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Sacre Investimentos
EXAME AgroCMDT
30/08/2026
4 min

Governo dos EUA deve anunciar medidas para proteger pecuaristas americanos

Ideia é ampliar a atuação dos produtores no processamento e na comercialização da proteína, em meio à alta dos preços e à reação do setor à ampliação das importações

Governo dos EUA deve anunciar medidas para proteger pecuaristas americanos

O governo dos Estados Unidos deve anunciar nesta segunda-feira, 31, novas medidas voltadas aos pecuaristas americanos, em meio à tentativa da administração de Donald Trump de equilibrar dois desafios: conter a alta dos preços da carne bovina para os consumidores e reduzir a insatisfação dos produtores com a ampliação das importações.

Entre as iniciativas esperadas está a flexibilização de regras para permitir que pecuaristas processem alimentos em suas próprias propriedades e tenham maior liberdade para comercializar seus produtos entre diferentes estados. Segundo a CNN Brasil, que cita informações da Reuters e do jornal britânico The Guardian, a secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, prometeu “grandes anúncios” relacionados à capacidade do país de produzir seus próprios alimentos e energia.

As medidas também fazem parte de uma estratégia para reduzir a dependência dos produtores em relação às grandes empresas de processamento de carne. Trump afirmou anteriormente que pretende ampliar os direitos do setor produtivo e combater o que classificou como um “monopólio perverso” das grandes companhias do segmento.

Importações dividem governo e produtores

O anúncio ocorre poucos dias depois de Trump apresentar um plano para ampliar temporariamente a entrada de carne bovina estrangeira sem a cobrança de taxas adicionais às cotas de importação. A intenção é aumentar a oferta no mercado americano e, assim, tentar reduzir os preços para os consumidores.

A medida, no entanto, provocou reação entre pecuaristas e políticos de estados produtores. O setor teme que a entrada de carne mais barata do exterior pressione os preços no mercado doméstico — especialmente no segmento de carne moída — e reduza a rentabilidade dos produtores americanos.

A preocupação é que margens menores dificultem justamente os investimentos necessários para a recomposição do rebanho bovino do país, que enfrenta uma oferta limitada de animais.

Segundo a CNN Brasil, Rollins afirmou que os Estados Unidos devem importar cerca de 300 mil toneladas de carne moída de outros países nos próximos 90 dias. Na avaliação da secretária, o aumento da oferta pode ajudar a reduzir os preços para as famílias, especialmente as de menor renda, que dependem mais desse tipo de produto.

Medidas para os produtores

Diante da reação negativa à ampliação das importações, o governo americano também tenta demonstrar apoio aos pecuaristas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) pretende reduzir entraves regulatórios relacionados ao processamento e ampliar as possibilidades de comercialização de carne pelos próprios produtores.

A proposta, porém, enfrenta obstáculos legais. De acordo com o The Guardian, ainda existem dúvidas sobre o alcance das mudanças que poderiam ser feitas pelo Executivo, uma vez que os Estados Unidos mantêm regras rigorosas de inspeção para o processamento e a venda de carne.

Uma proposta para flexibilizar parte dessas exigências para pequenos produtores está parada no Congresso americano. O deputado republicano Thomas Massie, um dos autores do projeto, defende que a alteração seja aprovada por meio de legislação, e não apenas por uma ordem executiva.

Mercado depende de importações

As importações, por outro lado, já fazem parte do abastecimento normal do mercado americano. Dados do USDA citados pela CNN Brasil mostram que os Estados Unidos consomem cerca de 13 milhões de toneladas de carne bovina por ano. Desse volume, aproximadamente 11 milhões de toneladas são produzidas a partir de animais criados no próprio país, enquanto o restante é suprido por produtos importados.

A diferença, portanto, está na ampliação temporária dessas compras externas como instrumento para enfrentar a restrição da oferta e os preços elevados.

A Associação de Pecuaristas de Iowa criticou a iniciativa, segundo informações publicadas pelo veículo americano Brownfield e reproduzidas pela CNN Brasil. Para a entidade, mesmo quando destinada ao mercado de carne moída, a proteína importada representa uma concorrência adicional aos produtores locais.

O tema ganha ainda mais relevância política às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para novembro. Enquanto tenta conter a inflação da carne e aliviar o custo para os consumidores, o governo Trump também busca evitar que a política de importações amplie o descontentamento entre os pecuaristas americanos.

AutorRebecca Crepaldi
FonteExame
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