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InvestMercados
18/09/2026
4 min

Fusão Paramount-Warner poderá receber 49,5% de capital do Oriente Médio

FCC aprova participação de fundos da Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi na nova companhia, mas fusão ainda depende de processo antitruste

Fusão Paramount-Warner poderá receber 49,5% de capital do Oriente Médio

A fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery avançou nesta quinta-feira, 18, após aComissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) aprovar a possibilidade de entidades estrangeiras deterem até 49,5% do capital da companhia combinada caso a operação seja concluída.

A autorização envolve fundos soberanos da Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi, que participam do negócio. A FCC concluiu que não há risco de controle estrangeiro das emissoras porque esses investidores não terão ações com direito a voto.

A decisão, porém, não significa que a fusão esteja liberada. A transação, avaliada em US$ 111 bilhões, continua sob análise judicial nos Estados Unidos em um processo antitruste movido pela Califórnia e outros 11 estados.

A Paramount é proprietária de 28 emissoras de televisão nos Estados Unidos. Por isso, precisa da aprovação da FCC para receber participação estrangeira superior a 25%.

A companhia havia pedido autorização para que investidores estrangeiros pudessem deter até 49,5% da participação acionária depois da compra da Warner. O pedido também previa a possibilidade de a fatia chegar a 100% no futuro, caso sejam necessários novos investimentos.

Nesse caso, porém, seria necessária uma nova autorização da FCC para que os investidores passassem a deter ações com direito a voto.

A comissão afirmou ter aceitado o argumento da Paramount de que os investidores estrangeiros não terão influência ou controle sobre as decisões envolvendo as emissoras licenciadas.

Quem são os investidores estrangeiros?

Os investidores envolvidos são fundos soberanos de Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi. A participação desses países provocou questionamentos sobre segurança nacional e possível influência estrangeira sobre uma das maiores companhias de mídia dos Estados Unidos.

A Paramount afirmou que a família Ellison e a RedBird Capital Partners terão 100% das ações com direito a voto da empresa resultante da operação.

Em comunicado, a companhia também defendeu que a combinação com a Warner daria escala e recursos para competir, investir e inovar em um setor pressionado pelas grandes empresas de tecnologia.

A operação já havia gerado controvérsia entre profissionais de Hollywood. Em abril, mais de 1.000 atores, diretores, roteiristas e outros profissionais assinaram uma carta aberta contra a aquisição, citando riscos de concentração no setor.

Entre os argumentos dos críticos está a possibilidade de a combinação resultar em menos filmes, menos empregos e menos opções para criadores e público.

Fusão Paramount-Warner ainda depende da Justiça

A aprovação da FCC resolve apenas a questão relacionada à participação estrangeira. A fusão entre Paramount e Warner ainda não foi concluída.

O negócio, avaliado em US$ 111 bilhões, é contestado em uma ação antitruste apresentada pela Califórnia e outros 11 estados americanos. O julgamento está marcado para 2 de março de 2027 e deverá durar 12 dias.

A disputa judicial começou depois que autoridades estaduais questionaram os efeitos da operação sobre a concorrência no mercado de filmes e televisão. A contestação também é acompanhada por autoridades como o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta.

A empresa também concordou em adiar a conclusão da fusão até junho de 2027

Qual seria o tamanho da Paramount-Warner?

Segundo as alegações apresentadas no processo, a empresa formada pela união de Paramount e Warner passaria a controlar 27% do mercado de filmes com amplo lançamento nos cinemas e mais de 30% dos chamados blockbusters.

Com a conclusão da operação, quatro empresas concentrariam mais de 90% desse mercado: a nova Paramount-Warner, Walt Disney, Universal e Sony Pictures Entertainment.

Os críticos da operação afirmam que a concentração poderia reduzir a concorrência e a produção de conteúdo. A Paramount sustenta que a combinação ampliaria a capacidade de investimento e permitiria financiar mais projetos.

A companhia também apresentou a promessa de produzir ao menos 30 filmes de longa-metragem por ano com lançamento completo nos cinemas, além de continuar licenciando conteúdo e preservar marcas com liderança criativa independente.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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