Focus, PMI da China e tensão entre EUA e Irã: o que move os mercados

Os mercados iniciam esta segunda-feira, 29, atentos a uma agenda carregada de indicadores no Brasil e no exterior, enquanto investidores seguem monitorando a escalada das tensões no Oriente Médio, que voltou a colocar o petróleo e a geopolítica no centro das atenções. Depois de uma semana positiva para os ativos brasileiros, a expectativa é entender se o bom humor visto no último pregão terá força para continuar diante de um cenário internacional mais incerto.
Na sexta-feira, o Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,79%, aos 173.295 pontos, acumulando valorização de 2,95% na semana, impulsionado principalmente pelas ações dos grandes bancos. Já o dólar à vista caiu 0,20%, para R$ 5,1676, praticamente estável no acumulado semanal.
As ações da Petrobras, por outro lado, ficaram pressionadas pela forte queda do petróleo na sessão anterior — movimento que pode ser revertido nesta segunda diante da deterioração do cenário geopolítico no Golfo Pérsico.
O que acompanhar no Brasil
No Brasil, os investidores acompanham uma série de indicadores capazes de calibrar as expectativas para a economia e para a trajetória dos juros.
Logo cedo, às 8h, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga o IGP-M de junho, além das sondagens dos setores de serviços e comércio. Meia hora depois, o Banco Central publica a Nota de Política Monetária e Operações de Crédito de maio e a nova edição do Relatório Focus, que reúne as projeções do mercado para inflação, PIB, câmbio e taxa Selic.
Ao longo do dia, o Tesouro Nacional também divulga o resultado primário do Governo Central referente a maio, dado importante para acompanhar a situação das contas públicas.
No campo político, outro evento pode atrair a atenção dos investidores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lança, às 9h30, um programa de incentivo para consumidores que mantêm suas dívidas em dia, iniciativa que vem sendo chamada de "Desenrola Adimplentes". A cerimônia contará com a participação do ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Enquanto isso, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa da reunião anual do Banco de Compensações Internacionais (BIS), na Suíça.
Exterior traz inflação, bancos centrais e atividade
No cenário internacional, o dia também reserva indicadores relevantes. Na Europa, serão divulgados os dados de confiança do consumidor da zona do euro e a inflação da Espanha. À tarde, investidores acompanham um discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária europeia.
No Reino Unido, outro destaque é a fala de Huw Pill, integrante do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra.
Já durante a noite, a atenção se volta para a Ásia. O Japão divulga sua taxa de desemprego e os números da produção industrial, enquanto a China publica o índice PMI composto de junho, indicador importante para medir o ritmo da atividade da segunda maior economia do mundo.
Além disso, investidores acompanham uma possível decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre a permanência de Lisa Cook na diretoria do Federal Reserve (Fed), após o presidente Donald Trump anunciar, no ano passado, sua demissão.Geopolítica volta ao centro do radar
Se a agenda econômica promete movimentar os mercados, o principal fator de risco continua sendo o Oriente Médio.
O fim de semana foi marcado por uma nova escalada entre Estados Unidos e Irã. Após Washington bombardear instalações militares iranianas no sábado, 27, Teerã respondeu com novos ataques contra alvos ligados às forças americanas e intensificou sua ofensiva diplomática e militar em torno do Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para o transporte global de petróleo.
A tensão aumentou ainda mais depois que um petroleiro foi atingido por um projétil enquanto cruzava o estreito. Embora não tenha havido vítimas, o episódio levou autoridades marítimas internacionais a elevar o nível de alerta para embarcações que operam na região.
No domingo, o governo iraniano voltou a advertir que embarcações não devem utilizar rotas diferentes daquelas estabelecidas por Teerã, afirmando que qualquer tentativa de desvio poderá ampliar ainda mais as tensões. O país também realizou ataques contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein, enquanto os Estados Unidos responderam com uma nova ofensiva aérea contra alvos militares iranianos.
O receio dos investidores é que uma deterioração adicional do conflito afete o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem por onde transita cerca de um quinto de toda a produção mundial da commodity. Caso os riscos ao abastecimento aumentem, o petróleo pode voltar a subir, com reflexos sobre inflação, juros e mercados globais ao longo da semana.
