Google cria chip com Gemini integrado para baratear serviços de IA

O Google está desenvolvendo um novo chip de servidor que incorpora partes do modelo Gemini diretamente no hardware, em uma tentativa de entregar sua inteligência artificial (IA) aos usuários de forma mais eficiente. A informação foi publicada nesta segunda-feira, 20, pelo site The Information, com base em pessoas a par do assunto.
O projeto, informalmente apelidado de "Frozen v2", deve começar a ser implantado a partir de 2028. Os engenheiros ainda finalizam o desenho do processador e definem quanta informação do modelo ficará gravada fisicamente no chip.
As ações da Alphabet, controladora do Google, subiram 3,3% no início do pregão após a notícia.
Até dez vezes mais eficiente
O ganho projetado é expressivo. Segundo o relato, o chip poderia ser de seis a dez vezes mais eficiente que os processadores de IA mais recentes desenvolvidos pela própria empresa, em contas de tokens de IA entregues por unidade de energia — os tokens são as unidades de texto que servem de base para medir o processamento dos modelos.
A lógica por trás do desenho é abrir mão de flexibilidade em troca de desempenho. Ao gravar parte do modelo no silício, o chip deixa de ser um processador genérico e passa a rodar aquele conjunto específico de operações com menos desperdício de energia.
A iniciativa responde a um problema concreto de capacidade. De acordo com o The Information, o Google enfrenta uma escassez de poder computacional para IA que vem gerando tensões internas e levou o Google Cloud a recusar contratos com clientes externos — ou seja, a empresa tem deixado de vender por falta de infraestrutura para atender.
O projeto Frozen busca criar uma nova família de chips próprios, separada das TPUs, as unidades de processamento tensorial que o Google desenvolve há anos. Segundo o site, a ideia não é substituir as TPUs, mas complementá-las.
Um momento delicado para o Gemini
A notícia chega dias depois de outro revés na linha de IA da empresa.
EXCLUSIVO: 'O Brasil é uma casa extraordinária', diz Sundar Pichai, CEO do GoogleNa semana passada, a Bloomberg informou que o Google adiou o lançamento de sua versão mais recente do Gemini após o modelo ficar abaixo das metas internas, com a companhia trabalhando para melhorar suas capacidades — sobretudo em programação, justamente a área em que a disputa com OpenAI e Anthropic tem sido mais acirrada.
