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Renda FixaFIN
15/06/2026
4 min

Fundos de crédito perderam R$ 40 bilhões em 2026 — onde foi parar esse dinheiro?

Fundos de crédito perderam R$ 40 bilhões em 2026 — onde foi parar esse dinheiro?

Durante dois anos os fundos de crédito privado tiveram o melhor desempenho da indústria em termos de captação financeira e entrada de investidores. Mas esses dias acabaram. Em 2026, a indústria acumulou uma captação negativa, de R$ 40 bilhões.

Somente o mês de maio registrou um volume de resgates na ordem de R$ 25 bilhões, superando abril, até então o pior resultado do histórico da pesquisa Perspectiva de Crédito (com início em setembro de 2024), da Empiricus Research.

Essa saída dos investidores dos fundos de crédito começou em março, após os ativos performarem abaixo do índice de referência, o CDI. Na opinião dos gestores, para muitos investidores foi uma surpresa se deparar com um resultado abaixo do esperado — embora não necessariamente negativo.

Depois de tantos meses com resultados consistentemente positivos, os investidores estariam olhando para os fundos de crédito como ativos indexados ao CDI, similares a CDB, Tesouro Selic e afins.

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No entanto, no momento que os títulos de crédito privado começaram a registrar oscilações de preço e taxa, com reflexo no retorno dos fundos, a diferença ficou evidente.

Do crédito privado para…

A grande questão é: para onde foi o dinheiro que estava no crédito privado?

A Empiricus questionou 20 gestoras, que somam R$ 1 trilhão em patrimônio sob gestão no crédito privado. As respostas foram coletadas entre os dias 01 e 08 de junho.

As respostas foram concentradas (88,2%) em ativos de alta liquidez e baixíssimo risco.

  • 52,9% apontaram ativos de reserva de emergência (Tesouro Selic e fundos indexados ao CDI);
  • 35,3% indicaram CDBs, LCIs e LCAs de grandes bancos.

Basicamente, os investidores buscaram ativos com as características que eles atribuíam aos fundos de crédito antes da volatilidade iniciada em março.

O relatório da Empiricus destaca que nenhum gestor apontou migração relevante para ativos como Tesouro IPCA+, crédito privado sem isenção de imposto de renda (IR), fundos listados de infraestrutura ou ativos de risco, como ações e multimercados.

“O resultado reforça que os resgates parecem refletir mais um movimento defensivo de busca por liquidez e redução de volatilidade do que uma rotação direta para outras classes de risco”, diz o texto.

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O que acontece agora?

O primeiro ponto — e mais importante para os investidores — é a recuperação da performance dos fundos de crédito. Pelo menos 93% da indústria bateu o CDI em maio.

O sentimento dos gestores em relação ao risco e retorno com as debêntures, considerando o preço dos títulos e os fundamentos das empresas, melhorou ligeiramente em junho quando comparado com maio e abril.

A percepção sobre debêntures com ratings acima de AA- está acima de neutro, mais para o campo otimista. Já os papéis sem grau de investimento estão fora de cogitação.

Os gestores estão bastante conservadores em relação à posição de caixa, com um volume significativo de dinheiro em reserva. Na onda de resgates, essa posição de caixa foi providencial para muitas gestoras, que não precisaram de desfazer de um volume considerável de debêntures para pagar os investidores.

O caixa continua a ser prioridade, principalmente nas gestoras que precisam recompor essa reserva.

No mais, o entendimento é de que os prêmios de risco das debêntures incentivadas melhoraram um pouco (mas nem tanto), enquanto as debêntures tradicionais voltaram para o nível de taxa do começo do ano — pouco favorável.

Na prática, o momento não é o ideal para alocação. Os gestores seguem com títulos de vencimento mais curto e o carrego (retorno com os ativos da carteira, sem depender de oscilações de preço) abaixo da média histórica.

A nota positiva está no mercado secundário. Há uma expectativa de melhora no volume de negociações entre investidores, o que pode ajudar na normalização dos preços e na recomposição da demanda.

AutorMonique Lima
FonteSeu Dinheiro
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