Goldman Sachs alerta para risco de Petrobras reajustar preço do diesel em 50% após eleições
Analistas apontam defasagem de 21% em relação ao mercado internacional e alertam para possível alta adicional caso estatal decida compensar perdas do ano

O banco Goldman Sachs alertou, nesta semana, sobre a possibilidade de a Petrobras aplicar um reajuste de cerca de 50% no preço do diesel após o período eleitoral. Levando em conta as subvenções do governo federal, o valor praticado no mercado doméstico apresenta atualmente uma defasagem de 21% em comparação à paridade internacional de importação.
De acordo com os analistas, a manutenção dos preços locais em patamares inferiores aos do mercado externo só é viável no momento devido a uma "assimetria de subsídios". Essa distorção na dinâmica de remuneração garante aos importadores um valor de R$ 3,52 por litro, enquanto os produtores nacionais continuam recebendo apenas R$ 2,12 por litro.
Cautela do período eleitoral
Os especialistas calculam que, caso essa assimetria seja eliminada passada a eleição, a Petrobras precisaria promover um aumento imediato na casa dos 50% para alinhar suas tarifas à referência global. Somado a isso, há ainda o risco de uma alta adicional se a gestão da estatal decidir compensar o período deste ano em que o diesel da companhia foi comercializado abaixo da paridade de importação.
Ao avaliar o cenário, os analistas do banco pontuaram a cautela da companhia em meio à disputa nas urnas. "Acreditamos que a Petrobras provavelmente esperará o desfecho da eleição antes de tomar qualquer decisão sobre um potencial reajuste nos preços dos combustíveis, dada a sensibilidade política do tema no Brasil", dizem os analistas.
