Gasolina, diesel e gás de cozinha mais caro em 2027; veja qual será a alta e impacto no IPCA
Confaz aprova alta do ICMS: gasolina sobe R$ 0,07, diesel R$ 0,13 e gás de cozinha R$ 0,07 por quilo em 2027.

RESUMO +
O ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha terá aumento a partir de 1º de fevereiro de 2027, conforme reajuste aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). O imposto subirá R$ 0,07 por litro de gasolina, R$ 0,13 por litro de diesel e R$ 0,07 por quilo de gás de cozinha. Se os valores forem integralmente repassados, o impacto será de R$ 3,50 em um tanque de 50 litros de gasolina e de R$ 0,91 em um botijão de 13 quilos. O reajuste segue uma regra estabelecida em 2022 e também poderá afetar os custos de transporte e os preços de mercadorias.
Gasolina, diesel e gás de cozinha vão ficar com mais imposto a partir de segunda-feira, 1º de fevereiro de 2027. O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) aprovou a atualização anual do ICMS sobre os três produtos na terça-feira, 27.
Os convênios ICMS 127/2026 e 128/2026 foram publicados no Diário Oficial da União na quarta-feira, 28.
Pelos novos valores, o imposto sobe R$ 0,07 por litro na gasolina, R$ 0,13 por litro no diesel e R$ 0,07 por quilo no gás de cozinha.
O aumento pode chegar aos postos, às revendas de gás e, no caso do diesel, ao frete das mercadorias. Mas o efeito no preço final tende a ser bem menor do que o percentual do reajuste do imposto, como mostram as contas abaixo.
O reajuste também não tem relação com a eleição presidencial de 2026. A regra vem de uma lei de 2022, e o valor é definido pelos estados.
Qual será a alta de cada combustível?
| Combustível | Alíquota atual | A partir de fev/27 | Alta em $ | Alta em % |
| Gasolina e etanol anidro | R$ 1,57 por litro | R$ 1,64 por litro | R$ 0,07 | 4,5% |
| Diesel e biodiesel | R$ 1,17 por litro | R$ 1,30 por litro | R$ 0,13 | 11,1% |
| Gás de cozinha (GLP) | R$ 1,47 por quilo | R$ 1,54 por quilo | R$ 0,07 por quilo | 4,8% |
Quanto isso pesa no preço final e na inflação?
O ICMS é apenas uma das parcelas do preço. Também entram os custos de produção, de distribuição e de transporte, as margens de cada revendedor e o preço praticado pela Petrobras nas refinarias.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a gasolina custava em média R$ 6,53 por litro na semana encerrada no sábado, 17 de outubro. O botijão de 13 quilos saía por R$ 114,73.
Se o aumento fosse repassado integralmente, os R$ 0,07 a mais na gasolina representariam cerca de 1,1% do preço médio do litro. No botijão, os R$ 0,91 equivaleriam a cerca de 0,8%.
No diesel S10, que custava R$ 7,13 por litro na semana de 13 a 19 de setembro, segundo a ANP, os R$ 0,13 representariam cerca de 1,8%.
A Warren Rena divulgou na quarta-feira, 28, uma projeção do efeito sobre a inflação. Segundo o relatório, o impacto no IPCA será de 6 pontos-base na gasolina, 1 no diesel e 1 no gás de cozinha. Cada ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual.
Somados, são 0,08 ponto percentual. A casa afirma que o efeito já está incorporado às suas projeções.
Como o reajuste pode afetar a cadeia produtiva?
A principal preocupação está no diesel. O combustível move caminhões e ônibus, e o transporte rodoviário carrega a maior parte das mercadorias do país.
Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o diesel representa cerca de 35% do custo operacional de uma empresa de transporte de carga.
A pesquisa CNT Perfil Empresarial, divulgada em 2022, mostrou que 99% das empresas do setor usam o combustível e que 82,3% o apontam como a maior dificuldade da operação.
Em um cálculo simples, se o aumento de 1,8% no preço do diesel fosse repassado por completo, o custo operacional das transportadoras subiria cerca de 0,6%. É uma simulação, que considera a média de 35% do custo.
Quando o custo sobe, o frete pode subir junto. A CNT defende que os reajustes do diesel sejam repassados ao valor do frete e, depois, ao consumidor final.
O repasse não é automático e depende de cada empresa e de cada contrato. Na prática, alimentos, materiais de construção e outros produtos transportados por caminhão podem ficar um pouco mais caros.
E no bolso do trabalhador?
Para quem abastece o próprio carro, o impacto é pequeno, mas existe. Em um tanque de 50 litros, o imposto a mais soma R$ 3,50 se for repassado por inteiro.
Quem depende do veículo para trabalhar, como motoristas de aplicativo e entregadores, sente o litro com mais força, porque abastece com frequência.
No gás de cozinha, uma família que usa um botijão por mês pagaria cerca de R$ 11 a mais ao longo de um ano, se o valor chegar integralmente ao consumidor.
O efeito indireto também conta. A gasolina é o subitem de maior peso no IPCA, segundo o IBGE, e o diesel influencia o preço de produtos que chegam ao mercado por caminhão.
Quando a lei foi proposta e por que o imposto é fixo?
A mudança começou a ser desenhada em 2020, com o projeto de lei complementar 11/2020, do deputado Emanuel Pinheiro Neto (PTB-MT). O Senado aprovou um substitutivo na quinta-feira, 10 de março de 2022.
A Lei Complementar 192 foi sancionada na sexta-feira, 11 de março de 2022, pelo então presidente Jair Bolsonaro, sem vetos.
A Constituição já previa, desde a Emenda 33, de 2001, que uma lei complementar poderia definir os combustíveis com ICMS cobrado uma única vez.
Antes da lei, o imposto era um percentual que variava de estado para estado e incidia sobre o preço médio nas bombas. Hoje, o ICMS dos combustíveis é um valor fixo por litro ou por quilo, igual em todo o país.
Como o valor é fixo, o Confaz o atualiza uma vez por ano. A metodologia compara os preços médios mensais da ANP de fevereiro a setembro de 2026 com os do mesmo período de 2025.
Quando o novo modelo começou, em 2023, a gasolina pagava R$ 1,22 de ICMS por litro. Agora, são R$ 1,64.
