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Mundo
08/07/2026
5 min

'Golpe' e Forças Armadas: entenda a crise entre Petro e Espriella na Colômbia

'Golpe' e Forças Armadas: entenda a crise entre Petro e Espriella na Colômbia

A conturbada transição de governo na Colômbia entrou em uma nova escalada de tensão nesta terça-feira, 7. O presidente eleito Abelardo de la Espriella acusou o presidente Gustavo Petro de tentar promover um "golpe de Estado" para permanecer no poder e pediu que as Forças Armadas e as demais instituições "defendam a democracia e a Constituição".

Em pronunciamento divulgadoapós suspender o processo de transição, De la Espriella afirmou que Petro e o candidato governista derrotado, Iván Cepeda, teriam iniciado um "plano B" para impedir a transferência de poder marcada para 7 de agosto.

"Petro e Cepeda iniciaram seu plano B para permanecer no poder a qualquer custo. E querem fazer isso por meio de um golpe de Estado", declarou o presidente eleito.

O político também fez um apelo às instituições colombianas, à Força Pública, à comunidade internacional e à população para que permaneçam "firmes na defesa da democracia e da ordem constitucional". Em mensagem publicada na rede social X, afirmou que "a democracia deve ser respeitada e a vontade do povo deve ser defendida".

Espriella suspende transição do Executivo

A troca de acusações ocorre desde a vitória apertada de De la Espriella no segundo turno da eleição presidencial, em junho.

Na manhã desta terça-feira, o presidente eleito determinou ao vice-presidente eleito a suspensão imediata do processo de transição, alegando que não pretende legitimar "o desastre nem o desrespeito à ordem constitucional" do atual governo.

Abelardo de la Espriella: candidato de direita ganhou as eleições presidenciais da Colômbia. (Vanessa Romero/AFP)

O presidente eleito,apoiado pelo presidente americano Donald Trump, acusa o governo Petro de corrupção e anunciou que a transição passará a funcionar como uma "auditoria exaustiva" da atual administração.

Segundo De la Espriella, sua equipe identificou problemas no combate ao narcotráfico, supostas irregularidades na concessão de contratos públicos sem licitação e falhas no sistema de saúde. Ele afirma ainda que pretende responsabilizar Petro "dentro da lei" pelos supostos crimes cometidos durante o governo.

Petro convoca protestos e não reconhece novo governo

Petro continua sem reconhecer a legitimidade da vitória de De la Espriella. O presidente afirma que houve "fraude eleitoral" no segundo turno e convocou manifestações para 20 de julho, data em que fará seu discurso de despedida antes do fim do mandato.

Gustavo Petro: presidente da Colômbia questiona os resultados eleitorais e afirma que houve interferência externa (Mauro Pimentel/AFP)

Apesar das acusações, observadores internacionais e autoridades eleitorais descartaram qualquer evidência de manipulação da votação.

Após o anúncio da suspensão da transição, Petro respondeu pelas redes sociais que o processo continuará normalmente, mesmo sem a participação da equipe do governo eleito. Ele também afirmou que o novo mandatário é um "inimigo da Pátria" e "ditador ao assumir a posição dos juízes".

Segundo o presidente, serão deixadas "cadeiras vazias" à espera dos representantes da futura administração. Petro também afirmou que seus adversários "não suportam que toda a cidadania veja que não estão preparados" para governar e classificou as acusações como calúnias.

Iván Cepeda reconhece resultado da eleição

Poucos dias depois da vitória de Espriella, o candidato governista Iván Cepeda reconheceu oficialmente o resultado da eleição, mas declarou estar em "desobediência civil" diante do novo governo.

Iván Cepeda discursa após divulgação de resultados do primeiro turno da eleição, em Bogotá (Raul Arboleda/AFP)

Até o momento, não há qualquer decisão das autoridades eleitorais que impeça a posse de De la Espriella em 7 de agosto.

O presidente eleito afirma que as alegações de fraude apresentadas por Petro servem como "desculpa para incendiar o país" e alerta que seus adversários temem as investigações sobre supostos casos de corrupção e possíveis vínculos com o narcotráfico.

A tensão política também aumenta porque apoiadores de De la Espriella demonstram preocupação com a possibilidade de novos protestos semelhantes aos que ocorreram entre 2019 e 2021, quando manifestações apoiadas por Petro durante o governo de Iván Duque terminaram com dezenas de mortos.

Advogado e estreante na política, Abelardo de la Espriella venceu a eleição presidencial com uma plataforma de direita baseada na redução do tamanho do Estado, incentivo ao investimento privado e endurecimento do combate às guerrilhas e aos cartéis do narcotráfico.

Nesta terça-feira, ele também anunciou mais seis integrantes de seu futuro gabinete, incluindo os ministros da Educação, Justiça, Comércio, Transportes, Esporte e Habitação, afirmando que a equipe foi escolhida com base em experiência, mérito e vocação de serviço.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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