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InvestMercadosFIN
08/07/2026
4 min

Fundos voltados à economia real somam R$ 62,7 bi em captação e atraem estrangeiros

Fundos voltados à economia real somam R$ 62,7 bi em captação e atraem estrangeiros

Mesmo em um cenário marcado por juros elevados, maior aversão ao risco e incertezas econômicas, os Fundos de Investimento em Participações (FIPs) e os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) continuam atraindo investidores. Segundo a Anbima, parte importante desse movimento tem sido sustentada pelo capital estrangeiro, que segue enxergando oportunidades de investimento de longo prazo no Brasil.

"Os estrangeiros continuam identificando oportunidades de investimento de longo prazo no Brasil, apesar de todo o cenário de riscos. Nos últimos 12 meses, os investidores internacionais responderam por cerca de 50% da captação líquida desses fundos, mostrando que esse público continua bastante relevante para a classe", afirmou Julya Wellisch, diretora da Anbima.

Os números da entidade, divulgados nesta quarta-feira, 8, reforçam esse movimento. No primeiro semestre, os FIPs mantiveram uma trajetória consistente de crescimento, sem registrar nenhum mês de captação líquida negativa nos últimos 12 meses. Foram captados R$ 32,1 bilhões no período, a terceira maior captação entre todas as classes, perdendo apenas pra renda fixa e ETFs.

O patrimônio líquido da classe, no entanto, encerrou junho em R$ 852,7 bilhões — frente ao R$ 1 trilhão de julho de 2025. Mas o número de investidores avançou cerca de 25% em um ano, passando de 245 mil em julho de 2025 para mais de 307 mil contas em maio de 2026. A quantidade de fundos também cresceu no mesmo período, de 1.969 para 2.123, alta próxima de 8%.

Já os FIDCs registraram captação líquida de R$ 30,6 bilhões entre janeiro e junho de 2026. Somados a FIPs e Fiagros, esses veículos responderam por quase R$ 68 bilhões da captação da indústria no semestre, evidenciando o interesse dos investidores por instrumentos ligados ao financiamento produtivo da economia.

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Mais recursos para empresas e infraestrutura

Para a Anbima, o crescimento dessas classes vai além do desempenho da indústria de fundos e representa um aumento da oferta de capital para empresas e projetos de longo prazo.

"A classe segue atraindo novos investidores e também novos gestores interessados em captar recursos e estruturar esse tipo de produto. Do ponto de vista da economia real, o FIP é o principal veículo utilizado para investimentos em private equity, infraestrutura e venture capital, o que o torna extremamente importante para o financiamento de empresas em diferentes estágios de desenvolvimento. Isso significa mais capital produtivo circulando na economia", afirmou Wellisch.

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Estrutura favorece visão de longo prazo

Na avaliação de Pedro Rudge, diretor da Anbima, uma das principais vantagens dos FIPs é justamente a possibilidade de investir sem a pressão dos resgates diários, característica típica dos fundos abertos.

"Esse é um tipo de fundo que consegue atuar de forma contracíclica. Como não precisa lidar com resgates a qualquer momento, diferentemente dos fundos abertos, o gestor tem mais liberdade para tomar decisões com foco no médio e no longo prazo”, diz.

O diretor da Anbima explica que a maturação desses investimentos costuma ocorrer em um horizonte de cinco anos ou mais. "O que permite aproveitar oportunidades justamente em períodos mais desafiadores do mercado e, potencialmente, entregar retornos mais interessantes", afirmou Rudge.

Wellisch também acrescenta que a própria estrutura dos FIPs permite que o gestor escolha o momento mais adequado para investir.

"Os aportes nos FIPs acontecem à medida que o gestor faz as chamadas de capital e identifica o momento mais adequado para realizar os investimentos. Se o cenário econômico não for favorável, ele pode adiar essas alocações e esperar uma janela mais propícia. Essa flexibilidade é uma das principais características desse tipo de veículo", disse a diretora da associação.

Na avaliação da entidade, essa combinação entre horizonte de investimento mais longo, menor pressão por liquidez e capacidade de financiar empresas explica por que os FIPs continuam atraindo recursos mesmo em um ambiente de juros elevados e maior cautela por parte dos investidores.

Ao lado dos FIDCs e dos Fiagros, a classe tem reforçado seu papel como um dos principais canais de financiamento da economia real.

AutorRebecca Crepaldi
FonteExame
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