Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
Fusão Afya-Yduqs pode gerar sinergias milionárias e criar líder no setor de medicina, mas fantasma do setor de educação ronda a operação

Uma eventual fusão da Afya (Nasdaq: AFYA) com a Yduqs (YDUQ3) pode criar uma gigante dos cursos de medicina no Brasil e ainda deixar a brasileira mais atraente na bolsa de valores.
A união pode trazer um ganho financeiro relevante. Com os cortes de despesas gerais e administrativas resultantes da união dos negócios e o consequente aumento do lucro, o valuation da Yduqs poderia ficar mais baixo, abrindo oportunidades para investidores, acredita o Itaú BBA.
Em relatório, o banco calculou o tamanho desse ganho e analisou onde as duas se sobrepõem.
Mas uma operação desse tamanho também ressuscita um velho fantasma do setor de educação: a tentativa de união entre Kroton, atual Cogna (COGN3), e Estácio, barrada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 2017.
Entenda o tamanho das sinergias previstas e qual o tamanho do problema de sobreposição entre as duas.
O tamanho das sinergias na fusão entre Afya e Yduqs
Com a combinação de negócios, o Itaú BBA acredita que a Yduqs pode cortar cerca de 20% das despesas gerais e administrativas, chamadas de G&A.
O ganho para a companhia seria de R$ 338 milhões por ano, calculou o Itaú BBA, em um cenário em que todas as sinergias previstas são capturadas.
No entanto, a operação poderia gerar um gasto tributário maior para a Yduqs, diz o Itaú BBA, de aproximadamente R$ 80 milhões por ano.
Após o impacto tributário, o benefício líquido estimado cairia para aproximadamente R$ 258 milhões por ano.
Se hoje o banco espera um lucro contábil de R$ 532 milhões para a Yduqs em 2027, com essas sinergias esse valor pode subir para R$ 790 milhões.
Com isso, a Yduqs passaria a negociar a um múltiplo preço/lucro (P/L) de 3 a 4 vezes o lucro estimado para 2027, mais atraente que o patamar atual, de 4 a 5 vezes .
O que aproxima Afya e Yduqs
As duas companhias têm um forte fator em comum: os cursos de medicina. Juntas, elas formariam a maior plataforma de ensino superior na área do país entre as empresas listadas na bolsa.
As empresas somam mais de 6.500 vagas anuais autorizadas em cursos de medicina : 4.447 cadeiras na Afya, em 32 campi, e 2.120 cadeiras para a Yduqs, espalhadas entre 19 campi. Enquanto a Afya tem 10,5% de todas as novas vagas em cursos de medicina do Brasil por ano, a Yduqs tem 5% desse total.
Segundo o Investnews, o interesse por uma fusão veio depois da revogação de um edital do programa Mais Médicos III, que abriria quase 6 mil vagas em cursos privados de medicina.
De um lado, a Afya, companhia controlada pelo grupo alemão Bertelsmann e negociada na Nasdaq, é líder em graduação médica no Brasil e te, cursos de pós-graduação e especialização na área, além de cursos de preparação para provas de residência médica.
Por outro lado, o negócio da Yduqs é mais diversificado: ela conta com as marcas Estácio, Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), Idomed (Instituto de Educação Médica), Wyden e Damásio, focada em cursos de direito.
A Afya trabalha com campi maiores e tem uma maior diversificação de receitas: as cinco cidades mais relevantes para ela representam apenas 29,8% de suas novas vagas por ano, ante 47,9% para a Yduqs.
O obstáculo para o Cade e o fantasma que ronda o setor
Grandes fusões e aquisições não são novidade no mercado de ensino superior. Afinal, foi assim que a Yduqs atingiu o seu tamanho atual. Já a Afya nasceu da junção da NRE Educacional com a Medcel, em 2019.
E, como em outras fusões, a sobreposição dos negócios pode ser um ponto de atenção para os investidores e para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Há motivo para isso: uma megafusão anunciada há cerca de dez anos acabou não indo para frente por receio de monopólio. Em 2017, o Cade barrou a compra da Estácio pela Kroton, hoje Cogna, anunciada um ano antes e que poderia criar uma das maiores empresas de educação superior do mundo.
A Estácio também era cobiçada pela concorrente Ser Educacional na ocasião. Dois anos depois, a própria Estácio passou para o outro lado das operações de M&A com algumas incorporações e mudou de nome para Yduqs.
No caso de Afya e Yduqs, porém, o Itaú BBA vê uma sobreposição menor. Há apenas três cidades com unidades dos dois grupos, o que gera complementariedade regional entre elas.
A sobreposição aumenta, porém, quando a análise deixa de considerar apenas os municípios e passa a incluir instituições localizadas em um raio maior.
O Itaú BBA acredita que esse não é um problema nacional, mas concentrado em algumas áreas. Em áreas próximas a Teresina, no Piauí, Ji-Paraná, em Rondônia, e a Grande Rio de Janeiro, as duas companhias têm cerca de 50% de participação de mercado em vagas anuais, considerando um raio de 50 km, o que poderia chamar a atenção do Cade, acredita o banco.
Em outras operações do tipo, o órgão antitruste ofereceu soluções como vendas de operações em regiões em que poderia haver uma grande concentração de mercado, diz o Itaú BBA, "no lugar de remédios mais amplos que poderiam afetar a combinação em âmbito nacional", afirmou o banco.
O que fazer com as ações de Afya e Yduqs
Para o Itaú BBA, as duas ações têm recomendação de outperform, semelhante à compra, o que significa que elas devem ter um desempenho médio acima de outras do setor.
O Itaú também rolou o preço-alvo para 2026 de ambas para o final de 2027. O preço-alvo para Yduqs é de R$ 16, potencial de alta de 50,9%, e para a Afya de US$ 18, com potencial para subir 32,4%.
