Gigante de energéticos do interior de SC compra fatia de marca de Felipe Titto rumo a R$ 2,5 bilhões

Gigante dos energéticos com faturamento de 1,8 bilhão de reais em 2025, a catarinense Baly acaba de comprar uma fatia da Original Ginger, refrigerante zero açúcar, de gengibre, do ator e empresário Felipe Titto.
A aquisição vem num momento em que o mercado brasileiro de bebidas funcionais — produtos que prometem algum benefício além de matar a sede, como energéticos, isotônicos e refrigerantes à base de gengibre — atrai cada vez mais marcas em busca de consumidores que trocaram o refrigerante tradicional por opções com apelo de bem-estar.
O movimento dá à Baly um produto novo numa categoria adjacente à dos energéticos e entrega à Original Ginger algo que ela não tinha, o de estrutura industrial e distribuição nacional.
A entrada em operação está prevista para o segundo semestre de 2026. A Baly fica com participação nos direitos da marca e nos lucros da operação, além de assumir produção, logística e comercialização em escala nacional.
"Essa parceria conecta o que cada um tem de mais forte. A Baly entra com escala, distribuição e capacidade produtiva, enquanto o Titto traz visão de negócio e conexão real com o consumidor. É um movimento para crescer com consistência e ampliar nossa atuação no mercado de bebidas", afirma Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly Brasil.
Para a Baly, a compra entra numa estratégia de ampliar presença em bebidas funcionais e capturar novas ocasiões de consumo.
A empresa já fechou 2025 com 1,8 bilhão de reais em faturamento e projeta 2,5 bilhões em 2026, puxada por um salto de produção e pela entrada da nova fábrica em Araranguá.
Como nasceu a parceria
A negociação começou no início deste ano, quando Titto procurou Dayane para entender o mercado de bebidas e o varejo nacional.
A Original Ginger é um refrigerante zero açúcar à base de extrato natural de gengibre, que a marca posiciona como produto de bem-estar e com características termogênicas, ou seja, que estimulariam o gasto de energia do corpo.
"Eu sempre acreditei em construir marcas com propósito e proximidade com o público. Com a Baly, a gente ganha força para levar a Original Ginger para outro nível, com distribuição nacional e uma operação estruturada para crescer rápido", diz Felipe Titto.
A parceria se organiza em três pilares.
Titto assume o papel de embaixador da Baly e lidera a comunicação da linha de energéticos zero açúcar. A Baly passa a produzir e distribuir a Original Ginger em todo o país. E as duas marcas atuam de forma integrada na estratégia comercial e de posicionamento.
O modelo também envolve participação societária. A Baly terá participação nos direitos da marca Original Ginger e nos lucros da operação dos produtos distribuídos.
Qual é a história da Baly
Fundada em 1997, em Santa Catarina, a Baly é uma indústria 100% brasileira que começou na comercialização de cachaças e vinhos.
A virada veio em 2009, quando a empresa apostou em energéticos vendidos em garrafa PET, formato então incomum num mercado concentrado em latas. O energético assumiu a liderança no portfólio e abriu caminho para o crescimento da década seguinte.
Hoje a empresa atua em categorias como energéticos, isotônicos, bebidas alcoólicas, proteicas e suplementos vitamínicos. A entrada na Original Ginger amplia esse leque para uma categoria alinhada às tendências de consumo, com a vantagem de aproveitar a estrutura fabril e logística que a Baly já tem.
A Baly aparece num grupo de 53 marcas nacionais que vêm crescendo acima da média de suas categorias, segundo o estudo Insurgent Brands Brasil 2026, conduzido pela consultoria Bain & Company em parceria com a NielsenIQ, empresa de inteligência de consumo.
Segundo o levantamento, a Baly cresce dez vezes acima da categoria de bebidas não alcoólicas.
Os desafios da nova categoria
Entrar numa categoria nova não é garantia de repetir o sucesso dos energéticos. O refrigerante de gengibre ainda é um nicho no Brasil, e parte do trabalho da Baly será convencer o consumidor a experimentar um produto com sabor e proposta diferentes do que ele está acostumado a comprar na prateleira.
A operação conjunta só entra em funcionamento no segundo semestre de 2026, o que significa que os resultados da aquisição ainda dependem de execução.
Para a Baly, o desafio é transformar a escala que já tem em energéticos em vendas reais numa categoria onde a marca ainda precisa se provar.
