Golpe do SIM swap: como clonam o seu número e o que fazer para 'blindar' o chip

O golpe do SIM swap não exige que o criminoso roube ou tenha acesso físico ao celular da vítima. Basta convencer a operadora a transferir o número para outro chip — e, a partir daí, mensagens de texto e códigos de autenticação passam a chegar nas mãos do fraudador.
No Brasil, tribunais de ao menos dez estados já condenaram operadoras por falhas que permitiram esse tipo de fraude, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o entendimento de que a responsabilidade é objetiva, com base no artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor.
O que é e como funciona o golpe do SIM swap?
SIM swap significa troca de SIM — o chip que identifica a linha na rede móvel. O golpe começa com a coleta de dados pessoais da vítima (CPF, data de nascimento, nome dos pais), obtidos por vazamentos, redes sociais ou mensagens falsas.
Com essas informações, o criminoso liga para a operadora ou vai a uma loja e se apresenta como titular da linha, alegando perda ou defeito do chip. As perguntas de segurança se baseiam em dados cadastrais que o fraudador já possui. Quando a operadora aprova a troca, o chip da vítima perde o sinal e o novo chip assume a linha.
A partir daí, o criminoso intercepta códigos de autenticação por SMS e usa o número para ativar o WhatsApp, redefinir senhas de bancos e e-mails e aplicar golpes nos contatos da vítima — pedidos de dinheiro por Pix são o desfecho mais comum.
Quais os sinais de que o chip foi clonado?
O alerta mais claro é a perda repentina de sinal, com a mensagem "Sem serviço" em local onde a cobertura funciona. Outros sinais relatados por vítimas são:
- notificações de redefinição de senha não solicitadas;
- WhatsApp deslogado com aviso de que o número está em outro aparelho;
- contatos relatando mensagens estranhas vindas do seu número.
O que fazer se for vítima de SIM swap?
- Contate a operadora por outro telefone e peça o bloqueio da linha e o cancelamento de qualquer chip adicional;
- Avise bancos e instituições financeiras para congelar operações e revisar acessos;
- Troque as senhas do e-mail principal e force logout em todos os dispositivos conectados a redes sociais;
- Reative o WhatsApp assim que recuperar o número e ative a verificação em duas etapas;
- Registre um boletim de ocorrência detalhando data, hora da perda de sinal e prejuízos;
- Guarde protocolos de atendimento e comprovantes de transações não autorizadas.
Como blindar o chip contra SIM swap?
Ative o PIN do SIM no celular. O PIN é uma senha de quatro dígitos que bloqueia o uso do chip em qualquer aparelho. Ele vem desativado de fábrica.
- No Android: Configurações > Segurança e Privacidade > Bloqueio do cartão SIM > ativar e inserir o PIN padrão da operadora.
- No iPhone: Ajustes > Celular > PIN do SIM > ativar e inserir o PIN padrão.
Os PINs de fábrica das operadoras brasileiras são: Claro, 3636; Vivo, 8486; TIM, 1010; Oi, 8888. Após a ativação, troque o código para uma combinação pessoal. Se o PIN for digitado errado três vezes, o chip bloqueia e exige o código PUK, que consta no cartão plástico original do chip.
Outra dica é substituir o SMS por aplicativo autenticador. O SIM swap funciona porque muitos serviços usam SMS como segundo fator de autenticação. Migrar para apps como Google Authenticator ou Microsoft Authenticator elimina esse ponto de vulnerabilidade em e-mails e contas corporativas.
Também é importante ativar a verificação em duas etapas do WhatsApp. Em Configurações > Conta > Verificação em duas etapas, defina um PIN de seis dígitos e cadastre um e-mail de recuperação. Com esse recurso ativo, o criminoso não consegue ativar o WhatsApp mesmo que tome o número.
Não se esqueça de consultar a operadora sobre bloqueio de portabilidade. Algumas operadoras oferecem senha adicional para troca de chip ou portabilidade. Solicite a ativação.
