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Sacre Investimentos
Bolsa e dólarFIN
09/10/2026
4 min

Fundo Verde, de Stuhlberger, vê espaço para novo rali da bolsa com o ‘trade Flávio’ — mas faz alerta para risco lá fora

O resultado do primeiro turno reforçou a aposta da gestora nos ativos brasileiros, mas a alta dos juros nos EUA acendeu um sinal amarelo para os mercados globais

Fundo Verde, de Stuhlberger, vê espaço para novo rali da bolsa com o ‘trade Flávio’ — mas faz alerta para risco lá fora

O Brasil voltou a entrar no radar do fundo Verde, de Luis Stuhlberger, nos últimos meses. Após o resultado do primeiro turno das eleições, o apetite pela bolsa brasileira cresceu ainda mais, embalado pelo “trade Flávio” e as expectativas de uma mudança na percepção de risco do país.  

Mas, enquanto a bolsa brasileira ganha fôlego, a alta dos juros de longo prazo nos Estados Unidos e em outras economias desenvolvidas acende um sinal amarelo para os mercados globais. 

Na carta de setembro, a Verde Asset afirma que a perspectiva de uma política fiscal mais contida no Brasil poderia abrir espaço para juros menores e destravar valor nos ativos locais. 

A reação do mercado após o primeiro turno das eleições, no último domingo (4), reforçou essa leitura. No pregão seguinte à votação, o Ibovespa avançou 7,7%, os juros longos recuaram e o real se valorizou mais de 4%. 

O movimento também se refletiu na carteira do Verde, que teve ganhos com ações brasileiras e posições de valor relativo em juros reais em setembro. Em contrapartida, perdeu dinheiro com commodities, juros reais norte-americanos e bolsas globais. 

Eleições melhoram o humor da Verde Asset com o Brasil 

Durante setembro, os ativos brasileiros já vinham reduzindo parte dos prêmios de risco, embora ainda houvesse incerteza sobre o resultado eleitoral.  

O desfecho do primeiro turno, com Flávio Bolsonaro cerca de dois pontos percentuais à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, contrariou as expectativas indicadas pelas pesquisas. O avanço de candidatos de direita na Câmara e no Senado também contribuiu para a reação dos mercados. 

“Ainda teremos um segundo turno, mas a probabilidade de virada nos parece bastante baixa”, diz a Verde. 

Para a gestora, o resultado abriu espaço para uma mudança nas expectativas sobre a combinação entre política fiscal e monetária.  

“A perspectiva de uma virada na política do acelerador fiscal com freio monetário deste governo, para algo mais contido do lado fiscal e que permita uma queda maior de juros, é alvissareira para os mercados brasileiros”, afirma. 

A Verde também chama atenção para o posicionamento dos investidores. Se as perspectivas políticas e econômicas melhorarem, a exposição ainda baixa de parte do mercado à bolsa brasileira poderá favorecer a entrada de recursos e sustentar novas altas. 

A visão mais otimista da gestora de Luis Stuhlberger, contudo, não elimina as incertezas com o mercado local. O segundo turno ainda está por vir, e a melhora das expectativas dependerá de mudanças efetivas na condução da política econômica. 

Juros no resto do mundo acendem alerta 

Enquanto o cenário doméstico ganhou um novo vetor de otimismo, o ambiente internacional ficou mais difícil de navegar. 

Na visão da Verde, a alta dos juros de longo prazo nas economias desenvolvidas pode elevar o custo de financiamento e reduzir a atratividade de ativos de risco em diferentes mercados. 

Para a gestora, a pressão reúne vários fatores: o petróleo mais caro em meio aos conflitos envolvendo EUA e Irã e entre Rússia e Ucrânia, a expansão fiscal nas economias desenvolvidas, uma postura mais dura do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e a necessidade de financiar os investimentos em inteligência artificial (IA). 

Por enquanto, a alta dos juros não provocou uma correção expressiva nas principais bolsas norte-americanas, que seguem sustentadas pelo crescimento dos lucros das empresas.  

Ainda assim, a gestora identifica sinais de desgaste e questiona até que ponto as taxas podem avançar antes de provocar uma aversão mais ampla ao risco. 

Uma deterioração desse tipo poderia atingir também mercados com perspectivas domésticas mais favoráveis, incluindo o brasileiro. 

Onde o fundo Verde está apostando agora

Nesse cenário, o fundo Verde elevou marginalmente a exposição à bolsa brasileira e manteve a alocação em mercados globais. Na renda fixa local, não possui posições direcionais. 

Nos EUA, a gestora preservou uma posição aplicada em juros reais, que tende a se beneficiar de uma queda dessas taxas.  

A carteira da Verde também mantém investimentos em ouro e prata, além de proteções estruturais e exposição a crédito local.

AutorCamille Lima
FonteSeu Dinheiro
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