Funcionários milionários: opções de ações deveriam ser oferecidas para todos os colaboradores na hora do IPO, defende bilionário Mark Cuban
Bilionário diz que todos os funcionários deveriam receber ações da empresa; casos de SpaceX, Google e Nvidia exemplificam ideia proposta por Mark Cuban

O bilionário norte-americano Mark Cuban defende que todos os trabalhadores de uma empresa deveriam ter acesso às mesmas oportunidades disponíveis que os acionistas e, até mesmo, o próprio CEO.
Há pouco mais de um mês, histórias de antigos funcionários da SpaceX vieram à tona após o sucesso da Oferta Pública Inicial (IPO) da companhia de Elon Musk.
Entre elas, o grande destaque foi para o soldador Juan Hernandez, que possuía aproximadamente 6.500 mil ações antes da estreia da empresa na Nasdaq.
Em 12 de junho, quando as ações da SpaceX chegaram à bolsa de valores, os ativos de Hernandez passaram a ser avaliados em mais de US$ 1 milhão.
O argumento do bilionário Mark Cuban
Além da sua fortuna, Cuban é conhecido por ter participado de quinze temporadas de Shark Tank, programa norte-americano de investimentos.
Para Cuban, casos como o de Hernandez não deveriam ser raros. Para ele, o caso é um exemplo de porque a remuneração por participação acionária deveria estar disponível para trabalhadores de toda a empresa, e não apenas para executivos.
“Pode-se e deve-se defender fortemente que todo empregador seja obrigado a oferecer ações a todos os funcionários da mesma forma que o CEO recebe concessões anuais de ações, opções, bônus de subscrição e outros instrumentos semelhantes”, escreveu Cuban no X em 13 de junho. “Qualquer percentual do salário ou dos ganhos que o CEO receba em ações deveria ser concedido a todos os funcionários.”
De acordo com um levantamento do jornal New York Times, o IPO da SpaceX fez com que cerca de 4.400 funcionários e ex-funcionários da empresa se tornassem em milionários.
Entre os beneficiados estão soldadores, técnicos e operadores de máquinas que acumularam papéis da empresa ao longo dos anos e apostaram no crescimento da companhia.
Apesar do caso ter ganhado muita visibilidade, não é a primeira vez que uma empresa enriquece seus funcionários através da participação acionária.
Google, Facebook e outras empresas que fizeram seus funcionários milionários
Apesar de casos semelhantes não serem novidade, um deles foi protagonizado pelo próprio Cuban. Na década de 90, o empresário adquiriu a Broadcast.com, empresa de streaming e transmissão, junto de Todd Wagner.
Em 1999, o Yahoo decidiu comprar a companhia por US$ 5,7 bilhões. Com isso, 300 dos 330 funcionários da companhia tornaram-se milionários.
No caso da Google, que abriu capital em agosto de 2004, cerca de mil funcionários se tornaram milionários. A empresa de tecnologia já era uma das mais comentadas do Vale do Silício.
Com o IPO, as ações da Google encerraram o primeiro dia de negociações cotadas a US$ 100,30, acima do preço de lançamento de US$ 85 por ação.
Inclusive, os fundadores da empresa, Larry Page e Sergey Brin, posteriormente se tornaram bilionários.
O IPO do Facebook (atual Meta), realizado em 2012, também foi o grande marco de geração de riqueza. Mark Zuckerberg, fundador da empresa, se tornou um dos bilionários mais jovens do mundo.
Ao mesmo tempo, alguns funcionários que haviam recebido opções de ações durante os primeiros anos da empresa também passaram a deter patrimônios significativos após a abertura de capital da big tech.
Talvez um dos casos mais impressionantes seja o da Nvidia. Calcula-se que quase 80% dos funcionários da Nvidia sejam oficialmente milionários.
Um levantamento realizado com mais de 3 mil funcionários da empresa aponta também que cerca de metade deles possui patrimônio líquido superior a US$ 25 milhões.
Essa riqueza entre os empregados está relacionada não só ao sucesso da companhia, mas ao modelo utilizado por ela. A Nvidia tem uma iniciativa que permite aos funcionários comprarem ações da empresa com 15% de desconto.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
