Gerenciamento de risco no trading: especialistas revelam as regras que separam quem sobrevive de quem quebra
Perder dinheiro faz parte do trading. O que diferencia os investidores que permanecem na atividade daqueles que desistem depois de poucos meses não é a quantidade de operações vencedoras, mas a capacidade de controlar perdas e proteger o capital. Em entrevista ao Money Times, Paula Reis, trader e responsável pelo canal Mulher Trader, Lucas Costa, […]

Perder dinheiro faz parte do trading. O que diferencia os investidores que permanecem na atividade daqueles que desistem depois de poucos meses não é a quantidade de operações vencedoras, mas a capacidade de controlar perdas e proteger o capital.
Em entrevista ao Money Times, Paula Reis, trader e responsável pelo canal Mulher Trader, Lucas Costa, head de análise técnica do BTG Pactual, Christianne Bariquelli, superintendente de Negócios para Pessoa Física e Educação na B3, e Renan Schroeder, head de varejo da Mirae Asset Brasil, explicaram por que a gestão de risco está entre os pilares da atividade.
O erro que mais custa caro aos iniciantes
Segundo Paula Reis, muitos investidores chegam ao mercado futuro atraídos pela alavancagem sem entender plenamente seus riscos.
Contratos como mini índice e mini dólar exigem uma margem reduzida para movimentar valores muito maiores. Na prática, uma oscilação relativamente pequena contra a posição pode consumir rapidamente os recursos disponíveis e levar à zeragem automática pela corretora.
A trader afirma que um dos erros mais comuns é operar apenas com a margem mínima exigida. Sem uma reserva maior, o investidor fica mais vulnerável às oscilações do mercado.
Antes de ganhar dinheiro, é preciso permanecer no jogo
Para Lucas Costa, a principal função da gestão de risco é garantir que o trader permaneça no mercado por tempo suficiente para avaliar se sua estratégia funciona.
“O gerenciamento de risco precisa dar fôlego para que o investidor consiga passar por dezenas ou centenas de operações antes de avaliar se uma estratégia funciona ou não.”
Na visão do analista, uma única operação não pode comprometer toda a conta. Por isso, uma das regras utilizadas por ele é limitar a exposição de cada trade a cerca de 1% do capital destinado à atividade.
A lógica é preservar recursos para atravessar períodos negativos sem abandonar o plano.
O tamanho da posição importa
Na avaliação de Renan Schroeder, um dos erros mais frequentes entre iniciantes está no tamanho das posições.
O executivo recomenda começar com posições menores e aumentar a exposição aos poucos, conforme o investidor ganha experiência. “Você pode conhecer todas as estratégias e, ainda assim, não ser consistente por falta de gerenciamento de risco.”
Os limites que todo trader deveria definir
Os especialistas defendem que algumas regras estejam definidas antes da abertura de qualquer operação:
- limite máximo de perda por operação;
- limite diário de prejuízo;
- limite semanal de perdas;
- limite mensal de perdas;
- número máximo de operações por dia;
- stop loss definido previamente.
Christianne Bariquelli afirma que esses parâmetros devem ser estabelecidos antes do início do pregão.
“Toda vez que você está numa situação em que precisa tomar uma decisão muito rápida, tende a decidir por impulso. Por isso, ter um bom planejamento de gestão de risco e parametrizar isso antes da operação é fundamental.”
O problema das decisões emocionais
A disciplina é parte essencial da proteção do capital.
Segundo Paula Reis, muitos investidores abandonam suas regras quando começam a acumular prejuízos. Em vez de aceitar uma perda prevista, aumentam posições, retiram stops ou insistem em operações perdedoras na tentativa de recuperar o dinheiro.
Entre os comportamentos mais arriscados estão:
- aumentar posição para recuperar perdas;
- retirar stops previamente definidos;
- depositar novos recursos para continuar operando;
- insistir em operações que já deram sinais de erro.
Renan Schroeder também alerta para a prática do preço médio, quando o investidor amplia uma posição perdedora na expectativa de recuperação.
Segundo ele, esse comportamento está entre as principais causas de zeragem compulsória das contas.
*Sob supervisão de Vitor Azevedo
