Fundos captam R$ 185 bi no primeiro semestre, o melhor resultado desde 2022

Depois de um 2025 mais tímido, a indústria brasileira de fundos de investimento iniciou 2026 em ritmo mais forte. No primeiro semestre, a captação líquida alcançou R$ 184,7 bilhões, mais que o dobro dos R$ 84 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O resultado representa a segunda maior captação para um primeiro semestre desde 2022, ficando atrás apenas do desempenho observado em 2024.
O movimento ocorreu em meio ao crescimento da própria indústria. O patrimônio líquido dos fundos chegou a R$ 11,1 trilhões, alta de 10% em 12 meses, enquanto o número de contas avançou 9,5%, para 45,6 milhões. Ao mesmo tempo, o total de fundos e de gestores também continuou aumentando, indicando uma expansão do mercado de investimentos.
Renda fixa concentra o apetite dos investidores
O principal motor desse crescimento continua sendo a renda fixa, que captou R$ 108,4 bilhões no semestre. A classe respondeu pela maior parte da captação do semestre, com destaque para os fundos de baixa duração com crédito livre, que receberam cerca de R$ 70,3 bilhões, e para os fundos de baixa duração soberanos, que atraíram aproximadamente R$ 26 bilhões. Juntos, esses produtos concentraram mais da metade do fluxo positivo da indústria.
A preferência dos investidores acompanha um ambiente em que aplicações conservadoras continuam oferecendo retornos atrativos. Entre janeiro e junho, os fundos de renda fixa de baixa duração com crédito livre entregaram rentabilidade de 6,8%, praticamente em linha com o CDI no período.
ETFs consolidam crescimento puxado pela renda fixa
Os Exchange Traded Funds (ETFs), conhecido como fundos de índice, também ampliaram sua relevância na indústria em 2026, especialmente aqueles atrelados à renda fixa. No primeiro semestre, os ETFs de renda fixa receberam R$ 27,1 bilhões em aportes, o equivalente a 83,6% de toda a captação da categoria. Já os ETFs de renda variável tiveram fluxo positivo bem mais modesto, de cerca de R$ 5,3 bilhões, evidenciando a preferência dos investidores por estratégias mais conservadoras.
O crescimento também aparece no patrimônio desses produtos. Entre julho de 2025 e junho de 2026, o patrimônio dos ETFs de renda fixa passou de R$ 41,7 bilhões para R$ 55,8 bilhões. No mesmo período, os ETFs de renda variável avançaram de R$ 41,7 bilhões para R$ 57,6 bilhões. No total, o patrimônio dessa classe mais do que dobrou, indo de R$ 55,5 bilhões para R$ 116,6 bilhões.
A oferta de produtos continua aumentando. O número de ETFs disponíveis no mercado saltou de 137 para 202 em 12 meses, crescimento de aproximadamente 47%. O avanço foi acompanhado pelo aumento da base de investidores: de 1,17 milhão em julho de 2025 para 1,65 milhão em maio de 2026.
Multimercados seguem perdendo investidores, apesar da desaceleração dos resgates
Se a renda fixa foi a protagonista do semestre, os multimercados continuaram na direção oposta. A categoria registrou resgates líquidos de R$ 9,9 bilhões entre janeiro e junho, um resultado negativo, mas significativamente melhor que os observados nos anos anteriores, quando as saídas chegaram a R$ 65,2 bilhões em 2025, R$ 80,2 bilhões em 2024 e R$ 53 bilhões em 2023.
Mesmo com a melhora no ritmo dos resgates, a indústria ainda encolhe. O patrimônio líquido dos multimercados caiu de R$ 1,625 trilhão, em dezembro de 2025, para R$ 1,544 trilhão em junho de 2026. A base de investidores também diminuiu: o número de contas recuou de 3,94 milhões para 3,83 milhões em apenas cinco meses.
Dentro da categoria, apenas os multimercados com foco em investimentos no exterior e multimercados estratégia específica conseguiram manter captação líquida positiva no semestre. Ainda assim, a rentabilidade média permaneceu abaixo do CDI (3,84%), o que ajuda a explicar a preferência dos investidores por produtos de renda fixa.
Fundos de participação mantêm trajetória consistente de expansão
Os Fundos de Investimento em Participações (FIPs), utilizados principalmente para investimentos em empresas e ativos de private equity, seguiram uma trajetória de crescimento ao longo do primeiro semestre. Diferentemente de outras categorias, os FIPs não registraram nenhum mês de captação líquida negativa nos últimos 12 meses, demonstrando uma demanda estável por esse tipo de estratégia.
O patrimônio líquido da categoria oscilou ao longo do período, encerrando junho em R$ 852,7 bilhões, enquanto as captações mensais permaneceram positivas, chegando a R$ 32,1 bilhões no mesmo mês de 2026.
A expansão também aparece na base de investidores. O número de contas passou de 245 mil em julho de 2025 para mais de 307 mil em um ano — crescimento de aproximadamente 25%. Já a quantidade de fundos aumentou de 1.969 para 2.123, alta próxima de 8%, indicando que o mercado continua lançando novos veículos voltados a investimentos de longo prazo e participação em empresas.
