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Sacre Investimentos
InvestMercadosBDR
31/07/2026
4 min

Ford e GM apostam em energia e defesa — vale confiar desta vez?

Montadoras investem em energia e defesa, mas histórico inspira cautela em investidores de Wall Street

Ford e GM apostam em energia e defesa — vale confiar desta vez?

Por motivos que vão além dos carros, a Ford e a General Motors (GM) voltaram a chamar a atenção de Wall Street. As duas montadoras aceleram investimentos em áreas como armazenamento de energia e defesa, e os investidores responderam com entusiasmo.

O histórico, porém, recomenda cautela. Em análise publicada pelo Wall Street Journal (WSJ) nesta sexta-feira, 31, não é a primeira vez que as gigantes americanas tentam reduzir a dependência do setor automotivo, e as experiências anteriores não foram um sucesso.

A Ford chegou a ver suas ações dispararem 45% em maio, acrescentando cerca de US$ 23 bilhões em valor de mercado após anunciar a criação da Ford Energy, unidade voltada ao armazenamento de energia em larga escala para data centers de inteligência artificial (IA) e concessionárias de energia.

Os papéis perderam parte do fôlego desde então, mas ainda acumulam valorização superior a 20% desde o anúncio. A empresa também voltou ao setor de defesa ao conquistar um contrato para fabricar caminhões táticos para o Exército dos Estados Unidos.

A General Motors, por sua vez, seguiu um caminho parecido. As ações avançaram 16% desde a teleconferência de resultados da semana passada, quando a companhia elevou seu guidance para 2026 e detalhou planos para expandir as operações de defesa e armazenamento de energia.

Na avaliação da CEO da GM, Mary Barra, essas iniciativas podem elevar as margens e reduzir a dependência do ciclo automotivo.

Por que diversificar agora?

As empresas elevaram o guidance pela segunda vez em 2026, impulsionadas pelas vendas de modelos SUVs, que oferecem margens maiores. E a Ford e a GM são negociadas a 7,8 e 6,2 vezes o lucro esperado, respectivamente.

Mas "a indústria está em declínio", segundo o analista do RBC, Tom Narayan, destacando que fornecedores do setor também buscam novas fontes de receita.

Além disso, menos jovens estão tirando carteira de motorista, os preços dos carros novos afastaram parte dos consumidores e os veículos permanecem mais tempo em circulação.

O que mudou desta vez

A busca por diversificação dos negócios ocorre desde a década de 1980 com a concorrência, mas de lá para cá muitas dessas iniciativas não foram positivas para os resultados. Todavia, agora, elas não estão apostando bilhões em negócios completamente novos.

A Ford utilizará uma fábrica de baterias já existente em Kentucky para a Ford Energy, com investimentos estimados em US$ 2 bilhões até 2027. Na GM, os veículos militares aproveitam a plataforma de um caminhão off-road já produzido pela empresa e utilizam, em sua maior parte, componentes comerciais.

Esse movimento ocorre, ainda, em um momento favorável para esses mercados. Empresas de defesa do S&P 500 negociam, em média, a cerca de 30 vezes o lucro projetado. Já companhias ligadas ao armazenamento de energia, como Fluence Energy e Tesla, operam com múltiplos ainda mais elevados.

O analista do Morgan Stanley, Andrew Percoco, vê que as montadoras contam também com uma vantagem competitiva pouco explorada, a capacidade ociosa na produção de baterias e cadeias de suprimentos já estruturadas.

O banco estima que a demanda por armazenamento de energia nos EUA crescerá, em média, 38% ao ano até 2030.

Os números ainda são pequenos

Apesar da reação positiva do mercado, essas novas operações ainda representam uma parcela modesta dos negócios. A GM Defense deve faturar cerca de US$ 700 milhões neste ano, diante de uma receita total estimada em US$ 186 bilhões para a montadora.

Mesmo crescendo 35% ao ano, sua contribuição para o lucro operacional permaneceria abaixo de 1,5% até 2030.

Na Ford, a Ford Energy pode gerar US$ 588 milhões em lucro operacional até 2029, o equivalente a cerca de 5% do lucro operacional esperado para a companhia naquele ano. Para o WSJ, o desafio não está na diversificação em si, mas na capacidade das montadoras de executar a estratégia.

Recentemente, as duas montadoras acumularam baixas contábeis bilionárias em suas apostas no mercado de veículos elétricos.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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