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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
23/08/2026
5 min

'Funcionário barato sai caro': o alerta de Marcus Marques para casal que fatura R$ 2,1 milhões

Fundadores da AC Móveis ainda concentram etapas importantes da operação. No Choque de Gestão, mentor mostra por que contratar profissionais mais experientes pode destravar o crescimento

'Funcionário barato sai caro': o alerta de Marcus Marques para casal que fatura R$ 2,1 milhões

Contratar profissionais mais baratos ajuda a controlar os custos de uma pequena empresa. Mas a conta muda quando os donos precisam gastar parte do dia conferindo, corrigindo e assumindo tarefas que a equipe ainda não consegue executar sozinha.

Esse é um dos desafios de Henrique Borges e Andressa de Carvalho, fundadores da AC Móveis. Em quatro anos, a empresa de móveis planejados saiu de Suzano, na Grande São Paulo, para Perdizes, na zona oeste da capital paulista, e chegou a R$ 2,1 milhões em faturamento apenas no primeiro semestre de 2026.

O crescimento levou o casal ao Choque de Gestão, reality show de negócios da EXAME com patrocínio de Santander Empresas e Claro Empresas. A empresa consegue atrair clientes e quer avançar para projetos acima de R$ 1 milhão, mas parte da operação ainda depende diretamente dos fundadores. O mentor Marcus Marques, fundador do Grupo Acelerador, identificou na estrutura da equipe um dos entraves para o próximo salto.

“Funcionário barato às vezes sai caro”, diz  Marcus Marques.

A recomendação não significa simplesmente aumentar salários. Para o mentor, a AC Móveis chegou a um estágio em que precisa avaliar se economizar com uma equipe formada por profissionais mais juniores não está aumentando a dependência dos próprios fundadores. A empresa agora mira pelo menos R$ 4 milhões em faturamento em 2026 e terá de preparar a estrutura para acompanhar esse avanço.

Por que a equipe virou um gargalo para a AC Móveis

Henrique concentra vendas, administrativo e parte da gestão financeira. Andressa lidera os projetos e participa de etapas que exigem precisão, como a conferência de medidas antes de os pedidos seguirem para a fábrica.

O risco de delegar é concreto. A AC Móveis atende projetos que podem chegar a R$ 750 mil. Uma medida errada pode gerar retrabalho e comprometer a entrega ao cliente.

Por isso, mesmo com cinco projetistas na equipe, Andressa ainda participa de etapas críticas. Henrique admite que a empresa poderia vender mais, mas teme que o aumento dos contratos pressione uma operação que ainda está sendo estruturada.

Para Marques, a solução passa por acelerar a formação da equipe e contratar profissionais capazes de assumir mais responsabilidades.

“Às vezes, as empresas menores acabam vivendo uma coisa que eu chamo de buraco tático”, diz Marques.

O termo é usado pelo empresário para descrever empresas em que existem os donos, responsáveis pela estratégia, e funcionários responsáveis pela execução, mas faltam coordenadores, supervisores e gerentes entre essas duas pontas.

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A AC Móveis já percebeu o efeito de preencher esse espaço. A entrada de um responsável pelas operações de montagem tirou tarefas das mãos dos fundadores e deu a Henrique mais segurança para se dedicar às vendas.

Agora, Marques recomenda repetir o movimento na área liderada por Andressa, com a possível contratação de um profissional mais experiente que consiga coordenar parte dos projetos e assumir responsabilidades hoje concentradas nela.

Como delegar sem comprometer a qualidade

Contratar alguém mais experiente resolve apenas parte do problema. O outro desafio é os próprios fundadores aceitarem entregar decisões para a equipe.

Na mentoria, Marques questionou se Henrique e Andressa estavam delegando na velocidade exigida pelo crescimento do negócio.

A recomendação foi começar pelos contratos menores. Em vez de entregar imediatamente à equipe um projeto de centenas de milhares de reais, Andressa poderia deixar um funcionário assumir uma medição ou conferência de menor valor e reduzir gradualmente sua supervisão.

“É impossível você formar pessoas e não ter erro. As pessoas só criam competência através do erro”, diz Marques.

O erro, nesse caso, deve servir para ajustar processos e criar novas regras de conferência. O objetivo é evitar que a busca por qualidade transforme os fundadores no principal gargalo da própria empresa.

Marques também sugeriu avaliar o uso de inteligência artificial em etapas do orçamento e da preparação dos projetos. O mentor se comprometeu a conectar o casal a especialistas para identificar tarefas que possam ser automatizadas e reduzir o trabalho manual.

Mudança na quipe para atingir novas metas

A discussão sobre contratação ganhou peso porque a AC Móveis está mudando de tamanho rapidamente.

A empresa começou com faturamento de R$ 500 mil, chegou a R$ 1 milhão no segundo ano e a quase R$ 1,7 milhão no terceiro. No primeiro semestre de 2026, já havia registrado R$ 2,1 milhões.

Henrique e Andressa chegaram ao programa com uma meta de R$ 3 milhões para o ano. Marques considerou o número baixo e propôs R$ 4 milhões como piso. Também sugeriu trabalhar com cenários mais agressivos, que podem chegar a R$ 4,8 milhões ou R$ 5,5 milhões.

Para atingir essas metas, a empresa terá de investir antes de estar com toda a estrutura pronta, segundo o mentor. Isso pode significar contratar profissionais mais seniores, criar posições de coordenação e aumentar a capacidade da equipe.

“A equipe que te leva para faturar R$ 1 milhão ou R$ 2 milhões não é a equipe que vai te levar para faturar R$ 5 milhões ou R$ 10 milhões”, diz Marques.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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