Fortaleza é a capital onde o aluguel esta ficando mais caro: saiba o motivo
Juros altos, oferta e demanda e capacidade de pagamento ajudam a explicar a pressão sobre aluguéis

A cidade de Fortaleza, no Ceará, ocupa o primeiro lugar entre as capitais brasileiras onde o aluguel residencial mais subiu nos últimos 12 meses. Os preços avançaram 16,59% até setembro, segundo o Índice FipeZAP, bem acima da alta média de 9,13% registrada pelo indicador no país no mesmo período.
No Brasil, a valorização de 9,13% no aluguel representa quase o dobro da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,58%, e também supera com folga o Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M), usado como referência em contratos de aluguel, que avançou 3,34% no período.
Em Fortaleza, a alta do aluguel foi 3,6 vezes a inflação medida pelo IPCA no mesmo período. A cidade aparece pouco à frente de Natal (RN), onde os aluguéis avançaram 16,51% em 12 meses. Na sequência estão Aracaju (SE), com 15,52%, Rio de Janeiro (RJ), com 14,80%, e Vitória (ES), com 14,22%.
Entretanto, a liderança da capital cearense não significa que a cidade tenha o aluguel mais caro do Brasil em valores absolutos. O preço médio na capital cearense ficou em R$ 42,22 por metro quadrado (m²). São Paulo tem o maior preço médio, de R$ 65,78/m², e Barueri (SP) aparece no topo, com R$ 71,96/m².
Preço médio do aluguel e variação acumulada pelo Brasil
| Cidade | Preço médio do aluguel | Variação em 12 meses |
|---|---|---|
| Barueri (SP) | R$ 71,96/m² | 2,04% |
| São Paulo (SP) | R$ 65,78/m² | 6,22% |
| Recife (PE) | R$ 64,39/m² | 6,29% |
| Belém (PA) | R$ 62,25/m² | 4,31% |
| Rio de Janeiro (RJ) | R$ 61,86/m² | 14,80% |
| Florianópolis (SC) | R$ 61,81/m² | 3,56% |
| Santos (SP) | R$ 60,39/m² | 4,23% |
| São Luís (MA) | R$ 57,99/m² | 5,55% |
| Vitória (ES) | R$ 57,06/m² | 14,22% |
| Maceió (AL) | R$ 56,63/m² | 7,09% |
| Campinas (SP) | R$ 56,60/m² | 17,09% |
| Salvador (BA) | R$ 55,40/m² | 9,74% |
| Brasília (DF) | R$ 53,84/m² | 8,34% |
| Manaus (AM) | R$ 53,05/m² | 9,94% |
| João Pessoa (PB) | R$ 51,86/m² | 10,06% |
| Belo Horizonte (MG) | R$ 50,78/m² | 7,41% |
| Curitiba (PR) | R$ 49,44/m² | 8,94% |
| São José dos Campos (SP) | R$ 49,43/m² | 13,29% |
| Cuiabá (MT) | R$ 48,90/m² | 7,48% |
| Praia Grande (SP) | R$ 47,30/m² | 11,76% |
| Porto Alegre (RS) | R$ 46,78/m² | 10,23% |
| Natal (RN) | R$ 45,71/m² | 16,51% |
| Santo André (SP) | R$ 44,41/m² | 12,99% |
| São José (SC) | R$ 44,30/m² | 4,84% |
| Goiânia (GO) | R$ 43,86/m² | 3,58% |
| Guarulhos (SP) | R$ 43,00/m² | 8,13% |
| Niterói (RJ) | R$ 42,70/m² | 20,13% |
| Fortaleza (CE) | R$ 42,22/m² | 16,59% |
| São Bernardo do Campo (SP) | R$ 40,28/m² | 10,68% |
| Joinville (SC) | R$ 38,53/m² | 6,15% |
| Aracaju (SE) | R$ 36,04/m² | 15,52% |
| Ribeirão Preto (SP) | R$ 35,28/m² | 13,24% |
| Campo Grande (MS) | R$ 32,95/m² | 4,02% |
| Teresina (PI) | R$ 32,59/m² | 13,68% |
| São José do Rio Preto (SP) | R$ 29,77/m² | 7,53% |
| Pelotas (RS) | R$ 20,88/m² | -2,68% |
| Fonte: FipeZAP (setembro de 2026). | ||
O levantamento considera preços anunciados para novos aluguéis de apartamentos prontos em 36 cidades brasileiras, incluindo 22 capitais, com base em anúncios veiculados na internet. O índice não incorpora os reajustes dos contratos que já estão em vigor.
Por que os aluguéis continuam subindo
O FipeZAP não aponta uma causa isolada para a disparada dos preços em Fortaleza. O comportamento da cidade, porém, está inserido em um mercado de locação que continua pressionado por uma combinação de demanda, oferta e condições financeiras das famílias.
A economista do Grupo OLX, Mariangela Silva, explica que os preços de aluguel são mais sensíveis às mudanças na economia e podem reagir mais rapidamente do que os valores de venda dos imóveis.
"Em geral, os preços de locação são, por natureza, mais flexíveis e reagem de forma mais ágil aos movimentos da economia do que os preços de venda devido aos trâmites necessários para cada transação", explicou.Um dos fatores que ajuda a manter essa demanda é o nível elevado dos juros. Com condições de financiamento mais restritivas, parte das famílias pode adiar a compra da casa própria e permanecer por mais tempo no mercado de aluguel.
"Em um cenário de juros elevados e condições de financiamento mais restritivas, parte das famílias pode optar por permanecer no mercado de aluguel, contribuindo para a sustentação da demanda por locação, que, ao encontrar uma oferta que não cresce na mesma proporção, pressiona os preços para cima", acrescentou Silva.
Esse descompasso ajuda a explicar por que os aluguéis vêm avançando mais rapidamente que os preços dos próprios imóveis. Nos 12 meses encerrados em setembro, os valores anunciados para locação subiram 9,13% no país, enquanto os preços de venda cresceram 5,51%.
Alta perde força no curto prazo
Apesar da pressão acumulada em um ano, os números mais recentes mostram que o ritmo de aumento dos aluguéis começa a perder força. Em setembro, o Índice FipeZAP de locação residencial avançou 0,52% no país, marcando a quinta desaceleração consecutiva desde abril, quando havia registrado alta de 1,04%.
Em Fortaleza, o movimento mensal foi ainda mais moderado, com os preços subindo 0,15% em setembro. O dado mostra que a liderança da capital no acumulado de 12 meses reflete, principalmente, a forte valorização ocorrida ao longo do período, e não uma nova aceleração no mês mais recente.
Variação mensal dos aluguéis nas capitais brasileiras
| Capital | Variação em setembro |
|---|---|
| Goiânia (GO) | 1,15% |
| Maceió (AL) | 1,06% |
| Florianópolis (SC) | 1,02% |
| Salvador (BA) | 0,91% |
| Belo Horizonte (MG) | 0,80% |
| Rio de Janeiro (RJ) | 0,74% |
| Porto Alegre (RS) | 0,68% |
| Curitiba (PR) | 0,67% |
| São Paulo (SP) | 0,64% |
| Campo Grande (MS) | 0,57% |
| João Pessoa (PB) | 0,52% |
| Natal (RN) | 0,46% |
| São Luís (MA) | 0,42% |
| Recife (PE) | 0,32% |
| Vitória (ES) | 0,31% |
| Teresina (PI) | 0,23% |
| Belém (PA) | 0,16% |
| Fortaleza (CE) | 0,15% |
| Manaus (AM) | 0,10% |
| Aracaju (SE) | -0,16% |
| Cuiabá (MT) | -0,19% |
| Brasília (DF) | -0,53% |
| Fonte: Índice FipeZAP (setembro de 2026). | |
Segundo Silva, a desaceleração pode estar relacionada à redução do espaço para novos reajustes, diante de uma inflação mais controlada, da capacidade de pagamento das famílias e das condições de oferta e demanda de cada mercado local.
"A desaceleração não significa uma queda generalizada dos preços", de acordo com a economista. Em setembro, 31 das 36 cidades acompanhadas pelo índice registraram valorização, incluindo 19 das 22 capitais monitoradas.
Alta do aluguel não significa retorno maior na mesma proporção
A valorização dos aluguéis também reforça o potencial de geração de renda dos imóveis residenciais. De acordo com o levantamento do FipeZAP, a rentabilidade média estimada do aluguel no país, medida pelo "rental yield", ficou em 6,13% ao ano em setembro.
Esse retorno varia bastante entre cidades e tipos de imóvel. Em Fortaleza, o rental yield ficou em 4,92% ao ano, abaixo da média nacional, mesmo com a cidade registrando a maior valorização do aluguel entre as capitais em 12 meses.
A diferença ocorre porque a rentabilidade não depende apenas de quanto o aluguel sobe, mas também da relação entre o valor recebido na locação e o preço do próprio imóvel.
Os imóveis de um dormitório apresentam o maior retorno médio no levantamento, com rental yield estimado de 6,74% ao ano, acima da média geral do mercado residencial.
Mariangela ressalta ainda que o indicador representa uma rentabilidade bruta e não considera necessariamente despesas relacionadas ao imóvel, como manutenção, tributação ou períodos em que a unidade permanece sem inquilino.
