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15/07/2026
4 min

Google vai liberar IA em entrevistas — e muda o que espera dos candidatos

Google vai liberar IA em entrevistas — e muda o que espera dos candidatos

O Google pretende permitir que candidatos a vagas de engenharia de software usem o Gemini durante parte das entrevistas técnicas. O novo formato, inicialmente voltado a posições de nível júnior e intermediário nos Estados Unidos, avaliará não apenas a capacidade de programar, mas também a fluência no uso da inteligência artificial. 

A mudança altera uma regra tradicional dos processos seletivos em tecnologia. Em vez de impedir o acesso a ferramentas externas para medir o conhecimento individual, a empresa quer reproduzir com mais fidelidade o trabalho realizado por seus próprios engenheiros: uma rotina liderada por pessoas, mas cada vez mais assistida por IA. As informações foram retiradas do Business Insider.

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Candidatos poderão usar o Gemini para analisar códigos

O projeto-piloto será aplicado na etapa de “compreensão de código”. Nela, os participantes precisarão ler uma base já existente, identificar problemas, depurar falhas e propor otimizações com o apoio de um assistente aprovado pela empresa.

Durante o teste, a ferramenta utilizada será o Gemini. Os entrevistadores deverão observar três competências principais: engenharia de prompts, validação dos resultados e capacidade de depuração.

A autorização para usar IA, portanto, não transforma a entrevista em uma tarefa mais simples. O foco da avaliação muda — o candidato deixa de ser cobrado apenas pela produção manual do código e passa a demonstrar se consegue orientar a ferramenta, avaliar o que foi entregue e intervir quando a resposta apresenta falhas.

Saber usar IA não significa aceitar tudo o que ela produz

Um comando bem escrito é apenas o início do processo. Modelos de inteligência artificial podem gerar códigos convincentes e, ainda assim, incluir erros, vulnerabilidades ou soluções incompatíveis com o objetivo do projeto.

Por isso, a validação aparece entre as competências que serão avaliadas pelo Google. O candidato terá de mostrar que compreende o código o suficiente para questionar a resposta, realizar testes e reconhecer quando a solução precisa ser reescrita.

Entrevistas devem ficar mais próximas do trabalho real

A reformulação foi apresentada internamente como uma forma de alinhar a seleção ao cenário moderno da engenharia. O Google descreve o modelo como “liderado por humanos e assistido por IA”.

Segundo Brian Ong, vice-presidente de recrutamento da companhia, o objetivo é fazer com que as entrevistas reflitam melhor a maneira como as equipes trabalham na era da inteligência artificial.

O movimento acompanha uma transformação já visível dentro da empresa. Em abril de 2026, o Google informou que cerca de 75% de seus novos códigos eram gerados com participação de IA e posteriormente revisados e aprovados por engenheiros.

Se a tecnologia faz parte da rotina, proibi-la durante toda a seleção poderia medir uma situação cada vez mais distante do cargo. A nova entrevista tenta avaliar não apenas o que o candidato sabe fazer sozinho, mas como ele combina conhecimento técnico e ferramentas digitais para resolver um problema.

Processo também terá desafios mais abertos

O uso do Gemini não será a única alteração. Para candidatos mais jovens, uma das rodadas técnicas deverá ser substituída por uma conversa baseada em desafios de engenharia com respostas menos fechadas.

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A etapa conhecida como “Googleyness and Leadership”, tradicionalmente concentrada em perguntas comportamentais, também deverá incluir uma discussão técnica sobre um projeto anterior do candidato.

Essas mudanças indicam que memorizar respostas ou reproduzir soluções prontas tende a perder espaço. O processo passará a observar raciocínio, capacidade de explicar escolhas, domínio sobre projetos anteriores e reação diante de problemas sem um caminho previamente definido.

O que muda na preparação para entrevistas de emprego

Para quem busca uma primeira oportunidade em tecnologia, preparar-se para processos seletivos com IA não significa apenas estudar comandos para ferramentas generativas.

O candidato precisará fortalecer a base técnica para reconhecer erros, justificar decisões e explicar por que determinada solução é adequada. Também deverá demonstrar pensamento crítico, clareza na comunicação e responsabilidade sobre o resultado apresentado.

Na prática, algumas perguntas ganham importância: por que aquele comando foi escolhido? Como a resposta foi verificada? O que estava errado no código? Quais riscos não foram identificados pela ferramenta? O que o profissional faria de outra maneira?

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A iniciativa do Google ainda está em fase de teste e poderá ser ampliada para outras equipes e regiões caso apresente bons resultados. Ainda assim, ela antecipa uma mudança relevante: saber usar IA pode deixar de ser apenas uma habilidade mencionada no currículo e passar a ser observado, ao vivo, durante a entrevista.

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AutorGabriella Uota
FonteExame
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