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Sacre Investimentos
Mercado ImobiliárioFII
12/08/2026
7 min

Fortaleza, São Paulo ou Brasília? Onde está a maior demanda por imóveis no Brasil

Índice analisou 84 cidades e mostra quais mercados têm maior potencial para novos projetos nos segmentos econômico, médio e alto padrão

Fortaleza, São Paulo ou Brasília? Onde está a maior demanda por imóveis no Brasil

São Paulo não é líder em todos os mercados imobiliários. Um ranking de demanda mostra que Fortaleza é a cidade mais atrativa para imóveis econômicos, enquanto a capital paulista domina o médio padrão e Brasília aparece como o mercado mais aquecido para imóveis de luxo.

Os dados fazem parte do Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil) do segundo trimestre de 2026, elaborado pelo ecossistema Sienge e CV CRM, com metodologia do Grupo Prospecta e parceria da CBIC. O levantamento analisou 84 cidades brasileiras e classificou a atratividade de novos projetos conforme três segmentos: padrão econômico, médio e alto padrão.

O índice considera fatores como procura direta por imóveis, dinâmica econômica, oferta de terceiros e potencial para novos lançamentos. A metodologia busca medir onde há maior capacidade de absorção de novos empreendimentos a partir do comportamento real dos compradores.

Segundo especialistas envolvidos no levantamento, o dado mais relevante não está apenas nas cidades que aparecem no topo dos rankings. “O que chama nossa atenção não é só quem lidera, mas quem está se movendo rápido, principalmente fora das capitais”, afirma Gabriela Torres, gerente Executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge.

Fortaleza lidera demanda por imóveis econômicos

No segmento econômico, voltado para famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 12 mil e imóveis com valores entre R$ 115 mil e R$ 575 mil, Fortaleza (CE) aparece na primeira posição, com nota 0,868.

A capital cearense mantém a liderança pelo quarto trimestre consecutivo. Na sequência aparecem São Paulo e Curitiba, que completam o topo do ranking.

As dez cidades mais atrativas para projetos de padrão econômico são:

  1. Fortaleza (CE) — nota 0,868
  2. São Paulo (SP) — nota 0,839
  3. Curitiba (PR) — nota 0,827
  4. Goiânia (GO) — nota 0,816
  5. Recife (PE) — nota 0,766
  6. Salvador (BA) — nota 0,706
  7. Brasília (DF) — nota 0,702
  8. Belo Horizonte (MG) — nota 0,654
  9. Rio de Janeiro (RJ) — nota 0,650
  10. Aracaju (SE) — nota 0,634

Segundo o IDI Brasil, o topo desse segmento permanece estável nos últimos trimestres, com Fortaleza, São Paulo e Curitiba mantendo as primeiras posições.

Apesar da estabilidade entre as líderes, o levantamento aponta mudanças relevantes fora das capitais. Em Santa Catarina, por exemplo, Florianópolis caiu do 12º para o 21º lugar no padrão econômico, pressionada pela queda na velocidade de venda de lançamentos novos. Na direção oposta, Chapecó subiu da 28ª para a 18ª posição e Joinville avançou da 29ª para a 19ª, impulsionadas pela aceleração nas vendas.

São Paulo concentra força no médio padrão

Quando o foco muda para imóveis de médio padrão, destinados a famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 24 mil e unidades entre R$ 575 mil e R$ 811 mil, São Paulo assume a liderança.

A capital paulista aparece em primeiro lugar com nota 0,832, seguida por Curitiba e Goiânia.

As dez cidades mais atrativas para projetos de médio padrão são:

  1. São Paulo (SP) — nota 0,832
  2. Curitiba (PR) — nota 0,771
  3. Goiânia (GO) — nota 0,758
  4. Recife (PE) — nota 0,714
  5. Brasília (DF) — nota 0,692
  6. Maringá (PR) — nota 0,688
  7. Fortaleza (CE) — nota 0,668
  8. Itajaí (SC) — nota 0,660
  9. Belo Horizonte (MG) — nota 0,657
  10. Rio de Janeiro (RJ) — nota 0,638

Um dos destaques do trimestre foi Recife, que avançou da 15ª posição para a quarta colocação no ranking.

Segundo a análise do IDI Brasil, a capital pernambucana foi a única capital a avançar nos três padrões analisados no trimestre. O movimento aparece principalmente no médio padrão, impulsionado pela aceleração na venda de lançamentos com mais de 12 meses, indicando maior absorção do estoque disponível.

“É esse encontro entre o perfil da população e a capacidade de absorção do mercado que explica o ciclo virtuoso por trás dos números”, afirma Torres.

Brasília lidera mercado de alto padrão

No segmento de alto padrão, voltado para famílias com renda superior a R$ 24 mil e imóveis a partir de R$ 811 mil, a liderança muda de mãos.

Brasília aparece como o mercado mais atrativo do país, com nota 0,875, seguida por São Paulo e Fortaleza.

As dez cidades mais atrativas para projetos de alto padrão são:

  1. Brasília (DF) — nota 0,875
  2. São Paulo (SP) — nota 0,858
  3. Fortaleza (CE) — nota 0,813
  4. Goiânia (GO) — nota 0,775
  5. Rio de Janeiro (RJ) — nota 0,761
  6. Curitiba (PR) — nota 0,718
  7. Recife (PE) — nota 0,669
  8. Florianópolis (SC) — nota 0,664
  9. Porto Belo (SC) — nota 0,638
  10. Itajaí (SC) — nota 0,609

O relatório destaca que Brasília e São Paulo mantêm as duas primeiras posições no alto padrão. Outro movimento relevante foi o avanço de Recife, única capital a melhorar sua posição nos três segmentos analisados no trimestre.

Além das capitais, o interior paulista ganhou força nesse segmento. Sorocaba e Ribeirão Preto entraram no Top 20 nacional, juntando-se a Jundiaí e Campinas. Com isso, o interior de São Paulo passou a ocupar quatro das vinte primeiras posições do país no alto padrão.

São Paulo tem diferentes mercados dentro da própria cidade

Além do ranking nacional, o IDI Brasil apresenta uma análise específica da capital paulista, dividida entre as zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro.

O levantamento mostra que a demanda dentro de São Paulo segue uma lógica diferente conforme o padrão do imóvel. A Zona Oeste concentra força nos segmentos econômico e médio, enquanto a Zona Sul domina o alto padrão, com a maior nota entre todas as regiões analisadas.

A Zona Oeste aparece como uma das regiões mais fortes da capital. No padrão econômico, a região lidera o ranking, com destaque para indicadores como dinâmica econômica e baixa oferta de imóveis usados. Mesmo com uma queda na procura ativa, a região ganhou ritmo na venda de novos lançamentos.

No médio padrão, a Zona Oeste mantém a liderança há oito trimestres consecutivos, sustentada pela demanda direta e pela velocidade de venda de imóveis já disponíveis.

No alto padrão, ocupa a segunda colocação. Apesar da queda na velocidade de venda de novos lançamentos, a região mantém a posição pela força da procura ativa e pela dinâmica econômica, que permanece no nível máximo da escala.

A Zona Sul se destaca principalmente no segmento de alto padrão. A região lidera esse ranking há quatro trimestres consecutivos, com quatro dos seis indicadores no nível máximo, incluindo a demanda direta.

No médio padrão, ocupa a segunda posição, impulsionada pela aceleração na venda de novos lançamentos. Já no padrão econômico, aparece na terceira colocação.

A Zona Leste apresenta um mercado sustentado pela procura dos compradores. No padrão econômico, ocupa a segunda posição, favorecida pela demanda direta no nível máximo da escala. Por outro lado, enfrenta desafios na velocidade de venda de novos lançamentos. No médio padrão, aparece em terceiro lugar, enquanto também ocupa a terceira posição no alto padrão.

A Zona Norte apresenta sinais de recuperação, principalmente na venda de imóveis já disponíveis. Apesar disso, a região ainda perdeu ritmo em novos lançamentos. No padrão econômico, ocupa a quarta posição. No alto padrão, aparece na quinta colocação.

Já o Centro apresenta os indicadores mais baixos entre as regiões analisadas. A área fica na última colocação no padrão econômico, aparece em quarto lugar no médio padrão e também tem desempenho inferior no alto padrão.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
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