Gigante do energético do interior de SC agora desafia as marcas de gim para faturar R$ 2,5 bilhões
Baly criou o primeiro gim em lata do Brasil, apostou em sabores como morango e melancia e assumiu a liderança de vendas da categoria em julho

Nos últimos anos, equilibrando uma estratégia de preços acessíveis e diversidade de sabores, uma marca do interior de Santa Catarina ganhou espaço nas gôndolas de bebidas energéticas. É a Baly, do município de Tubarão, a 130 quilômetros da capital Florianópolis.
Agora, ela acaba de conquistar a liderança em um mercado ainda pouco explorado pela empresa: o de gim.
O gim é uma bebida destilada à base de zimbro, tradicionalmente associada a marcas europeias e a coquetéis clássicos como o gin-tônica. É uma categoria consolidada, com nomes conhecidos disputando espaço no bar e na prateleira.
Foi nesse terreno que a Baly entrou com a marca Gin Intencion. E agora, acaba de chegar ao primeiro lugar em vendas.
Segundo dados da empresa atribuídos à Scanntech, empresa que monitora vendas no varejo, o Gin Intencion respondeu por 20% das unidades comercializadas no país no mês, considerando todas as marcas disponíveis no mercado brasileiro. Na sequência aparecem Rocks, com 18%, e Eternity, com 15%. A Scanntech não divulga estes dados.
O resultado coloca a marca catarinense à frente de concorrentes nacionais e internacionais numa categoria que não é a de origem da empresa.
"Esse resultado mostra que o consumidor está aberto a experimentar novas propostas quando elas combinam produto, sabor, praticidade e uma experiência diferente", afirma Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly Brasil.
A liderança no gim é mais um capítulo da estratégia de diversificação da Baly, que projeta faturar2,5 bilhões de reais em 2026.
O portfólio da empresa inclui energéticos, isotônicos, bebidas proteicas e produtos do segmento wellness, voltado ao bem-estar.
Como chegaram a liderança
O principal diferencial do Intencion está na embalagem.
Segundo a Baly, o produto foi o primeiro gim em lata do Brasil, num formato de 473 mililitros pensado para o consumo individual. A ideia é aproximar o gim da lógica de conveniência que já funcionou com os energéticos.
Além da lata, o Intencion é vendido em garrafas de 900 mililitros, ambas as versões com 38% de graduação alcoólica.
A aposta em formato e conveniência repete a jogada que consagrou a empresa no mercado de energéticos, quando ela levou a bebida para a garrafa PET num setor concentrado em latas.
Outra frente da aposta é o sabor. O Gin Intencion é vendido nas versões tradicional, tropical, morango, melancia e morango & pêssego. Desde o fim de julho, chegou ao mercado também o sabor uva verde, o sexto da linha.
A escolha por sabores frutados e adocicados mira um público que não necessariamente consome gim da forma clássica. É a mesma lógica que a Baly aplicou aos energéticos, com sabores variados que ampliaram o alcance da marca para além do consumidor tradicional da categoria.
Qual é a história da Baly
Fundada em 1997, em Santa Catarina, a Baly começou na comercialização de cachaças e vinhos.
A virada veio em 2009, com a aposta em energéticos vendidos em garrafa PET, formato então incomum. O energético assumiu a liderança do portfólio e abriu caminho para a expansão da década seguinte.
Hoje a empresa é dona da Baly Energy Drink, a maior marca brasileira de energéticos, e vem ampliando a atuação para categorias como bebidas funcionais, isotônicos, proteicas e alcoólicas.
A liderança no gim reforça a estratégia de explorar novas ocasiões de consumo a partir da estrutura industrial e de distribuição que a empresa já construiu.
O movimento acompanha um momento de expansão acelerada. A Baly fechou 2025 com 1,8 bilhão de reais em faturamento e comprou, recentemente, uma fatia da Original Ginger, refrigerante de gengibre do ator e empresário Felipe Titto, num acordo em que a catarinense assume a produção e a distribuição nacional da marca.
A empresa também prepara a entrada em operação de uma nova fábrica em Araranguá, no segundo semestre de 2026, para sustentar o salto de produção.
Quais são os desafios pela frente
Liderar as vendas em um único mês não garante permanência no topo.
O mercado de gim é competitivo, e concorrentes como Rocks e Eternity seguem próximos. Manter a posição exige giro constante no ponto de venda e capacidade de sustentar a novidade que levou o consumidor a experimentar o produto.
Há ainda o desafio de consolidar o gim em lata como formato, e não apenas como curiosidade de lançamento.
A Baly aposta que a conveniência vai fidelizar o consumidor. Mmas a categoria de destilados tem hábitos de consumo diferentes dos energéticos, e transformar experimentação em recompra é o teste que define se a liderança de julho vira tendência.
