Fundo vende imóveis de Assaí e Carrefour ao BTG por R$ 672 milhões

A TRX Investimentos fechou duas operações que resumem a nova fase de diversificação dos fundos imobiliários da casa. De um lado, vendeu nove imóveis locados a Carrefour, Grupo Mateus e Assaí por R$ 672 milhões a um veículo do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME). De outro, concluiu a compra de parte de um empreendimento no Brooklin, em São Paulo, que será ocupado pelo Hospital Sírio-Libanês em contrato até 2054.
A venda dos ativos deve gerar lucro estimado de R$ 230 milhões aos fundos TRXF11 e TRXB11, equivalente a cerca de R$ 3,68 por cota, já descontados custos, despesas e tributos. A operação também reduz a alavancagem em cerca de R$ 288 milhões, com amortização prevista de CRIs ligados aos dois fundos.
O portfólio vendido inclui imóveis em São Paulo, Pernambuco, Bahia, Pará e Paraíba, todos com operações em funcionamento e contratos vigentes. Do valor total, cerca de R$ 291 milhões serão usados para quitar obrigações financeiras vinculadas aos ativos.
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A transação reforça uma estratégia cada vez mais comum entre FIIs maiores: vender imóveis maduros, capturar ganho de capital e liberar caixa para novas aquisições.
Segundo Gabriel Barbosa, sócio e gestor da TRX, a operação permite monetizar ativos valorizados, reduzir alavancagem e abrir espaço para novos investimentos.
Ao mesmo tempo, o TRXF11 concluiu a aquisição de 18 unidades autônomas em nove lajes corporativas do empreendimento O Parque, no Brooklin, que serão ocupadas pelo Sírio-Libanês. O investimento total estimado é de R$ 328,4 milhões, sendo R$ 219,4 milhões na compra dos imóveis e R$ 109 milhões em obras de adaptação solicitadas pelo hospital .
Os imóveis representam cerca de 49,4% da área bruta locável da Torre Orvalho, dentro de um complexo multiuso de alto padrão, próximo ao Shopping Morumbi, à estação Brooklin do metrô, à Marginal Pinheiros e ao Aeroporto de Congonhas .
O contrato foi estruturado no modelo built to suit, com vigência até fevereiro de 2054, renda mínima garantida durante o período de carência e multa relevante em caso de rescisão antecipada .
Com isso, o fundo troca parte da exposição ao varejo alimentar por ativos de saúde premium, com contratos longos e inquilinos de maior perfil institucional.
A aquisição se soma a outros movimentos do TRXF11 no setor de saúde, como a participação em ativos ligados ao Hospital Israelita Albert Einstein no Parque Global, também em São Paulo .
O TRXF11 tem patrimônio superior a R$ 6,2 bilhões e portfólio de 123 imóveis em 17 estados e 65 cidades. A carteira reúne varejo, logística, educação, saúde e shopping centers, com locatários como Assaí, Grupo Mateus, Mercado Livre, Shopee, Leroy Merlin, Decathlon e Einstein .
Para o cotista, a mensagem é dupla: o fundo realiza lucro em ativos já performados e aumenta a exposição a segmentos considerados mais resilientes no longo prazo.
