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Sacre Investimentos
EXAME AgroCMDT
06/08/2026
3 min

Governo aponta azeites vendidos como extravirgem fora da classificação; veja quais

Laudos enviados à Justiça pelo Mapa apontam amostras não conformes; resultados ainda podem ser contestados por contraprova

Governo aponta azeites vendidos como extravirgem fora da classificação; veja quais

Uma série de análises realizadas pelo laboratório oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), no âmbito de uma ação civil pública que tramita na Justiça Federal, identificou amostras de azeites comercializados no Brasil como extravirgem que não atenderam à classificação informada nos rótulos.

Os resultados integram laudos técnicos encaminhados pelo governo à Justiça para acompanhar o andamento do processo. Segundo as notas técnicas anexadas ao processo, foram analisadas amostras de diferentes marcas e importadores.

Segundo os laudos, amostras coletadas de produtos das marcas Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Filippo Berio e Carrefour, comercializadas como azeite extravirgem, foram classificadas como azeite virgem, categoria inferior à declarada no rótulo.

Já amostras das marcas Costa D'Oro e Terras de Camões foram enquadradas como azeite lampante, produto impróprio para consumo sem passar por refino. Os resultados dizem respeito às amostras analisadas no âmbito da ação judicial.

Os documentos fazem parte de uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo contra a União e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que investiga a fiscalização de azeites importados comercializados no país.

O objetivo é apurar possíveis irregularidades e reforçar o controle sobre produtos importados, tanto a granel quanto envasados no Brasil.

As análises classificaram a maior parte das amostras como conforme à legislação. No entanto, algumas receberam a classificação "não conforme" (NC). É o caso de uma amostra da Gomes da Costa, de um lote importado pela Fazenda Irarema e de duas amostras importadas pela Vale Fértil, segundo os laudos apresentados pelo Mapa.

Na manifestação apresentada à Justiça, o MPF sustenta que os resultados reforçam os indícios de irregularidades investigados na ação e embasam o pedido de ampliação da fiscalização sobre azeites comercializados no país. O órgão acompanha a conclusão das perícias para subsidiar novos requerimentos no processo.

O próprio Mapa ressalta, entretanto, que os resultados classificados como não conformes ainda não são definitivos.

Segundo as notas técnicas, após a notificação dos responsáveis, os interessados podem solicitar a realização de contraprova, destinada a confirmar ou não o resultado laboratorial antes da conclusão do procedimento.

Azeite no Brasil

Para o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), os laudos reforçam a necessidade de ampliar a fiscalização sobre os azeites importados vendidos como extravirgem.

"Os laudos técnicos confirmam denúncias feitas reiteradamente pela instituição. São azeites velhos, com defeito, descartados pelos europeus, que chegam às prateleiras dos supermercados como extravirgem e são, na verdade, virgens", disse em nota o presidente da entidade, Flávio Obino Filho.

Segundo ele, essa diferença de qualidade também ajuda a explicar os preços mais baixos de parte dos azeites importados em relação aos produzidos no Brasil.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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