'Funcionário barato sai caro': o alerta de Marcus Marques para casal que fatura R$ 2,1 milhões
Fundadores da AC Móveis ainda concentram etapas importantes da operação. No Choque de Gestão, mentor mostra por que contratar profissionais mais experientes pode destravar o crescimento

Contratar profissionais mais baratos ajuda a controlar os custos de uma pequena empresa. Mas a conta muda quando os donos precisam gastar parte do dia conferindo, corrigindo e assumindo tarefas que a equipe ainda não consegue executar sozinha.
Esse é um dos desafios de Henrique Borges e Andressa de Carvalho, fundadores da AC Móveis. Em quatro anos, a empresa de móveis planejados saiu de Suzano, na Grande São Paulo, para Perdizes, na zona oeste da capital paulista, e chegou a R$ 2,1 milhões em faturamento apenas no primeiro semestre de 2026.
O crescimento levou o casal ao Choque de Gestão, reality show de negócios da EXAME com patrocínio de Santander Empresas e Claro Empresas. A empresa consegue atrair clientes e quer avançar para projetos acima de R$ 1 milhão, mas parte da operação ainda depende diretamente dos fundadores. O mentor Marcus Marques, fundador do Grupo Acelerador, identificou na estrutura da equipe um dos entraves para o próximo salto.
“Funcionário barato às vezes sai caro”, diz Marcus Marques.
A recomendação não significa simplesmente aumentar salários. Para o mentor, a AC Móveis chegou a um estágio em que precisa avaliar se economizar com uma equipe formada por profissionais mais juniores não está aumentando a dependência dos próprios fundadores. A empresa agora mira pelo menos R$ 4 milhões em faturamento em 2026 e terá de preparar a estrutura para acompanhar esse avanço.
Por que a equipe virou um gargalo para a AC Móveis
Henrique concentra vendas, administrativo e parte da gestão financeira. Andressa lidera os projetos e participa de etapas que exigem precisão, como a conferência de medidas antes de os pedidos seguirem para a fábrica.
O risco de delegar é concreto. A AC Móveis atende projetos que podem chegar a R$ 750 mil. Uma medida errada pode gerar retrabalho e comprometer a entrega ao cliente.
Por isso, mesmo com cinco projetistas na equipe, Andressa ainda participa de etapas críticas. Henrique admite que a empresa poderia vender mais, mas teme que o aumento dos contratos pressione uma operação que ainda está sendo estruturada.
Para Marques, a solução passa por acelerar a formação da equipe e contratar profissionais capazes de assumir mais responsabilidades.
“Às vezes, as empresas menores acabam vivendo uma coisa que eu chamo de buraco tático”, diz Marques.
O termo é usado pelo empresário para descrever empresas em que existem os donos, responsáveis pela estratégia, e funcionários responsáveis pela execução, mas faltam coordenadores, supervisores e gerentes entre essas duas pontas.
Quer receber um grande empresário no seu negócio? Inscreva-se no Choque de GestãoA AC Móveis já percebeu o efeito de preencher esse espaço. A entrada de um responsável pelas operações de montagem tirou tarefas das mãos dos fundadores e deu a Henrique mais segurança para se dedicar às vendas.
Agora, Marques recomenda repetir o movimento na área liderada por Andressa, com a possível contratação de um profissional mais experiente que consiga coordenar parte dos projetos e assumir responsabilidades hoje concentradas nela.
Como delegar sem comprometer a qualidade
Contratar alguém mais experiente resolve apenas parte do problema. O outro desafio é os próprios fundadores aceitarem entregar decisões para a equipe.
Na mentoria, Marques questionou se Henrique e Andressa estavam delegando na velocidade exigida pelo crescimento do negócio.
A recomendação foi começar pelos contratos menores. Em vez de entregar imediatamente à equipe um projeto de centenas de milhares de reais, Andressa poderia deixar um funcionário assumir uma medição ou conferência de menor valor e reduzir gradualmente sua supervisão.
“É impossível você formar pessoas e não ter erro. As pessoas só criam competência através do erro”, diz Marques.
O erro, nesse caso, deve servir para ajustar processos e criar novas regras de conferência. O objetivo é evitar que a busca por qualidade transforme os fundadores no principal gargalo da própria empresa.
Marques também sugeriu avaliar o uso de inteligência artificial em etapas do orçamento e da preparação dos projetos. O mentor se comprometeu a conectar o casal a especialistas para identificar tarefas que possam ser automatizadas e reduzir o trabalho manual.
Mudança na quipe para atingir novas metas
A discussão sobre contratação ganhou peso porque a AC Móveis está mudando de tamanho rapidamente.
A empresa começou com faturamento de R$ 500 mil, chegou a R$ 1 milhão no segundo ano e a quase R$ 1,7 milhão no terceiro. No primeiro semestre de 2026, já havia registrado R$ 2,1 milhões.
Henrique e Andressa chegaram ao programa com uma meta de R$ 3 milhões para o ano. Marques considerou o número baixo e propôs R$ 4 milhões como piso. Também sugeriu trabalhar com cenários mais agressivos, que podem chegar a R$ 4,8 milhões ou R$ 5,5 milhões.
Para atingir essas metas, a empresa terá de investir antes de estar com toda a estrutura pronta, segundo o mentor. Isso pode significar contratar profissionais mais seniores, criar posições de coordenação e aumentar a capacidade da equipe.
“A equipe que te leva para faturar R$ 1 milhão ou R$ 2 milhões não é a equipe que vai te levar para faturar R$ 5 milhões ou R$ 10 milhões”, diz Marques.
