Fundos imobiliários: Gestores elevam cautela e apontam setor promissor para os próximos 12 meses, mostra BTG
Os gestores de fundos imobiliários (FIIs) seguem construtivos com o mercado brasileiro, embora tenham adotado uma postura mais cautelosa para os próximos 12 meses, mostra pesquisa semestral realizada pelo BTG Pactual em parceria com a Empiricus Research.
Segundo o levantamento, o grau de confiança dos executivos perdeu força em relação à edição anterior, quanto estava no nível “otimista”, e passou a ficar apenas marginalmente acima do patamar considerado “neutro”.
Na avaliação dos analistas Daniel Marinelli e Caio Nabuco de Araujo, responsáveis pelo estudo, isso indica que os gestores continuam confiantes com o setor imobiliário, porém menos complacente com riscos.
O questionário do BTG também abordou o grau de confiança dos executivos em relação aos diferentes segmentos de FIIs. De acordo com a pesquisa, os fundos de logística seguem como a principal convicção dos gestores para o próximo ano.
Em contrapartida, o setor de renda urbana apresentou a maior deterioração de percepção e passou a figurar no campo pessimista do levantamento, ao lado dos veículos do agronegócio e do nicho residencial.
Juros e eleições no radar
A pesquisa também buscou identificar a opinião dos gestores sobre os importantes gatilhos para o mercado de fundos imobiliários nos próximos 12 meses.
No cenário macroeconômico, eleições, inflação e juros elevados foram os temas mais citados pelos executivos como potenciais alavancas para o desempenho da indústria.
Já do ponto de vista operacional, os principais motores esperados são:
- Desconto das cotas em relação ao valor patrimonial (P/VP);
- Reajuste e elevação dos aluguéis;
- Movimentos de fusões e aquisições (M&A).
Endividamento lidera preocupações
Quando questionados sobre os principais riscos para a indústria de FIIs, o endividamento dos veículos apareceu na liderança, citado por 34% dos participantes.
Na sequência, governança e inadimplência ficaram empatadas, com 27% das respostas cada, indicando preocupação tanto com a qualidade da gestão quanto com a capacidade de pagamento dos devedores dos fundos.
Crescimento deve ocorrer sem depender de ofertas públicas
A pesquisa também investigou como os gestores pretendem expandir seus portfólios ao longo do próximo ano. Segundo a análise, a preferência recai sobre estratégias menos dependentes de ofertas públicas de cotas, como a reciclagem de ativos e as emissões privadas.
Além disso, o estudo mostrou que não há consenso sobre o aumento de investidores estrangeiros na indústria: metade dos executivos observou avanço e metade, não.
Metodologia: O BTG enviou sete questões para um total de 41 gestoras de FIIs e obteve taxa de resposta de 54%. O período de coleta foi do dia 15 de junho até 24 de junho.
