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Sacre Investimentos
EconomiaACS
30/06/2026
3 min

Governo estuda juros menores no MCMV, mas aperto no FGTS pode frear expansão, diz Itaú BBA

Governo estuda juros menores no MCMV, mas aperto no FGTS pode frear expansão, diz Itaú BBA

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) poderá alterar, mais uma vez, as regras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), em uma tentativa de ampliar o poder de compra da renda média e média-alta, segundo analistas do Itaú BBA, que se reuniram recentemente com um membro do órgão.

Em relatório, o banco apontou que o colegiado estuda a criação de “subfaixas” dentro das atuais Faixas 3 e 4 do programa habitacional.

A mudança, de acordo com a instituição, teria como objetivo reduzir as taxas de financiamento em determinados grupos de renda e, com isso, ampliar o valor dos imóveis acessíveis às famílias.

Potenciais alterações

Na Faixa 3, por exemplo, que hoje tem juros em média de 7,66% ao ano e atende famílias com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 9,6 mil, a proposta prevê a divisão em três níveis.

Famílias que ganham até R$ 6 mil teriam juros reduzidos para 6,66%, enquanto o grupo que recebe entre R$ 6 mil e R$ 7 mil pagaria 7,16%. A taxa atual seria mantida para quem tem renda entre R$ 7 mil e R$ 9,6 mil.

Faixa de renda mensal Juros atuais Proposta em estudo
R$ 5 mil a R$ 6 mil 7,66% (referência) 6,66% ao ano
R$ 6 mil a R$ 7 mil 7,66% (referência) 7,16% ao ano
R$ 7 mil a R$ 9,6 mil 7,66% (referência) 7,66% ao ano (mantido)

Para a Faixa 4, que abrange famílias que ganham entre R$ 9,6 mil a R$ 13 mil e atualmente cobra juros de até 10%, o estudo prevê redução da taxa para 8,66%.

Além disso, também estão em avaliação a criação de duas novas subdivisões: famílias com renda de até R$ 15 mil pagariam 9,16% ao ano, enquanto aquelas com renda de até R$ 21 mil ficariam no teto de 10%.

Faixa de renda mensal Juros atuais Proposta em estudo
R$ 9,6 mil a R$ 13 mil Até 10% ao ano 8,66% ao ano
R$ 13 mil a R$ 15 mil 9,16% ao ano
R$ 15 mil a R$ 21 mil 10% ao ano

Para os analistas do BBA, caso todas as mudanças sejam implementadas, o sistema deixaria de operar em “blocos amplos” e passaria a funcionar como uma “escada de juros mais fina”.

O impacto estimado seria um aumento do poder de compra de 5% a 10% das famílias na Faixa 3 e de 15% a 35% na Faixa 4.

Pressão sobre o FGTS pode limitar avanços

Apesar das discussões, o relatório destaca que há um possível “limitador” para a implementação das medidas: a piora na situação financeira do FGTS, principal funding (fonte de financiamento) do Minha Casa, Minha Vida.

De acordo com o banco, saques extraordinários, como o saque-aniversário e outras liberações antecipadas, reduziram a liquidez do fundo.

O BBA, inclusive, cortou a projeção de caixa do FGTS ao fim de 2026 de R$ 175 bilhões para R$ 165 bilhões.

A casa também espera que o saldo continue em queda nos próximos anos, podendo chegar a R$ 153 bilhões em 2029, contra R$ 183 bilhões em um cenário sem saques adicionais.

Fundo Social pode ser fonte complementar

O relatório cita o Fundo Social do Pré-Sal como possível fonte complementar de recursos para o programa habitacional. O mecanismo, cabe lembrar, já foi utilizado anteriormente para viabilizar a Faixa 3 do MCMV.

No entanto, diferentemente do FGTS, que possui destinação estrutural para habitação, o Fundo Social depende de aprovação orçamentária anual, o que pode dificultar o planejamento de longo prazo.

AutorIgor Grecco
FonteMoney Times
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