Gigante americana do transporte expresso, FedEx expande frota elétrica no Brasil

Um pacote sai de Miami, cruza o Atlântico num voo cargueiro e pousa em São Paulo. Do aeroporto, segue para um centro de distribuição. Depois, embarca numa van e percorre as ruas da cidade até chegar à porta do destinatário.
Esse trajeto urbano é o negócio da FedEx. A gigante americana de transporte expresso encerrou suas operações domésticas no Brasil no início de 2026, citando custos elevados e a complexidade logística, e passou a concentrar sua atuação local em remessas internacionais expressas.
É na última etapa dessa cadeia no país que a companhia aposta na eletrificação como estratégia para descabonização e acaba de anunciar a incorporação de 17 novas vans elétricas à sua operação, elevando para 53 o total de veículos de emissão zero em circulação.
Os modelos Mercedes-Benz eSprinter Furgão Street 320 serão distribuídos entre as estações da FedEx em Campinas, Curitiba e São Paulo, cidades que se somam a Salvador, Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, onde já opera com elétricos.
Essa é a quarta entrega da empresa em três anos no Brasil, onde foi pioneira na introdução de elétricos no setor de transporte de cargas com as primeiras unidades chegando ainda em 2013.
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A expansão faz parte de sua meta global de eletrificar 100% de sua frota de coleta e entrega até 2040. No mundo, a FedExF já conta com mais de 8.000 veículos elétricos em operação.
Hoje, o transporte responde por aproximadamente 15% de todas as emissões globais de gases de efeito estufa e a logística de carga concentra parte relevante dessa conta.
De acordo com a companhia, 61% da sua pegada de carbono vêm do consumo de querosene de aviação, não da frota terrestre.
A eletrificação das vans ataca uma fatia menor do impacto do negócio, em que o desafio central continua sendo a descarbonização da malha aérea global, com investimentos em combustíveis sustentáveis como o SAF para substituir o querosene e a renovação de aeronaves.
No Brasil, os 53 veículos elétricos evitam aproximadamente 132,5 toneladas de CO₂ por ano ou 2,5 toneladas cada.
Para Camila Lima, vice-presidente de Operações da FedEx no Brasil, o ritmo de expansão reflete as condições do mercado local e reafirma o compromisso do negócio com eficiência e sustentabilidade.
"O principal gargalo é alinhar a infraestrutura de energia e as redes de recarga às necessidades operacionais", afirmou, em entrevista à EXAME.
Apesar do avanço da frota elétrica, a infraestrutura ainda limita uma adoção mais acelerada. Segundo a executiva, o setor precisa ampliar a capacidade energética e a rede de recarga, além de formar profissionais especializados e avançar no desenvolvimento de baterias.
A eletrificação se concentra nas chamadas "rotas de última milha", o trecho final da entrega, dentro dos perímetros urbanos, onde a van sai do centro de distribuição até o destinatário. É justamente nesse tipo de percurso que o elétrico oferece maior vantagem: distâncias curtas, velocidade reduzida e possibilidade de recarga noturna no depósito.
A estratégia nacional é avançar de forma gradual e planejada, priorizando os mercados onde a infraestrutura já permite a operação dos veículos, frisou Camila.
'Efeito FedX': uma operação de US$ 5 bilhões
Esse avanço acontece dentro de uma presença regional de peso, onde o Brasil é o maior mercado e o mais estratégico.
No ano fiscal de 2025, a FedEx gerou impacto econômico estimado em US$ 5 bilhões na América Latina e Caribe, segundo relatório da companhia produzido em parceria com a Dun & Bradstreet. Na região, emprega mais de 20 mil pessoas e investiu US$ 743 milhões em fornecedores locais em 2024, sendo 89% deles pequenas empresas.
