Google Cloud quer dobrar infraestrutura no Brasil até 2030 para acelerar IA agêntica
Durante o Google Cloud Summit Brasil, a empresa anunciou residência local de dados para o Gemini Enterprise e mais GPUs em São Paulo

O Google Cloud anunciou nesta quinta-feira, 24, durante o Google Cloud Summit Brasil, em São Paulo, um pacote de investimentos e recursos voltados a acelerar a adoção de inteligência artificial (IA) agêntica no país.A empresa afirma que planeja dobrar sua infraestrutura técnica no Brasil até 2030, ampliando a capacidade local de processamento, armazenamento e computação de alta performance para IA.
O anúncio se apoia num diagnóstico específico: segundo um estudo encomendado pelo Google Cloud à consultoria IDC e ao instituto Provokers, 62% das organizações brasileiras já implementam ou aceleram a adoção de agentes de IA — a maior taxa de entusiasmo da região —, mas apenas 17% delas conseguiram consolidar essa adoção com o nível de governança necessário para usá-la em múltiplos processos críticos da empresa.
"À medida que as empresas implementam mais a IA agêntica, os clientes nos relatam que frequentemente enfrentam os mesmos três desafios: custo, clareza sobre o valor de negócios e a necessidade de controles de nível corporativo", disse Thomas Kurian, CEO do Google Cloud, em comunicado.
Dados processados dentro do Brasil
A partir de 15 de outubro, a versão web do Gemini Enterprise, plataforma corporativa de agentes de IA da empresa, passa a processar localmente, no Brasil, os dados de clientes que usam o modelo Gemini 3.5 Flash.
A mudança se soma ao armazenamento de dados de fluxos de trabalho de agentes, que já era feito localmente, e busca atender exigências regulatórias e de soberania de dados no país.
O Google Cloud também reforça que, em qualquer região, os dados e resultados dos clientes não são usados para treinar os modelos de linguagem da empresa sem consentimento explícito.
Para sustentar o processamento local, máquinas virtuais equipadas com GPUs Nvidia RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition já estão disponíveis na região de nuvem de São Paulo, voltadas a cargas de trabalho de inferência pesada e em tempo real.
Novos recursos para tirar agentes do protótipo
O Google Cloud também apresentou recursos voltados a reduzir o atrito entre testar um agente de IA e colocá-lo em produção real dentro de uma empresa. Entre eles:
- Projects: espaços dedicados dentro do Gemini Enterprise, vinculados a um conjunto específico de arquivos, que mantêm histórico e contexto ao longo do tempo, para uso individual ou em equipe.
- Skills Registry: um registro central das "habilidades" (conjuntos de instruções e recursos) que ensinam um agente a executar tarefas específicas, com políticas de uso definidas por agente, pessoa ou equipe.
- Agent Sandbox: ambiente isolado e gerenciado em que agentes podem compilar e rodar código, usar linha de comando ou operar um ambiente de computação completo, incluindo navegação na web.
- AlloyDB para Agentes: banco de dados baseado em PostgreSQL, pensado para suportar milhões de agentes de IA operando ao mesmo tempo, sem impactar os sistemas de produção da empresa.
Segurança pensada para a velocidade dos agentes
Em parceria com a empresa de cibersegurança Wiz, o Google Cloud vai oferecer a empresas brasileiras uma avaliação gratuita de exposição a riscos, usando uma ferramenta de teste de invasão baseada em IA chamada Red Agent, que analisa a superfície de ataque externa e gera um relatório de vulnerabilidades priorizado.
A empresa também ampliou o Model Armor, seu sistema de proteção contra ataques a modelos de IA.
A nova versão inclui triagem de imagens, detecção mais precisa de tentativas de manipular comandos por meio de arquivos do Google Workspace, uma janela de contexto de até 64 mil tokens e suporte a modelos da Anthropic hospedados no Gemini Enterprise.
Outra novidade, o Auth Manager, busca eliminar a necessidade de código personalizado para gerenciar credenciais e autenticações em fluxos automatizados entre agentes.
Quem já usa, e como
O comunicado cita sete empresas brasileiras como casos de uso do Gemini Enterprise.
Segundo o Google Cloud, o Bradesco usa a ferramenta para automatizar análises fiscais, contábeis e contratuais, reduzindo de uma hora para cinco minutos o tempo de revisão de documentos.
A CNA oferece orientação técnica a produtores rurais por um assistente de IA no WhatsApp. A Livelo diz recuperar 20 mil horas por ano ao automatizar moderação de avaliações e campanhas. A Sabesp usa agentes para identificar risco de multas e acelerar defesas jurídicas, e a SulAmérica afirma liberar centenas de horas operacionais com agentes para tarefas repetitivas. Magalu e Natura também são citadas como parceiras que trabalham com engenheiros do próprio Google Cloud dedicados a apoiar a implementação técnica dentro das empresas.
10 mil certificações gratuitas
O Google Cloud também anunciou a distribuição de 10 mil vouchers gratuitos de certificação para desenvolvedores brasileiros, como parte da meta de capacitar 3 milhões de pessoas no país em nuvem e IA até 2030. Durante o Summit, a empresa também realiza uma nova edição do Capacita+, programa de treinamento gratuito feito em parceria com mais de 150 instituições de ensino, com a meta de capacitar 200 mil pessoas em um único dia.
