta-feira, 29, o índice estava em 173.787 pontos, longe dos quase 200 mil atingidos em meados de abril.

O principal vetor da deterioração foi a fuga de capital estrangeiro. Investidores internacionais retiraram R$ 14,1 bilhões da bolsa ao longo de maio, revertendo o fluxo positivo que havia empurrado o Ibovespa para recordes históricos no início do ano. O movimento reflete uma rotação global de portfólio: com o setor de tecnologia americano voltando a atrair capital, os emergentes perderam apelo relativo. No Brasil, o ambiente de juros altos por mais tempo, inflação resistente e incerteza fiscal reforça essa percepção de risco.

A isso se somou, nos últimos dias de maio, um novo elemento de instabilidade: a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O anúncio foi feito em 28 de maio pelo secretário de Estado Marco Rubio. Para o mercado financeiro, o risco mais imediato é o aumento do escrutínio sobre transações e empresas com operações em regiões sob influência das facções, elevando custos de compliance e o prêmio de risco percebido pelo investidor estrangeiro.

No plano geopolítico, os mercados globais seguem monitorando as negociações entre Estados Unidos e Irã. Autoridades americanas indicaram na semana passada um acordo provisório de cessar-fogo por 60 dias e desbloqueio do Estreito de Ormuz, mas o texto ainda não estava finalizado pelo lado iraniano.

Enquanto a rota marítima responsável por 20% do petróleo global não for normalizada, o mercado segue precificando um prêmio de risco sobre a commodity — e, por consequência, sobre a inflação e os juros em todo o mundo.

O que entra na agenda desta segunda-feira

No Brasil, o destaque do dia é o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central logo pela manhã. O relatório chega em momento delicado: a projeção para o IPCA de 2026 subiu pela 11ª semana consecutiva no último relatório, alcançando 5,04%, uma das sequências de revisões altistas mais longas já registradas. O mercado quer saber se o movimento de desancoragem das expectativas de inflação continuou ou se arrefeceu na semana.

A projeção para a Selic ao fim de 2026 está em 13,25% ao ano, sinal de que os analistas veem espaço cada vez menor para cortes de juros no horizonte relevante.

No exterior, a segunda-feira traz os PMIs compostos de maio da China, que darão a primeira leitura sobre o ritmo de atividade da segunda maior economia do mundo no mês passado. Os dados chegam num momento em que o mercado avalia os efeitos residuais das tensões comerciais globais sobre a demanda por commodities.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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