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Sacre Investimentos
InvestMercados
08/06/2026
4 min

Focus, inflação nos EUA e entrevista de Durigan: o que move os mercados

Focus, inflação nos EUA e entrevista de Durigan: o que move os mercados

Os investidores começam a semana atentos a uma agenda que combina expectativas para inflação e juros no Brasil e nos Estados Unidos, em um momento de maior cautela nos mercados globais, mas especialmente no doméstico.

Esta segunda-feira, 8, começa com a divulgação das encomendas à indústria da Alemanha referentes a abril. Em março, o indicador havia registrado alta de 5% na comparação mensal, servindo como um dos termômetros da atividade da maior economia da Europa.

No Brasil, o principal destaque da manhã será a Pesquisa Focus do Banco Central, divulgada às 8h25. O relatório ganhou peso entre investidores nas últimas semanas diante da revisão das expectativas para juros e inflação em 2026.

No levantamento mais recente, o mercado manteve a projeção para a Selic em 13,25% ao final do próximo ano, mas voltou a elevar a expectativa para a inflação. A estimativa para o IPCA de 2026 passou de 5,04% para 5,09%, enquanto a projeção de crescimento do PIB subiu levemente, de 1,89% para 1,90%.

O indicador será acompanhado de perto porque instituições financeiras vêm reduzindo o espaço projetado para cortes de juros no próximo ano. Na sexta-feira, o Bank of America (BofA) revisou suas projeções epassou a prever apenas um corte da Selic em 2026, com a taxa encerrando o período em 14,25%.

No exterior, os investidores voltam suas atenções para os Estados Unidos. Ao meio-dia, o Federal Reserve de Nova York divulga a pesquisa de expectativas de inflação dos consumidores referente a maio. Em abril, a projeção para a inflação nos próximos 12 meses era de 3,6%.

O dado ganha importância depois da divulgação do payroll americano na sexta-feira, que mostrou um mercado de trabalho mais forte do que o esperado e reforçou as preocupações com a persistência da inflação, cenário que pode levar o Federal Reserve a manter os juros elevados por mais tempo.

A agenda brasileira ainda traz a divulgação da balança comercial semanal pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, às 15h. O dado será observado em meio ao acompanhamento do desempenho das exportações brasileiras após o país registrar superávit comercial de US$ 7,8 bilhões em maio.

Já à noite, os investidores acompanham os números de vendas do varejo do Reino Unido referentes a maio. Em abril, o indicador havia mostrado retração de 3,4% na comparação anual.

No campo político e econômico, o mercado também acompanha a entrevista que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concederá ao UOL às 11h. Em um ambiente de crescente preocupação com as contas públicas e com a trajetória fiscal do país, declarações de integrantes da equipe econômica seguem sendo monitoradas de perto pelos agentes financeiros.

Ibovespa tem pior sequência de perdas em 54 anos

A agenda chega em um momento delicado para os mercados. Na sexta, 5, primeiro pregão após o feriado de Corpus Christi, o Ibovespa caiu 0,77%, aos 169.019 pontos. Na semana, a perda acumulada foi de 2,7%, a oitava semana consecutiva de baixa — marca observada apenas uma vez desde sua criação, em 1968. Em 1972, o movimento negativo se estendeu por dez semanas.

O movimento refletiu a combinação de fatores externos e domésticos. Nos Estados Unidos, o payroll acima das expectativas fortaleceu a percepção de que os juros americanos permanecerão elevados por mais tempo. Já no Brasil, a piora das expectativas para inflação, a revisão das projeções para a Selic e as preocupações com o cenário fiscal continuam pressionando os ativos locais.

Depois de ter se aproximado dos 200 mil pontos em abril, impulsionado pelo forte fluxo de capital estrangeiro, o Ibovespa acumula queda superior a 15% desde a máxima histórica. No ano, a valorização acumulada caiu para 4,90%.

AutorClara Assunção
FonteExame
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