Galípolo vê economia brasileira mais resiliente após tarifaço e guerra no Oriente Médio

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira, 3, que a economia brasileira se mostrou relativamente mais protegida do que outros países diante dos choques recentes provocados pelo tarifaço dos Estados Unidos e pelo conflito entre Irã e Israel.
Durante participação remota no 14º Fórum de Lisboa, Galípolo destacou que a diversificação dos parceiros comerciais e o peso do consumo doméstico ajudaram o Brasil a absorver melhor os impactos externos.
“Não quero dizer que a economia brasileira está melhor com esses choques do que sem os choques. Mas, a partir deles, comparando aos seus pares, a economia passa a ficar mais protegida”, afirmou.
Segundo ele, nos últimos seis anos a economia global enfrentou quatro grandes choques, que elevaram o nível de preços e aumentaram o custo de vida em diversos países. Nesse cenário, o Brasil acabou sendo visto pelos investidores como uma economia menos vulnerável.
Produtividade preocupa e pressiona inflação
Galípolo também associou a inflação brasileira à dificuldade histórica do país em elevar sua produtividade.
De acordo com o presidente do BC, o Brasil vive um momento de crescimento econômico, renda recorde e desemprego em níveis baixos, mas ainda enfrenta o desafio de sustentar a expansão por meio de ganhos de eficiência.
“A ausência de ganhos de produtividade bastante evidentes na nossa economia é um ponto preocupante”, afirmou.
Ele acrescentou que a incorporação da inteligência artificial poderá contribuir para aumentar a produtividade no futuro e reduzir pressões inflacionárias, embora os efeitos ainda não sejam imediatos.
Tarifaço e guerra tiveram impacto limitado
Ao comentar as tarifas impostas pelos Estados Unidos a diversos parceiros comerciais, Galípolo avaliou que a menor dependência brasileira da economia americana ajudou a amortecer os efeitos das medidas.
O presidente do BC também minimizou os impactos econômicos do conflito no Oriente Médio, afirmando que a posição do Brasil como exportador de commodities contribuiu para reduzir os efeitos do choque externo sobre a atividade doméstica.
