Golpistas usam falsas vagas e concursos do setor de petróleo como isca; saiba se proteger

A retomada das contratações na indústria do petróleo virou terreno fértil para fraudes.
Com salários acima da média e um novo ciclo de vagas em aberto, o setor entrou na mira de criminosos que anunciam empregos e concursos falsos para aplicar golpes na internet.
O potencial de atração de candidatos é grande. Só a produção na costa do Rio de Janeiro responde por 95 mil empregos, segundo a Firjan, e a entidade projeta mais de 1.400 novas vagas até o fim de 2027.
É esse fluxo de interessados que os golpistas tentam explorar, quase sempre cobrando taxas indevidas de quem busca uma oportunidade.
Empresas como Ocyan, Modec e Petrobras vêm reforçando alertas em seus canais oficiais.
O WhatsApp é o canal mais usado: os fraudadores se passam por recrutadores e pedem pagamentos para "dar andamento" ao processo ou garantir a contratação.
Como o golpe funciona
As abordagens também partem de redes sociais e e-mails que imitam comunicações corporativas, com logotipos copiados para dar aparência de legitimidade.
As justificativas para as cobranças variam, embora as companhias afirmem não cobrar nada de candidatos.
Para ampliar o alcance, os criminosos investem em anúncios pagos em redes sociais e links patrocinados em buscadores. A Kaspersky identificou e bloqueou, só no primeiro trimestre, mais de 330 sites que divulgavam falsos concursos da Petrobras.
Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da empresa, aponta um sinal de alerta claro: o Pix. Segundo ele, os golpistas preferem essa via para dispersar rapidamente o dinheiro entre várias contas e dificultar o rastreamento — e a chave de recebimento, seja CNPJ ou pessoa física, costuma não ter relação alguma com a empresa ou a organizadora da suposta seleção.
Na Petrobras, a área de segurança corporativa é acionada sempre que o nome da estatal aparece em publicações falsas.
Lilian Soncin, gerente executiva de Recursos Humanos, resume três modalidades: exigência de pagamento para "efetivar" vagas inexistentes ou avançar em seleções que não existem; coleta de dados pessoais para uma candidatura fake; e venda de cursos preparatórios falsos, montados a partir de editais antigos da companhia.
O que fazer para não cair
A estatal não tem concurso aberto no momento nem previsão de nova seleção em 2026 — mas há vagas reais em outras petroleiras e prestadoras de serviço.
A recomendação é sempre conferir a existência da oportunidade nos sites oficiais das empresas e em agências de recrutamento reconhecidas, conduzindo todo o processo por esses canais.
E um lembrete importante: mesmo quando não há cobrança de taxa, fornecer dados pessoais a golpistas já representa risco.
Com Agência O Globo
