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Sacre Investimentos
Economia
24/07/2026
3 min

Galípolo afirma que Selic alta nem sempre beneficia o mercado financeiro

Galípolo afirma que Selic alta nem sempre beneficia o mercado financeiro

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira, 24, que a ideia de que uma taxa Selic elevada beneficia automaticamente os participantes do mercado financeiro não encontra respaldo nem na lógica nem na prática.

"A ideia de que taxas de juros são benéficas para todos os participantes ou para os participantes do mercado financeiro não se comprova nem do ponto de vista empírico, nem do ponto de vista lógico", disse Galípolo durante participação na Expert XP, em São Paulo.

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e funciona como o principal instrumento de política monetária do Banco Central. Definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), o aumento da taxa leva o crédito tende a ficar mais caro, reduzindo o consumo e desacelerando a atividade econômica.

Em contrapartida, aplicações de renda fixa costumam oferecer retornos mais elevados, enquanto empresas enfrentam maior custo para captar recursos e investir. Por esse motivo, uma crítica comum à Selic alta é que a medida favorece o acúmulo de capital inerte e operadores de capital especulativo.

Galípolo diz que Boletim Focus não é usado para manipulam Copom

Segundo o presidente do BC, também é incorreta a interpretação de que instituições financeiras enviam projeções deliberadamente elevadas ao Boletim Focus para influenciar as decisões do Copom e manter os juros em patamar elevado.

Galípolo classificou essa crítica como uma forma de desinformação e afirmou que o Banco Central ampliou as fontes de informação utilizadas na formulação da política monetária. Como exemplo, citou o relatório Firmus, que reúne projeções econômicas de empresas para os próximos anos.

"Essa crítica vem muitas vezes de um lugar de entender que podem membros do mercado, que respondem ao Focus, ter alguma intenção de induzir ou influenciar a política do mercado", afirmou o presidente do BC. "Curiosamente, o que se costuma dizer é que, se forem ouvidos os membros de fora do mercado financeiro, provavelmente as projeções viriam com dados mais baixos. Isso não é verdade"

IA pode pressionar inflação no curto prazo

Durante o evento, Galípolo também avaliou que a expansão da inteligência artificial (IA) tende a produzir um impacto inflacionário no curto prazo, em razão do aumento dos investimentos globais em tecnologia e infraestrutura.

"Inicialmente, a IA é inflacionária, porque pressiona o Capex (despesa de capital), pressiona o investimento. Isso gera uma pressão inicial, uma inflação inicial", afirmou.

O presidente do Banco Central também comentou o crescimento do crédito no Brasil. Segundo ele, o aumento do endividamento das famílias está concentrado principalmente em modalidades sem garantia, como o crédito rotativo do cartão.

Galípolo afirmou que, após a pandemia, houve uma expansão global do uso dos cartões de crédito, movimento que foi ainda mais intenso no Brasil em razão do avanço da inclusão financeira. Segundo ele, muitos consumidores migraram de linhas de crédito mais baratas para modalidades com juros mais elevados.

"Essa é uma dívida pouco sensível à política monetária. Quando você olha para os níveis de taxa de juros pagos, ela está pagando 15% ao mês, não ao ano", disse.

Com O Globo

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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