Futuros de Wall Street caem com pressão sobre chips e Samsung

Wall Street amanheceu dividida nesta terça-feira, 7. Enquanto os contratos futuros do Dow Jones avançavam 0,2%, os do S&P 500 recuavam 0,1% e os do Nasdaq 100 cediam 0,9%, pressionados por uma nova rodada de vendas no setor de semicondutores após a forte reação negativa ao balanço da Samsung.
O movimento começou na Ásia, com a Samsung caindo quase 7%, mesmo após divulgar lucro recorde no segundo trimestre, reacendendo dúvidas sobre o ritmo dos investimentos em IA. A pressão se espalhou para o restante do setor, com Micron, KLA, Marvell, Nvidia, Broadcom e AMD registrando perdas no pré-mercado.
Para o fundador da Vital Knowledge, Adam Crisafulli, a reação à Samsung expõe um dos principais riscos para os mercados nas próximas semanas. Na avaliação dele à CNBC, as expectativas dos investidores em torno da IA estão muito maiores do que estavam no início do ano, exigindo cada vez mais.
O chefe de estratégia da Panmure Liberum, Joachim Klement, acrescentou que o mercado não espera mais apenas resultados robustos, é preciso ampliar as expectativas. "Os investidores adotaram agora uma mentalidade de esperar resultados acima do previsto e a elevação das projeções", disse à Bloomberg.
O movimento ocorre um dia depois de Wall Street renovar máximas históricas. Na segunda-feira, 6, o Dow Jones fechou acima dos 53 mil pontos pela primeira vez, enquanto o Nasdaq Composite avançou mais de 1%, impulsionado justamente pela recuperação das ações de semicondutores.
Nem todos veem motivo para pânico
Outro fator que também pesa sobre as empresas de tecnologia hoje é a entrada da SpaceX no Nasdaq 100. O rebalanceamento deve levar fundos passivos a vender parte de suas posições em outras companhias do setor para abrir espaço à nova integrante, complementou Klement.
Mas a leitura sobre a queda das fabricantes de chips, porém, está longe de ser consenso. A chefe de pesquisa de ações da State Street Global Markets, Marija Veitmane, avaliou que a correção no segmento vinculado à IA representa uma oportunidade de compra.
Isso porque o próprio balanço da Samsung reforça que a demanda por infraestrutura ligada à IA continua forte, sustentando um nível de rentabilidade difícil de encontrar em outros setores da economia.
Também há sinais de uma redistribuição dos recursos dentro da própria tecnologia. Enquanto fabricantes de chips recuavam, Amazon e Alphabet avançavam no pré-mercado, e a Microsoft subia 1,5%, impulsionando o setor de software, de acordo com dados da Bloomberg.
Petróleo em alta pressiona os juros
Ataques a embarcações nas proximidades do Estreito de Ormuz reacenderam, ainda, preocupações com o fornecimento global de energia e impulsionaram o preço do petróleo. O Brent avançava 1,07%, para US$ 72,76 por barril, e o West Texas Intermediate (WTI) subia 0,93%, a US$ 69,15.
Essa alta reforçou as apostas de que os juros permanecerão altos por mais tempo. O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) de dez anos subia para 4,49%. Na Alemanha, o retorno dos títulos de dez anos avançava para 2,97%. No Reino Unido, ia para 4,81%.
Já no mercado de câmbio, o iene se valorizava levemente e era negociado perto de 161,90 por dólar, enquanto a moeda estadunidense operava sem direção única frente aos principais pares globais. O ouro à vista, por sua vez, recuava 0,48%, a US$ 4.145,81.
