Gasparino renuncia ao conselho da Vale (VALE3) após destituição por vazamento

A Vale (VALE3) comunicou ao mercado nesta segunda-feira, 27, que recebeu a carta de renúncia de Marcelo Gasparino da Silva aos cargos de membro e de vice-presidente do conselho de administração da companhia. Segundo a mineradora, a saída terá efeitos a partir de 1º de agosto de 2026.
Na semana passada, Gasparino foi derrotado na disputa pela presidência do colegiado e teve sua destituição aprovada pelo próprio conselho por vazamento de informações confidenciais.
Da derrota na eleição à saída do conselho
Na quarta-feira, 22, os acionistas da Vale elegeram o português Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como "Ollie", para a presidência do conselho de administração da mineradora. Ele já integrava o colegiado e teve o apoio da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e acionista de referência da companhia.
Ollie recebeu 1,97 bilhão de votos favoráveis, 105 milhões de votos contrários e 1,42 bilhão de abstenções. Gasparino, então vice-presidente do conselho, obteve 1,06 bilhão de votos favoráveis, 1,18 bilhão de votos contrários e 1,25 bilhão de abstenções.
Na mesma assembleia, a executiva Ieda Gomes foi eleita para a vaga aberta no colegiado com 2,4 bilhões de votos favoráveis, superando José Maurício Coelho, ex-presidente da Previ, que recebeu 628,5 milhões de votos favoráveis. Ieda ocupará a cadeira deixada por Daniel Stieler até a assembleia de 2027.
Destituição por vazamento antecipou a renúncia
O conselho de administração aprovou a destituição de Gasparino na própria quarta-feira. A medida foi justificada, em fato relevante, pelo vazamento de informações confidenciais relativas à reunião do colegiado realizada em 19 de junho.
Segundo a Vale, a decisão teve como base uma apuração conduzida por escritório externo independente, contratado por deliberação do conselho. A investigação confirmou o vazamento e o classificou como desvio de conduta nos termos da Política de Gestão de Desvios de Conduta da companhia.
O conselho acompanhou recomendações do Comitê de Auditoria e Riscos (CARE) e da Diretoria de Auditoria e Conformidade. Gasparino também foi afastado dos comitês de assessoramento dos quais fazia parte.
Com a renúncia formalizada nesta segunda-feira, Gasparino antecipa a própria saída antes que o rito fosse concluído.
A manifestação da Vale antes da assembleia
Antes da realização da assembleia, a Vale também se manifestou sobre a disputa. Em resposta a um pedido de esclarecimentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia afirmou que a Previ não formalizou a indicação de um candidato à presidência do conselho, mas apenas declarou apoio a Ollie.
Segundo a mineradora, na reunião do colegiado realizada em 19 de junho, Ollie e Gasparino se apresentaram voluntariamente como candidatos, e ambos os nomes foram encaminhados por unanimidade pelo conselho para deliberação dos acionistas.
