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Sacre Investimentos
NegóciosMPOLCMDT
04/08/2026
5 min

Gigante do leite anuncia R$ 191,6 mi em fábricas de tortilhas e ração no PR

A Castrolanda assinou acordo nesta segunda-feira, 3, para instalar o complexo em Castro, gerar 80 empregos e adicionar R$ 310 milhões à receita até 2030

Gigante do leite anuncia R$ 191,6 mi em fábricas de tortilhas e ração no PR

A Castrolanda e o Governo do Paraná assinaram nesta segunda-feira, 3 de agosto, uma carta de intenções para a implantação de duas novas plantas industriais em Castro, nos Campos Gerais, região centro-leste do Paraná.

O projeto prevê investimentos de R$ 191,6 milhões em uma fábrica de tortilhas de milho, uma unidade de dietas para bovinos e uma central de energia elétrica.

Fundada há 75 anos por imigrantes holandeses e tradicionalmente ligada à produção de leite, a cooperativa avança agora em uma nova etapa de diversificação. A estratégia é transformar uma parcela maior da produção dos associados em alimentos de valor agregado e abrir novas fontes de receita além das cadeias em que já atua.

“O Paraná se consolidou como o supermercado do mundo. Castro e toda a região dos Campos Gerais representam esse planejamento construído em sintonia entre o poder público e as cooperativas”, afirmou o governador Ratinho Junior. Ele acrescentou que a Castrolanda representa “um grande caso de sucesso” dessa parceria e que o investimento tem potencial para transformar não apenas o município, mas toda a região.

Segundo o diretor-presidente da Castrolanda, Willem Berend Bouwman, a fábrica de tortilhas de milho será implantada para atender um parceiro comercial da cooperativa, cujo nome não foi divulgado. Já a unidade de dietas para bovinos pretende industrializar uma etapa hoje realizada dentro das propriedades leiteiras.

“É um projeto inovador que vai facilitar muito a vida do produtor rural, reduzindo as margens de erro no manejo da alimentação dentro da propriedade e diminuindo o custo da nutrição dos animais”, afirmou Bouwman.

A dimensão alcançada pela Castrolanda ajuda a explicar o movimento. A cooperativa reúne cerca de 1,2 mil associados no Paraná, em São Paulo e no Tocantins e encerrou 2025 com receita operacional líquida de R$ 6,2 bilhões e resultado líquido recorde de R$ 287,5 milhões.

Somente na cadeia do leite, foram produzidos quase 569 milhões de litros em 2025, alta de 6,1% em relação ao ano anterior e o maior volume da história da organização. A média supera 1,5 milhão de litros por dia, produzidos por aproximadamente 300 pecuaristas e um rebanho de cerca de 50 mil vacas em lactação, distribuído por 13 municípios dos Campos Gerais.

Em uma década, a produção de leite mais que dobrou, impulsionada pelo aumento da escala das propriedades, pela automação das ordenhas, pelo melhoramento genético e pelo monitoramento dos animais. É sobre essa base produtiva, financeira e tecnológica que a Castrolanda pretende construir os novos negócios.

Do campo para novos mercados

A maior parcela do investimento, de R$ 102,1 milhões, será destinada à fábrica de tortilhas de milho. A unidade produzirá snacks à base de milho para atender principalmente outras empresas, no modelo B2B, aproveitando a matéria-prima dos cooperados para avançar em uma etapa mais rentável da cadeia de alimentos.

Em vez de entrar no mercado com uma marca própria, a Castrolanda começará a operação como fornecedora de uma empresa já posicionada no segmento de snacks. A estratégia reduz o risco comercial da entrada em uma nova categoria e permite que a cooperativa concentre os esforços na produção em escala.

A planta será altamente automatizada e utilizará equipamentos voltados à redução do consumo de água e do intervalo entre o processamento do milho e a entrega das tortilhas. Além dos ganhos de eficiência, a operação exigirá mão de obra qualificada e ampliará a presença da cooperativa na indústria de alimentos processados.

Outros R$ 49,5 milhões serão aplicados na Unidade de Dietas Bovinas, com início das operações previsto para 2027. A fábrica produzirá dietas balanceadas, prontas para serem utilizadas nas propriedades leiteiras, reduzindo erros de formulação, desperdícios e parte do trabalho diário de preparação da alimentação dos animais.

Na prática, uma atividade hoje realizada dentro de cada fazenda passará a ser executada em escala industrial. A proposta é entregar ao produtor uma dieta completa, formulada de acordo com as necessidades nutricionais do rebanho, com maior controle sobre custos e produtividade.

A nova unidade amplia um negócio que já tem peso dentro da cooperativa. Em 2025, a Castrolanda produziu 70 mil toneladas de ração para bovinos, movimentou 95 mil toneladas de matérias-primas para nutrição animal e fabricou 7,5 mil toneladas de suplementos minerais.

As duas fábricas serão construídas em uma área adquirida pela cooperativa nas proximidades da unidade da Cargill, com acesso pela Estrada do Cerne, no Contorno Norte da PR-090. O terreno foi planejado para receber outras operações no futuro e formar um novo polo industrial da Castrolanda em Castro.

Para abastecer as unidades e o Parque Tecnológico da Castrolanda, serão investidos outros R$ 40 milhões na construção de uma central de energia elétrica. Com isso, os aportes nas duas fábricas, de R$ 151,6 milhões, chegam ao total anunciado de R$ 191,6 milhões.

Os projetos devem criar aproximadamente 80 empregos diretos. A expectativa é que as novas operações acrescentem R$ 85 milhões ao faturamento da Castrolanda já em 2027, com crescimento gradual até atingir R$ 310 milhões em receitas adicionais em 2030.

O investimento será enquadrado no Paraná Competitivo, programa estadual de incentivos fiscais para a instalação e a expansão de empresas. Em 2025, os empreendimentos apoiados pelo programa somaram R$ 15 bilhões, valor R$ 1,2 bilhão superior ao volume registrado no ano anterior.

A assinatura da carta de intenções ocorreu durante a abertura do Agroleite, evento promovido pela Castrolanda desde 2001. A feira recebeu 163 mil visitantes e movimentou quase R$ 1 bilhão em negócios em 2025, consolidando Castro como uma das principais referências da cadeia do leite no país.

Criada em 1951 a partir da produção de leite, a Castrolanda começou a diversificar suas atividades na década de 1970 e hoje atua também nas cadeias agrícola, de carnes e de batata. Agora, usa a força construída no campo para avançar simultaneamente sobre dois novos mercados: o de snacks de milho e o de alimentação pronta para rebanhos.

AutorRafael Martini
FonteExame
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