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NegóciosMPOL
29/10/2026
9 min

Gelateria aposta em franquias e sabores da Amazônia para chegar às 100 lojas no Brasil

Com investimento inicial a partir de R$ 130 mil, rede quer ampliar a presença em São Paulo antes de avançar para outros mercados

Gelateria aposta em franquias e sabores da Amazônia para chegar às 100 lojas no Brasil
RESUMO +

A rede paraense de gelaterias Damazônia, fundada em 2010 por Carlos Ferreira, pretende passar de 15 para 100 unidades até 2030, com foco na expansão por franquias. A empresa, que faturou R$ 5 milhões em 2025, oferece modelos a partir de R$ 130 mil e aposta em gelatos com ingredientes brasileiros, principalmente amazônicos.

Enquanto redes como Bacio di Latte e Borelli construíram suas marcas em torno da tradição italiana, uma gelateria nascida em Belém, no Pará, quer conquistar consumidores com uma proposta diferente: utilizar as técnicas do gelato italiano para valorizar sabores brasileiros, principalmente os ingredientes da Amazônia.

Fundada em 2010 pelo empresário Carlos Ferreira, a Gelateria Damazônia faturou R$ 5 milhões em 2025 e iniciou uma nova etapa de expansão. Com 15 unidades distribuídas entre Pará, São Paulo e Rio de Janeiro, a empresa pretende chegar a 100 operações até 2030, quase sete vezes o tamanho atual da rede.

Para alcançar a meta, a companhia decidiu reduzir o ritmo de abertura de lojas próprias e concentrar os investimentos na expansão por franquias. Os modelos disponíveis exigem aportes a partir de R$ 130 mil, enquanto a empresa projeta crescimento de 10% em 2026 e de 25% em 2027.

"Construímos uma base sólida com lojas próprias e entendemos que o franchising é o melhor modelo para levar a marca para outras regiões do Brasil", afirma Ferreira, fundador da Damazônia.

O plano inclui fortalecer a presença na capital paulista, avançar para cidades próximas e, posteriormente, ampliar a atuação no Rio de Janeiro. Em paralelo, o empresário negocia a primeira operação internacional da marca, em Portugal.

Como nasceu a Gelateria Damazônia

A história da Damazônia começou antes da abertura de sua primeira gelateria. Ferreira passou sete anos trabalhando em uma empresa familiar e, em 1992, abriu seu primeiro negócio, uma distribuidora de produtos domésticos da Santa Marina.

A operação dependia diretamente da indústria fornecedora. Quando as condições comerciais mudaram, o empresário precisou buscar outra atividade.

Em 2000, fundou a Damazônia Chocolate, empresa que produzia chocolates com ingredientes amazônicos e os comercializava para grandes varejistas, como Pão de Açúcar e Carrefour, além de redes de lojas em aeroportos.

O negócio funcionou até 2010, mas trouxe uma dificuldade semelhante à anterior: a dependência de grandes parceiros comerciais, dessa vez os varejistas.

"Eu disse: cara, eu quero ser indústria e eu quero ser varejo. Porque aí eu vou tirando toda a intermediação", conta Ferreira.

Foi dessa decisão que nasceu a Gelateria Damazônia, em Belém. A proposta era controlar tanto a produção quanto a venda ao consumidor final.

A empresa cresceu inicialmente no Pará, onde mantém oito unidades. A expansão para fora do estado começou em julho de 2024, com a inauguração de uma loja na Rua Bela Cintra, na região dos Jardins, em São Paulo.

Desde então, a rede chegou a outros bairros paulistanos e ao Rio de Janeiro, onde mantém uma operação no complexo turístico do Cristo Redentor.

Expansão por franquias: rede paraense quer passar de 15 para 100 unidades até 2030.

Como a marca pretende disputar espaço com Borelli e Bacio di Latte

A expansão acontece em um mercado dominado por empresas significativamente maiores.

A Gelato Borelli, fundada em Ribeirão Preto em 2013, projeta encerrar 2026 com 300 lojas e faturamento de R$ 650 milhões. A rede aposta em franquias e em uma estrutura industrial própria para sustentar a abertura de novas operações.

Já a Bacio di Latte, criada em São Paulo em 2011 por empreendedores italianos, pretende alcançar R$ 1,5 bilhão em receita neste ano. Em maio, a companhia informava possuir 240 lojas físicas no mundo e mais de 12 mil pontos de venda. Diferentemente da Borelli, mantém suas lojas sob operação própria.

A Damazônia ainda é pequena diante dessas concorrentes, mas pretende competir por meio da diferenciação do cardápio.

Enquanto Borelli e Bacio di Latte exploram a tradição italiana em sua identidade e em parte de seus produtos, a empresa paraense quer associar o gelato a ingredientes brasileiros.

A técnica de produção é semelhante à utilizada pelas gelaterias italianas. A diferença aparece nas receitas: doce de leite com cumaru, tapioca com pistache, queijo Canastra com doce de leite mineiro e bolo de rolo são algumas das combinações oferecidas.

O sabor "Encontro das Águas", por exemplo, combina gelato de tapioca com creme de pistache. Já o "Chuva da Tarde" reúne tapioca e doce de leite.

Ferreira explica que a estratégia não significa trabalhar exclusivamente com ingredientes amazônicos. A ideia é incorporar referências gastronômicas de diferentes regiões do país para alcançar públicos maiores.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (ABIS), o mercado brasileiro reúne aproximadamente 11 mil empresas e movimenta mais de R$ 15 bilhões por ano. A Abrasorvete, por sua vez, projeta crescimento de 16,3% no faturamento do setor em 2026.

Quanto custa abrir uma franquia da Damazônia

O modelo de franquias será o principal motor da próxima etapa de crescimento.

Atualmente, das 15 unidades da rede, 12 são próprias e três funcionam por meio de contratos de franquia, incluindo uma operação com características específicas no Cristo Redentor, no Rio, cujo investimento foi realizado pela própria companhia.

A Damazônia trabalha com dois formatos principais: quiosques, com investimento inicial a partir de R$ 130 mil, e lojas, a partir de R$ 250 mil.

Segundo a empresa, o faturamento mensal estimado varia de R$ 50 mil a R$ 60 mil nos quiosques e de R$ 70 mil a R$ 90 mil nas lojas.

O prazo previsto para recuperação do investimento é de 24 a 36 meses, de acordo com o material da rede. Na entrevista, Ferreira trabalha com uma estimativa mais restrita, de 24 a 30 meses, e rentabilidade mensal projetada em torno de 15%.

A experiência da primeira franquia no bairro do Ipiranga, em São Paulo, ajudou a reforçar a confiança do empresário no formato.

De acordo com Ferreira, a unidade atingiu o ponto de equilíbrio já no primeiro mês de funcionamento. A loja própria da Bela Cintra, por outro lado, levou seis meses para alcançar essa condição. O empresário acredita que o franqueado do Ipiranga poderá recuperar o capital investido em um período de 16 a 18 meses.

De onde vêm os produtos vendidos nas lojas

Uma parte importante da estratégia da Damazônia está no controle da produção.

A empresa mantém estruturas produtivas em Belém e São Paulo. Na capital paulista, a unidade da Bela Cintra funciona também como base de abastecimento para as demais lojas da região e para a operação do Rio de Janeiro.

Segundo Ferreira, a empresa já adquiriu equipamentos para uma segunda estrutura de produção em São Paulo, que poderá funcionar na unidade de Moema.

A decisão está relacionada à logística dos gelatos, que precisam ser transportados e armazenados em temperaturas controladas. Por isso, a expansão por franquias não significa que cada novo operador terá de fabricar os produtos.

"Estamos dando prioridade até para não aumentar muito o grau de complexidade do negócio. Que o franqueado se preocupe mais com a comercialização e a gente com a produção", explica o empresário.

Uma loja com estrutura própria de fabricação exigiria investimento próximo de R$ 600 mil, segundo Ferreira, valor superior ao necessário para os modelos comerciais priorizados pela empresa.

A Damazônia também trabalha com diferentes tipos de ponto comercial, incluindo lojas de rua, shoppings e centros comerciais abertos.

Para Ferreira, os shoppings reduzem a influência da sazonalidade climática sobre as vendas, mas apresentam custos e negociações mais exigentes. Os centros comerciais abertos, por sua vez, oferecem uma alternativa intermediária.

Quais são os próximos passos da expansão

No curto prazo, a prioridade é consolidar a operação no estado de São Paulo.

A Damazônia pretende concentrar a prospecção de franqueados na capital, na Grande São Paulo e em municípios situados em um raio de aproximadamente 150 quilômetros.

A companhia prevê comercializar três novas franquias até o final de 2026 e acrescentar 15 unidades à rede nos dois anos seguintes. Em uma projeção mais ambiciosa apresentada na entrevista, Ferreira mencionou a possibilidade de inaugurar dez lojas no primeiro ano da nova fase comercial.

A decisão de crescer regionalmente também está associada ao abastecimento das lojas. Ao concentrar novas unidades próximas das estruturas de fabricação, a rede pretende reduzir a complexidade logística e preservar a qualidade dos produtos.

"Então o nosso tem o problema da cadeia do frio, então a expansão em espiral faz mais sentido para a gente crescer com controle, sem perder qualidade", afirma Ferreira.

A meta de 100 unidades até 2030 continua sendo o principal objetivo, mas o fundador reconhece que o ritmo dependerá da capacidade de estruturar a operação e encontrar parceiros adequados.

Como será a chegada da Damazônia à Europa

Embora a prioridade esteja no Brasil, a rede já avalia seu primeiro movimento internacional.

Ferreira negocia com parceiros para abrir uma operação na cidade do Porto, em Portugal, que funcionaria como porta de entrada para o mercado europeu. A Espanha aparece como uma possibilidade de expansão posterior.

A escolha por Portugal está relacionada à proximidade linguística e à possibilidade de trabalhar com um operador que já conhece o mercado local.

O empresário diz que já havia identificado um fornecedor de equipamentos industriais em Lisboa e estava em conversas com um potencial parceiro comercial no Porto, ligado a uma rede de cinco unidades de açaí.

A negociação ainda não está concluída. A empresa avalia pontos comerciais, custos de instalação, perspectivas de faturamento e rentabilidade.

Caso a operação seja confirmada, a intenção é inaugurar a primeira unidade até maio de 2027, antes do verão europeu, período considerado favorável ao consumo de gelatos.

"Estamos namorando, ainda não casou", resume Ferreira ao falar sobre o estágio das negociações.

A eventual estreia no exterior exigirá uma estrutura produtiva local e possíveis adaptações no cardápio. O empresário reconhece que as preferências de sabor e intensidade de açúcar variam entre regiões e países.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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