Fortuna de 520 bilhões de dólares e 8 herdeiros: qual é a família mais rica dos Estados Unidos

Os Estados Unidos acabam de completar 250 anos de independência. Ao longo de dois séculos e meio, o país transformou a ideia de enriquecer do zero em símbolo nacional e viu nascer clãs familiares que hoje concentram fortunas maiores que o PIB de nações inteiras.
Nenhum chegou tão longe quanto os Walton.
Herdeiros de Sam Walton, fundador do Walmart, e de seu irmão Bud, oito membros da família controlam a maior varejista do planeta e formam, segundo a revista norte-americana Forbes, o clã mais rico dos Estados Unidos.
Juntos, somam 520 bilhões de dólares — três vezes mais que a segunda família mais rica do país, os Koch, donos de um conglomerado industrial avaliado em 157 bilhões de dólares.
A comparação apareceu no ranking de famílias bilionárias que a Forbes americana publicou nesta semana.
Em pouco mais de dois anos, a fortuna dos Walton quase dobrou: cresceu 253 bilhões de dólares desde a última edição da lista, em fevereiro de 2024, impulsionada pela disparada das ações do Walmart.
O que distingue os Walton dos outros nomes no topo da lista é a origem do dinheiro.
Enquanto a maioria dos bilionários americanos fundou impérios de tecnologia, os herdeiros de Sam Walton receberam a fortuna de família.
A participação no Walmart, estimada pela Forbes em quase 45% das ações, responde por quase toda a riqueza do clã e cresce à medida que o valor de mercado da varejista avança.
Em fevereiro de 2026, o Walmart virou a primeira varejista física da história a alcançar valor de mercado de 1 trilhão de dólares, entrando num clube até então restrito a gigantes de tecnologia.
O papel subiu com a chegada de um novo executivo-chefe, John Furner, e a aposta da empresa em inteligência artificial e comércio digital. Desde então a ação recuou um pouco, e analistas discutem se a varejista está cara demais — um risco que paira sobre a fortuna que sustenta os Walton.
Qual é a história da família
A história começa em Bentonville, cidade pequena no interior do Arkansas.
Irmãos Walton, donos do Walmart: o gigante grupo varejista americano ganhou o mundo | Gilles Mingasson/Getty Images (Gilles Mingasson/Getty Images)
Foi ali que Sam Walton comprou uma loja de variedades em 1950 e, em 1962, abriu a primeira unidade do Walmart, com a aposta de vender barato em grande volume.
A sede da empresa segue na mesma cidade até hoje.
Sam morreu em 1992, ano em que passou o comando ao filho mais velho, Rob Walton.
Rob Walton (Divulgação / Walmart)
Bud Walton, irmão e sócio da primeira hora, morreu em 1995.
A fórmula de preços baixos que os dois montaram transformou o Walmart na maior varejista do mundo, com milhares de lojas espalhadas por dezenas de países.
Quem são os oito herdeiros
O núcleo da fortuna está com os três filhos vivos de Sam: Rob, Jim e Alice Walton.
Cada um deles acumula mais de 100 bilhões de dólares. Rob presidiu o conselho do Walmart de 1992 a 2015 e é o dono principal do Denver Broncos, time de futebol americano da NFL comprado por um grupo liderado por ele em 2022.
Jim comanda o Arvest Bank, banco da família com sede no Arkansas.
Completam o grupo Christy Walton, viúva de John Walton — filho de Sam que morreu em 2005 —, e Lukas Walton, filho de John. Do lado de Bud, entram as duas filhas, Ann Walton Kroenke e Nancy Walton Laurie.
Boa parte da nova geração já ocupa cadeiras no conselho ou toca os negócios paralelos da família, dos times de esporte à fundação filantrópica.
Filantropia e atritos em Bentonville
Parte da fortuna é canalizada para a Walton Family Foundation, braço filantrópico que financia principalmente projetos de educação.
A fundação já destinou centenas de milhões de dólares a escolas e universidades, e a presidência do conselho está com Annie Proietti, filha de Jim Walton.
A presença dominante da família na região onde nasceu o Walmart, porém, nem sempre é bem recebida.
Reportagem da revista Fortune, publicada em abril de 2026, mostrou o incômodo de moradores de Bentonville e cidades vizinhas com o peso dos Walton na economia e na cultura local, em episódios que envolveram desde investimentos em museus até disputas sobre o uso de áreas naturais do Arkansas.
É o outro lado de uma fortuna que, em 250 anos de história americana, virou a maior já concentrada por uma única família.
