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Mercados
15/07/2026
3 min

Gestores adotam tom mais cauteloso com bolsa brasileira de olho em tensão no Oriente Médio, diz BofA

Gestores adotam tom mais cauteloso com bolsa brasileira de olho em tensão no Oriente Médio, diz BofA

Os gestores de fundos da América Latina permanecem cautelosos em relação à bolsa brasileira, de acordo com pesquisa mensal do Bank of America (BofA) divulgada nesta quarta-feira (15).

Se há um mês 31% dos entrevistados projetavam o Ibovespa (IBOV) acima dos 190 mil pontos em dezembro deste ano, agora quase metade dos participantes da pesquisa esperam que o principal índice da bolsa brasileira encerre o ano no nível acima de 180 mil pontos.

Quase nenhum dos entrevistados pelo BofA espera revisões para cima dos lucros no Brasil. Por outro lado, a expectativa de revisões para baixo aumentou de 40% em junho para 48% neste mês.

O apetite a risco diminuiu, em parte, com a nova escalada das tensões geopolíticas com a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, segundo os estrategistas do banco.

Diante do atual cenário, os gestores entrevistados continuam a considerar que a perspectiva de juros mais altos nos EUA, com pressão dos preços de energia, e o fortalecimento do dólar são os principais fatores de riscos externos para o mercado brasileiro.

Na América Latina, quase 30% dos participantes também acreditam que nem o Brasil e nem o México terão um desempenho superior nos próximos seis meses. Os investidores continuam otimistas com a Argentina e têm uma visão construtiva para a Colômbia.

A pesquisa de julho contou com a participação de 31 gestores com aproximadamente US$ 90 bilhões em ativos sob gestão.

Para onde vai o dólar?

O levantamento do BofA também mostrou que as estimativas para o câmbio pioraram pelo segundo mês consecutivo. Atualmente, cerca de 42% dos participantes da pesquisa veem um dólar mais forte em 2026. A mesma visão era compartilhada por aproximadamente 33% dos gestores no levantamento de junho.

Cerca de metade dos participantes esperam o dólar entre R$ 5,11 a R$ 5,40 em dezembro deste ano. Na pesquisa anterior, 45% dos entrevistados projetavam o câmbio na faixa de R$ 4,81 a R$ 5,10 no fim de 2026.

Além disso, nenhum dos gestores entrevistados espera que o real fique abaixo de R$ 4,80 até o fim de 2026 assim como na pesquisa anterior.

Cortes na Selic

A pesquisa do BofA ainda aponta que a maioria dos gestores consideram que as expectativas de inflação mais baixas e uma melhora no cenário político são os principais gatilhos para um ciclo de flexibilização monetária “mais agressivo”. Hoje, a Selic está em 14,25% ao ano.

Depois de quatro meses consecutivos sem consenso entre os gestores entrevistados, 77% projeta pelo menos um corte na taxa básica de juros, a Selic, neste ano. 54% espera pelo menos dois cortes nos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central até dezembro, com a Selic encerrando a 13,75% ao ano.

Nenhum gestor vê a taxa de juros abaixo de 13% ao ano no fim de 2026.

O BofA, por sua vez, prevê a taxa básica de juros a 14% em dezembro deste ano, considerando que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza os juros em 25 pontos-base na decisão de agosto.

AutorLiliane de Lima
FonteMoney Times
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