GitHub sai do ar no mundo todo e derruba Actions, Copilot e pull requests
Falha começou às 10h40 (de Brasília) com taxa de erro de 20% no site e na API, e de 50% em downloads de repositórios; Microsoft confirmou o problema e empresa diz ter identificado a causa

O GitHub, maior plataforma de hospedagem de código do mundo, enfrenta uma pane global nesta segunda-feira, 17. A falha começou por volta das 10h40 (horário de Brasília) e derrubou ou degradou boa parte dos serviços de que dependem os 180 milhões de desenvolvedores cadastrados na plataforma, dos quais quase 7 milhões são brasileiros.
Segundo a página oficial de status da empresa, a taxa de erro chegou a cerca de 20% no site e no tráfego de API, e a aproximadamente 50% nos downloads de arquivos e de conteúdo bruto de repositórios, ou seja, uma em cada duas tentativas de baixar código falhava.
A Microsoft, dona do GitHub, confirmou publicamente a interrupção mundial.
O que parou
A lista de serviços afetados cresceu ao longo da manhã. Foram atingidos os pull requests, as issues, os webhooks e o GitHub Actions, plataforma que automatiza testes, builds e implantações, o que significa que esteiras de desenvolvimento inteiras ficaram travadas em empresas no mundo todo.
Serviços de autenticação também entraram na lista, incluindo login via SAML e OIDC, além de SCIM e Team Sync, usados por empresas para gerenciar acessos de equipes. Por volta das 11h31, a empresa confirmou que o Copilot, seu assistente de programação por IA, também estava com disponibilidade degradada.
Um detalhe técnico ajuda a delimitar o problema: os provedores dos modelos de IA que alimentam o Copilot seguiam operacionais, o que indica que a falha está na própria camada de autorização e roteamento do GitHub, e não em fornecedores externos de inteligência artificial.
Causa identificada
Por volta das 13h36, a empresa informou ter identificado o componente com problema e aplicado uma correção, relatando sinais consistentes de recuperação, ainda que com taxas de erro acima do normal. Até o momento, o GitHub não divulgou a causa raiz do incidente.
Nada do que a companhia publicou até agora aponta para perda de dados ou incidente de segurança. Trata-se, pelas informações disponíveis, de um problema de disponibilidade.
O episódio é o mais grave de uma série recente. No começo deste mês, o Actions e o serviço de hospedagem Pages já haviam apresentado falhas, e em fevereiro outra interrupção atingiu Actions, Copilot, issues e operações Git.
A frequência incomoda porque a dependência aumentou. O GitHub deixou de ser apenas um repositório de código para virar infraestrutura crítica de desenvolvimento: é onde ficam os projetos, onde rodam as automações de publicação e, cada vez mais, onde a IA escreve e revisa código.
Segundo a própria empresa, 80% dos novos usuários passam a usar o Copilot já na primeira semana, e metade dos projetos de código aberto tem ao menos um mantenedor usando a ferramenta. Quando a plataforma cai, não é só o site que sai do ar — é a linha de produção de software de milhares de empresas.
