Gerdau (GGBR4) cai apesar de balanço acima do esperado; bancos mantêm visão positiva
As ações da Gerdau (GGBR4) operam em queda nesta quarta-feira (5), mesmo após a siderúrgica divulgar um resultado do segundo trimestre de 2026 (2T26) acima das expectativas do mercado. Por volta das 11h40, os papéis recuavam 1,12%, cotados a R$ 25,58. Na avaliação de analistas, o desempenho da operação na América do Norte voltou a […]

As ações da Gerdau (GGBR4) operam em queda nesta quarta-feira (5), mesmo após a siderúrgica divulgar um resultado do segundo trimestre de 2026 (2T26) acima das expectativas do mercado. Por volta das 11h40, os papéis recuavam 1,12%, cotados a R$ 25,58.
Na avaliação de analistas, o desempenho da operação na América do Norte voltou a ser o principal destaque do trimestre e compensou um cenário ainda mais desafiador no Brasil. A companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão, Ebitda ajustado de R$ 3,43 bilhões — alta de 16% em relação ao trimestre anterior — e anunciou R$ 451,3 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,23 por ação.
O Citi classificou o balanço como um “forte resultado”. A equipe liderada por Alexander Hacking destaca que a receita líquida atingiu R$ 18,8 bilhões, acima da estimativa da casa, enquanto o Ebitda consolidado superou em cerca de 9% a projeção do banco.
“A América do Norte permaneceu como o principal motor dos resultados, beneficiada pela demanda robusta ligada a energia renovável, data centers e manufatura, além de um ambiente mais favorável para as importações”, escreveram os analistas.
Segundo o Citi, a carteira de pedidos de aços longos permanece acima de 100 dias — o maior nível desde 2021 — enquanto os embarques de aços especiais alcançaram o maior patamar desde aquele ano. Na avaliação da instituição, esses fatores devem continuar sustentando os resultados da companhia nos próximos trimestres.
O Itaú BBA também avaliou que o resultado superou tanto suas estimativas quanto o consenso do mercado. Para a equipe liderada por Daniel Sasson, cerca de dois terços da surpresa positiva vieram da operação norte-americana, favorecida por preços mais elevados, enquanto o restante foi explicado pelo melhor controle de custos no Brasil.
A casa destaca que o Ebitda consolidado ficou aproximadamente 5% acima tanto de sua projeção quanto da expectativa média do mercado, enquanto a margem Ebitda alcançou 19,2%.
“Seguimos construtivos com o desempenho operacional da companhia para o segundo semestre de 2026, principalmente pela expansão das margens na América do Norte após os recentes reajustes de preços e por um ambiente macro favorável para a demanda”, escreveu Sasson.
No Brasil, porém, o tom é de cautela. A operação brasileira registrou Ebitda de R$ 705 milhões, com margem de 10,5%, apoiada pelo aumento de preços, crescimento dos embarques no mercado doméstico e disciplina de custos. Ainda assim, o Itaú BBA avalia que a recuperação tende a ocorrer de forma gradual.
“No Brasil, entretanto, a recuperação deve permanecer gradual e seguimos vendo um ambiente doméstico de preços mais desafiador”, acrescentou o analista.
A leitura é semelhante à do Safra. Para a equipe liderada por Ricardo Monegaglia, a demanda doméstica segue moderada e os custos de produção continuam pressionados, embora haja espaço para melhora caso os reajustes de preços ganhem tração e o segmento de veículos pesados acelere.
Outro destaque positivo para o Safra foi a geração de caixa. O fluxo de caixa livre somou R$ 237 milhões, bem acima da expectativa da instituição, enquanto a alavancagem caiu de 0,74 vez para 0,69 vez dívida líquida sobre Ebitda.
“Os resultados e a geração de caixa superaram nossas estimativas”, afirmou Monegaglia.
Segundo o analista, o desempenho foi favorecido pelo Ebitda mais forte, menor consumo de capital de giro e investimentos abaixo do esperado, fatores que mais do que compensaram maiores despesas financeiras e tributárias. Além disso, a instituição avalia que a companhia deve continuar executando seu programa de recompra de ações.
Na visão do banco, as perspectivas seguem favoráveis para o restante do ano. “Na América do Norte, as margens ficaram acima do esperado, sustentadas pelos reajustes de preços implementados no segundo trimestre e no início do terceiro”, escreveu Monegaglia. Já no Brasil, “vemos espaço para uma melhora gradual caso os aumentos de preços ganhem tração e o segmento de veículos pesados acelere”.
Apesar da realização das ações nesta sessão, os bancos mantiveram uma visão positiva para a companhia. O Citi segue vendo a Gerdau como sua principal escolha entre as siderúrgicas. Já o Itaú BBA reiterou recomendação outperform (equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 27, assim como o Safra, que tem preço-alvo de R$ 30, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 16% em relação ao fechamento anterior.
