Garotinho desiste de recurso e segundo turno pelo governo do RJ pode ser cancelado com Douglas Ruas (PL) eleito
Decisão para governador no RJ foi acirrada no domingo (4) e população agora aguarda veredito do TSE sobre a necessidade de um segundo turno

Nas urnas de domingo (4), houve um feito histórico: pela primeira vez, 20 estados brasileiros decidiram o governador ainda no primeiro turno. Porém, esse número pode saltar para 21 devido ao possível cancelamento da segunda rodada de votações no Rio de Janeiro.
O motivo para essa reviravolta pode ser a desistência do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) de um recurso que havia apresentado ao TSE contra o indeferimento da candidatura nas eleições.
Ele concorreu nas urnas de domingo em situação “sob júdice”. Os votos foram contabilizados, mas podem ser desconsiderados e levar a um recálculo da votação.
Até então, Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) vão disputar o segundo turno da eleição para governador, em 25 de outubro.
Ao contrário do que mostravam as pesquisas eleitorais, Ruas recebeu 49,27% dos votos, e Paes ficou com 42,76%.
No entanto, se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) optar por anular os votos de Garotinho, a disputa do governo do Rio pode ser encerrada antes da próxima rodada.
Isso levaria a uma vitória imediata do candidato do PL, que é o mesmo partido do senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência que vai ao segundo turno com vantagem sobre Lula.
Por que Garotinho está sendo julgado?
Garotinho tem 66 anos e é natural de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Ele é jornalista e radialista, já foi prefeito de Campos duas vezes e renunciou ao cargo em 1998 para concorrer ao governo do Rio.
Na época, ganhou as eleições e se tornou governador entre 1999 e 2002.
Depois chegou a ser deputado federal pelo Rio em 2010 e, no último domingo (4), tentou voltar ao cargo de governador novamente.
No entanto, a candidatura de Garotinho acumulou alguns entraves.
Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu a candidatura de Garotinho por uma condenação de improbidade administrativa, que tornou o candidato inelegível em 2018.
O processo envolve um suposto esquema de fraudes e desvio de recursos na Secretaria de Estado de Saúde entre 2005 e 2006. Nesse período, o estado era comandado por Rosinha Garotinho, esposa do candidato.
Para concorrer nas urnas de 2026, o candidato pelo Republicanos levou o caso ao TSE com um recurso.
Porém, nesta segunda-feira (5), Garotinho anunciou a desistência desse recurso que havia sido apresentado.
No domingo (4), ele recebeu 3,17% dos votos, que podem ser anulados após Garotinho voltar atrás.
Sem esses votos, deve haver uma recontagem nos votos válidos, o que levará Douglas Ruas a um percentual acima de 50% e, consequentemente, à eleição no primeiro turno.
Por enquanto, o segundo turno se mantém, mas o TSE deve dar mais detalhes sobre o caso em breve.
Impasse no Rio de Janeiro
Desde março, o Rio é governado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Ricardo Couto de Castro.
O magistrado assumiu após a renúncia do então governador, Cláudio Castro, que, em seguida, foi considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por oito anos, contados a partir de 2022.
Castro foi condenado por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O caso envolveu a contratação de milhares de funcionários temporários por fundações estaduais e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para atuar como cabos eleitorais.
Na ocasião, o cargo de vice-governador estava vago: Thiago Pampolha (MDB) havia deixado o posto para se tornar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
A condenação também atingiu Pampolha e o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), que era o próximo na linha sucessória e acabou perdendo o cargo.
Ruas foi eleito para comandar a Assembleia e recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para assumir o governo estadual. O ministro Cristiano Zanin, porém, manteve o presidente do TJ-RJ à frente do Executivo.
Além da decisão para governador, a discussão sobre uma eleição direta ou indireta para preencher o restante do mandato de Castro, contudo, diz respeito ao período anterior à posse do próximo governador.
Quem é Douglas Ruas?
Douglas Ruas, que pode vencer a disputa no Rio antes do segundo turno, é inspetor licenciado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, também do PL.
Entre 2021 e 2022, foi secretário de Gestão Integrada e Projetos Especiais do município. Nas eleições de 2022, conquistou uma cadeira de deputado estadual.
Em 2023, assumiu a Secretaria de Estado das Cidades na gestão de Cláudio Castro. Retornou à Alerj em março de 2026, quando foi eleito presidente da Casa e tentou, sem sucesso, assumir o mandato-tampão no governo estadual após a renúncia de Castro.
Confira a apuração do Rio de Janeiro:
